Nazareth: Um ótimo album de estréia e toda uma carreira esquecida

Resenha - Nazareth - Nazareth

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Por Otavio Caesar, Fonte: Em Busca do Rock
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


O álbum surgiu em meio à tantos grandes lançamentos do ano de 1971 como o “Led Zeppelin IV” (LED ZEPPELIN), “Master Of Reality”/ (BLACK SABBATH), “Aqualung” (JETHRO TULL),”Survival” ( GRAND FUNK RAILROAD), “Sticky Fingers” (ROLLING STONES),”Who's Next”(THE WHO),”Fireball”( DEEP PURPLE), o disco póstumo de Jim Morrison e da era de ouro do THE DOORS, o “L.A. Woman” , e vários outros discos de bandas, e artistas solo como “Imagine” de JOHN LENNON, que estavam se consolidando como clássicos unanimes hoje em dia, fizeram desse ano um dos mais inspirados para o Rock N' Roll.
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Todos esses lançamentos de bandas já conhecidas pelo público, de certa forma, ofuscaram o disco de estreia de uma das maiores bandas do subgênero hard rock que nascia naquele ano, o NAZARETH.

Como escrevi acima, resumi os variados estilos das bandas simplesmente como Rock N' Roll, pois esse é o intuito de todas elas. Uma banda intitulada heavy metal pode conter faixas intrínsecas de hard rock, assim como o contrário. E bandas consideradas como as mais importantes do som pesado têm canções leves no currículo, então como classificar tais bandas? Por que limitar a sua criatividade? O Rock N' Roll é o gênero mais abrangente que existe, e não deve haver em um gênero que quebrou tantas barreiras e surgiu a partir da rebeldia um comportamento segregador dos seus discípulos.

O NAZARETH foi criticado por ter feito muitas baladas adocicadas ao longo da sua carreira de mais de 40 anos. Mas eles são, na verdade, sobreviventes de vários tipos de movimentos que existiram a todas essas décadas de estrada, tendo em vista que muitas bandas dos anos 70 que sobreviveram nos anos 80 tiveram que mudar um pouco a sua sonoridade, com aquele reberb exagerado e diminuindo um pouco o peso de suas faixas. Outro gigante do hard rock o SCORPIONS também teve diversas baladas no currículo, e assim como o NAZARETH, teve suas principais faixas deixadas de lado por causa dessas baladas que a mídia adora divulgar. Do mesmo mal também sofreu o AEROSMITH todos na mesma época  entre os anos 80 e 90. Foi uma época difícil para algumas bandas vindas dos anos 70, o Aerosmith é o que é graças a aqueles álbuns dos anos 70, na minha opinião "Toys in the Attic" é um dos melhores e não tem como não citar "Rocks" um álbum tão aclamado pelos fãs.

Mas ai surgiu as novas bandas dos anos 80 que em vez de fazer um som mais leve fizeram o contrario e ainda aceleraram o andamento das faixas mas ai já é outra longa história... Deixaremos para a próxima ocasião.

O NAZARETH lançou o seu álbum autointitulado em novembro daquele ano (1971), mas poderia ter lançado algo bem antes, pois está na estrada desde 1968, assim como o BLACK SABBATH  lançou no ano anterior dois álbuns e já estava no seu terceiro disco. E o LED ZEPPELIN também de 1968, que já estavam no seu quarto álbum, talvez porque o LED já surgiu como uma superbanda como uma versão (muito melhorada!) de uma banda que já era famosa o THE YARDBIRDS.

Quem sabe se tivessem feito algo mais cedo talvez teriam entrado para o time das megabandas percussoras do Heavy Metal. Mas não se sabe ao certo a que ponto tais bandas influenciaram o próprio NAZARETH em sua sonoridade.

Assim como o LED ZEPPELIN, a banda alternava entre faixas pesadas e lentas com um cunho mais acústico sem em nenhum momento perder a qualidade.


A guitarra de Manny Charlton é gigante, e da a impressão de que são vários guitarristas ali, ele é sem dúvida um dos maiores guitarristas da historia, e não sou eu quem disse isso.

Peter Agnew faz um excelente trabalho no contrabaixo e nos backing vocals, com linhas bem construídas e cheias de feeling que unidas com a bateria de Darrell Sweet ,que tem um som fechado, fazem uma assombrosa base para os vocais dilacerados do vocalista Dan McCafferty.

Esse que mesmo depois de 40 anos mantêm a sua gama vocal em perfeito estado, sem falar no seu alcance e diversidade nas diversas faixas do disco. Vocalista que foi inspiração para Brian Johnson (AC/DC) e Axl Rose (GUNS N' ROSES) afirmado pelos próprios.


Depois que se escuta a fonte é difícil voltar a escutar os derivados dessa fonte... O Hard Rock do final dos anos 60 e inicio dos anos 70 é sem dúvida o ápice do estilo, muitos como eu, que começaram escutando bandas mais novas e foram regredindo nos anos estão fazendo um caminho sem volta. Tem muita coisa boa esquecida ali naquela época, só por que a mídia e a crítica não levaram ao topo não quer dizer que não seja bom, pelo contrário, se a mídia não quis empurrar goela abaixo é porque é bom! A final, a crítica especializada mais eficiente é o ouvido do fã de música. Então esse post vem com o intuito de despertar o interesse pelos redutos esquecidos do Rock N' Roll, os discos esquecidos, as incríveis faixas que valem mais que ouro hoje em dia, e que ainda estão ai a sua disposição.

O NAZARETH foi um banda esquecida, lembrada apenas por "Love Hurts" pela grande massa, e pelos roqueiros pelo álbum "Hair of the Dog" (que contêm a faixa "Love Hurts"!) e alguns álbuns antecessores excelentes que apenas um seleto grupo teve acesso.


O álbum de estreia da banda começa com a faixa "Witchdoctor Woman" é uma abertura devastadora, um hardão de primeira que chega desassociando os átomos dos ouvidos com um riff matador, marcação cerrada do baixo e um groove empolgante de bateria cheio de viradas, não tem como não bater o pé e a chacoalhar a cabeça junto.

A voz que se tornou uma marca para o estilo hard rock aparece com uma faixa gritada e um estilo esmagador de MacCaffert e um grande trabalho na guitarra  encorpada e cheia de ecos e que fica ainda melhor no final da faixa, ouvir a forma como a guitarra chamusca enquanto o baixo está explodindo a base no fundo.

"Dear John" muda radicalmente de estilo mantendo a empolgação da faixa anterior, com uma base focada no piano boogie, com um ritmo frenético algo que remete aos primórdios do Rock N' Roll. Incrível.

A terceira faixa "Empty Arms, Empty Heart" surpreende com um riff que entrava facilmente nos maiores da história, mas a faixa não é conhecida e portanto dificilmente entrará. Volta com o peso e a primeira mudança dos vocais.

"I Had A Dream" é a primeira surpresa, trata-se da primeira faixa acústica e conta agora com os vocais de Pete Agnew, e mostra a desenvoltura da banda no disco. Uma bela canção.

Aproveitando o silencio deixando pela faixa anterior começa a "Red Light Lady" lenta e vai aumentando o andamento e depois volta ao silencio somente com um orgão e a voz de Dan novamente levantando o andamento à um final memorável com um orquestral ao fundo.

"Fat Man" mais uma vez com belos arranjos, mas agora com uma voz totalmente robotizada nos versos, esses caras tem uma infinidade de ideias! O Álbum não encontra um ponto comum entre as faixas, o que é bom! Torna-se um disco que você termina e quer ouvir de novo. Um destaque para os solos sempre inspirados das faixas.

A próxima faixa "Country girl" é mais uma faixa acústica, mas ainda mais cheia de sentimento e um refrão clássico, agora com guitarra slide que da um ar ainda mais grandioso à canção.

"Morning Dew" é um cover da canção folk de Bonnie Dobson, que se torna o ponto alto do álbum. Essa canção já foi gravada por Robert Plant, The Allman Brothers Band, Grateful Dead e Jeff Beck, mas essa versão é com certeza a melhor, ela não lembra em quase nada a versão original da música foi o mesmo que o Led Zeppelin fez com a faixa “Babe I'm Gonna Leave You” no seu primeiro álbum também, pegou uma faixa folk de violão e a transformou em uma faixa monstruosa. Simplesmente uma versão inestimável.

"The King Is Dead" é um conto arrepiante de anarquia completa, com acompanhamento também orquestral. Com um vocal sussurrante de Dan e o acompanhamento acústico de muito bom gosto de Manny.


Sem dúvida um final completamente assombroso e surreal. O disco poderia acabar ali, mas temos a última faixa "Friends" que tira toda a tensão adquirida no decorrer do álbum e se torna uma faixa completamente relaxante, com pegada country, piano e letras ácidas.

Um grande álbum perdido nos anos 70, que não obteve êxito comercial mas dá uma aula de puro Rock N' Roll junto com as grandes bandas da época. Não é a toa que a própria crítica ainda lembra desses músicos adicionando-os em listas dos maiores e melhores por ai a fora, mas a sua música continua sendo para poucos.

Track List:

1 - "Witchdoctor Woman" (Charlton, McCafferty) – 4:09
2 - "Dear John" (Agnew, Charlton, McCafferty, Sweet) – 3:48
3 - "Empty Arms, Empty Heart" (Agnew, Charlton, McCafferty, Sweet) – 3:15
4 - "I Had A Dream" (Agnew, Charlton, McCafferty, Sweet) – 3:23
5 - "Red Light Lady" (Agnew, Charlton, McCafferty, Sweet) – 6:00
6 - "Fat Man" (Agnew, Charlton, McCafferty, Sweet) – 3:25
7 - "Country Girl" (Agnew, Charlton, McCafferty, Sweet) – 4:05
8 - "Morning Dew" (Tim Rose, Bonnie Dobson) – 7:06
9 - "The King Is Dead" (Agnew, Charlton, McCafferty, Sweet) – 4:47
10 - "Friends" (Agnew, Charlton, McCafferty, Sweet) – 3:25

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