Strokes: Um disco que merece, demais, uma ouvida
Resenha - Is This It - Strokes
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 17 de outubro de 2012
Gerar controvérsias entre fãs e críticos tem sido a sina dos STROKES desde que na banda nova-iorquina apareceu, em meados de 1998. Tendo como líder e co-fundador e herdeiro milionário JULIAN CASABLANCAS, o grupo dividiu as opiniões de forma radical: aos detratores não passavam de uma tentativa de costura mal acabada da secura sonora do TELEVISION e WIRE com o niilismo proto punk do VELVET UNDERGROUND; Queridinhos ou desgraçados, a banda deu uma sacudida no então já meio desgastado britpop do final daquela década, fazendo um som que misturava sim uma pegada retrô - mas não ingenuamente desconectado de seu tempo - como queriam alguns romanceadores.
Sabendo bem onde estavam pisando, apesar da pouca idade, os STROKES foram na veia certa do rock n´roll: eram desleixados o bastante para aqueles jovens demais para conhecer a garageira primitiva do NEW YORK DOLLS e , simultaneamente, cuidadosos para agradar aos mais antigos: o clip de "Last Nite" é uma ótima referência minimalista para quem curtia o visual das produções dos anos 70 – ao mesmo tempo que foi espertamente dirigido pelo nada amador ROMAN COPPOLA. Assim, polêmicas a parte, em setembro de 2001 sai o primeiro registro full, "Is This It".
Contando com onze canções em pouco mais de meia hora, o disco é uma boa miscelânea de pós punk e garage entre generosas doses de linhas de baixo ao melhor estilo de bandas como JOY DIVISON e o THE CURE dos primeiros tempos: "Hard To Explain", apesar do refrão mais contemporâneo ao SUPERGRASS, é calcada naquela linha grave simplória (no bom sentido) de discos como "Closer" e "Seventeen", expediente utilizado em igualmente em "The Modern Age" - na qual a semelhança do vocal com os registros de LOU REED mostra que nem sempre as semelhanças são meras coincidências.
A presença das guitarras no disco é uma atração a parte: se por um lado são absolutamente válidas as críticas baseadas na falta total de virtuosismo daquela época, por outro, seria absolutamente improvável a presença de arpejos tocados em sweep por ali: faixas como "Soma" e "New York City Cops" (censurada devido aos ataques de 11 de setembro, ocorridos duas semanas antes do lançamento) estão mais para a velha Mosrite de JOHNNY RAMONE do que as estripulias de MALMSTEEN. Ainda no setor "guitarrístico", é interessante notar a personalidade da dupla composta por ALBERT HAMMOND JR e NICK VALENSI: enquanto o primeiro mostra uma nítida herança de PAUL WELLER do THE JAM, o segundo mostra linhas mais próximas a MICK RONSON - vide as ótimas texturas da faixa título. Um disco que merece, demais, uma ouvida.
Track list:
1. "Is This It"
2. "The Modern Age"
3. "Soma"
4. "Barely Legal"
5. "Someday"
6. "Alone, Together"
7. "Last Nite"
8. "Hard to Explain"
9. "New York City Cops"
10. "Trying Your Luck"
11. "Take It or Leave It"
12. "When It Started"
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