Bullet For My Valentine: quando a criatividade vai embora
Resenha - Temper Temper - Bullet For My Valentine
Por Gabriel Touron
Postado em 29 de maio de 2013
Nota: 4 ![]()
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Formada em 1998, o Bullet For My Valentine é uma das bandas do heavy metal atual, que com o debut The Poison, veio com um execelente trabalho de Metalcore. Entretanto a banda migrou para uma abordagem de metal mais tradicional e influência do thrash metal, nos álbuns Scream Aim Fire (2008) e Fever(2010) mantendo a qualidade. Sempre com linhas pegajosas e músicas que viciam, a banda não é bem vista pelos metaleiros true, mas sem dúvida fez um excelente trabalho nos três primeiros álbuns. Infelizmente isso não acontece no quarto, que será analisado aqui...
Bullet For my Valentine - Mais...
O álbum Temper Temper é o quarto da banda, lançado no início de 2013. Seguindo o seus antecessores, a banda continuou a se afastar do Metalcore que os lançou no meio musical com o primeiro álbum The Poison. Entretanto o que existe nesse álbum é uma falta de criatividade enorme, o que não acontece em Scream Aim Fire e Fever. O álbum tem seus momentos, mas nenhuma música é incrível, nem sequer pode salvar o álbum da mediocridade. O que acontece na maioria dos casos, são riffs e estruturas interessantes e empolgantes que acabam por cair em um verso horrendo ou um refrão nojento.
Logo de cara, 'Breaking Point' já denuncia esse caráter do álbum. A introdução mostra um riff destruidor e impactante que faz com que o ouvinte acredite que vai escutar um álbum excelente. Mas não é o caso, o ritmo diminui e os versos simplesmente broxam qualquer metaleiro que se empolgou com a intro. E infelizmente se trata de uma das melhores músicas do álbum, com um excelente solo...Mas é só. 'Truth hurts' e 'Temper Temper' apenas mantém a mediocridade em ponto alto, mostrando alguns riffs legais, que simplesmente não vingam a música ao todo.
'P.O.W' se mostra uma tentativa de balada, ou uma tentativa de power-balad, mas não sai bem como nenhuma das duas. Entretanto é uma das poucas músicas em que a estrutura é decente, e o fluxo da música corre razoavelmente bem. 'Dirty Little Secret' então vem com uma introdução incrível que cai em um verso tosco e fraco. O abuso de graves nas transições é simplesmente ridículo e repetitivo, pois está em quase todas as faixas. 'Leech' segue a desgraça com uma mistura de sequencias que não combinam e simplesmente irritam. E se nessa eles acertam no verso, simplesmente falham no resto da música inteira. Pra piorar as letras que nunca foram o forte da banda ficaram ainda mais ridículas, parecendo retratar o drama de um adolescente irritado porque não ganhou o novo Iphone de natal. A sétima faixa então segue a onda das baladas que ficam pesadas. 'Dead to the world' é boa, e tem solos bons, entretanto a parte acelerada é um plágio descarado de 'Welcome home (Sanitarium)' do Metallica. Fora isso, é uma música e que se salva. O single 'Riot' apesar de ter uma pegada forte nos riffs e um solo esmagador é um rock comum que não cheira nem fede, e 'Saints & Sinners' também, sendo que esta última também não tem um fluxo horrendo, porém não se destaca.
Então vem um agudo irritante que começa a segunda parte de um clássico da banda: 'Tears don't fall (Part 2) e vai fazer qualquer um tapar os ouvidos. A música é picotada como as outras, entretanto não é ruim, provavelmente por ser fortemente baseada na 'Tears don't fall' original. Living Life (on the edge of a kinfe) termina o álbum fraco e falho, com introdução e versos empolgantes que caminham para um refrão horrendo.
O álbum é isso, partes boas que não se misturam bem, e partes ruins que destroem o fluxo da música e do álbum por inteiro. O que acontece é um monte de riffs com potencial, misturados a ótima perfomance dos músicos, e solos incríveis do guitarrista Michael Padget, que simplesmente caem na desgraça graças a falta de criatividade e noção na composição, que peca ao juntar partes sem nexo na maioria das músicas. O ouvinte vai começar aquele headbang tímido na maioria das músicas para depois broxar diante de um verso sem energia, ou um refrão chato.
Se o Bullet For My Valentine quiser se manter como uma das forças do heavy metal atual, vai ter que se superar no próximo álbum, trazendo algo decente, e que tenha músicas boas, e não um riff legal solto ali, misturado com partes nojentas. O álbum parece forçado e apressado e a sensação que fica é de uma tremenda falta de criatividade e dedicação da banda para criar músicas que fluem bem, pois qualidade todos os membros tem para/com seus instrumentos e funções.
1. "Breaking Point" - 3:42
2. "Truth Hurts" - 3:36
3. "Temper Temper" - 3:08
4. "P.O.W. " - 3:53
5. "Dirty Little Secret" - 4:55
6. "Leech" - 3:59
7. "Dead to the World" - 5:15
8. "Riot" - 2:49
9. "Saints & Sinners" - 3:29
10. "Tears Don't Fall (Part 2)" - 5:38
11. "Livin' Life (On the Edge of a Knife) " - 4:01
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