Jane's Addiction: Som puramente original e alternativo.
Resenha - Ritual De Lo Habitual - Jane's Addiction
Por Matheus Cavalheiro
Postado em 31 de julho de 2012
A década de 90 é de longe uma das minhas décadas favoritas quando se trata de bandas, pois é muito comum vermos bandas que passaram os 80's no puro ostracismo por irem por caminhos alternativos, ganharem força total. Alguns exemplos disso nós temos com o Red Hot Chili Peppers, Faith No More, Alice In Chains, Soundgarden e o Jane's Addiction, banda sobre qual falaremos hoje.
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O Jane's Addiction surgiu ao meio dos 80's e foi se consagrando pelo underground com seu som puramente original e alternativo, que serviria de base e influência para muita gente. A banda contava com o carismático frontman Perry Farrel, o talentoso Dave Navarro nas seis cordas e os ótimos Eric Avery no baixo e Stephen Perkins na bateria. A banda vinha crescendo pouco a pouco, até lançar um EP ao vivo de estreia intitulado Jane's Addiction - (1987) e o aclamadíssimo Nothing's Shocking - (1988) que levaria a banda ao patamar profissional. O fato é que turnês e alguns shows foram debilitando a banda que já não estava em um clima muito bom para a gravação de Ritual De Lo Habitual, mas mesmo assim, conseguiram gravar o seu melhor registro e de longe um dos mais importantes álbuns da década de 90.
É comum quem ouve este disco logo de cara, ache ele um pouco 'difícil', mas garanto que o resultado final é incrível! É interessante notar que o Jane's Addiction por ser uma banda que viveu junto com os 'freaks' no underground, tenha uma proposta bem diferente das demais e isso logo na introdução do disco em espanhol. Bom, não sei escrever muito espanhol mas vou traduzir a frase: "... Senhores e senhoras, nós temos mais influência sobre seus filhos que vocês tem, mas nós os amamos!". E após a voz de criança apresentar a banda, o seu falante explode com a bombástica "Stop!", um dos maiores clássicos da banda e obrigatória nos shows. Logo de início já se nota muito swing e ritmo por parte de Dave Navarro aliada a voz aguda de Perry Farrel. O interessante é que a banda alterna entre viradas rápidas, riffs cavalgados, swing e levadas mais cadenciadas.
O disco não é muito longo, são 9 faixas, mas cada uma tem seu brilho sem exceção. É o tipo de álbum que se pode tocar inteiro em um show sem problemas.
Seguimos com "No One's Leaving" que faz bonito com uma linha de baixo bem potente de Eric Avery e finalizando com riffs sensacionais por parte de Dave Navarro. É o tipo de faixa que é comum não se identificar de primeira, mas logo que você entende a música, logo vê a criatividade muito em alta dos caras.
"Ain't No Right" após uma introdução sutilmente bizarra, opta por soar mais direta com o baixo a todo volume e velocidade, além dos riffs certeiros de Navarro, é uma daquelas músicas que mantém o álbum em alta e mostra bem o entrosamento da banda. Logo em seguida, o contraste vem com "Obvious" e sua levada mais suave e cadenciada com refrão bem legal. O destaque desta vez fica com Farrel que faz bonito com sua voz aguda durante os quase seis minutos de música.
Bom, o que falar de "Been Caught Stealing"? Assim como "Stop!" esta ganhou patamar de clássico, ou seja, presente em todos os shows da banda até hoje. Aqui é incrível o swing e ritmo das seis cordas de Dave Navarro e uns solos bem interessantes, além das palmas no seu decorrer. Clássica!
A próxima faixa sim... Essa é A FAIXA sem sombra de dúvidas. Primeiro que falar de "Three Days" não é uma tarefa fácil, acreditem. Essa música é uma das mais importantes de toda a carreira do Jane's Addiction, não só pelo seu trabalho, complexidade, entrosamento, mas também pela história real e triste escondida por trás dela. Se diz que a letra de "Three Days" é uma homenagem a uma falecida amiga de Perry Farrel chamada Xioula Blue, que ficou durante 3 dias no apartamento de Farrel com ele e sua namorada Casey Nicolli. Bom, o fato é que o próprio Farrel descreve esses dias como uma pura névoa de drogas e muito, muito sexo. Se vocês repararem bem na capa do álbum, são 3 bonecos de pano caracterizando um ménage a trois. Após esses dias, Xioula morreu devido a uma overdose fatal de heroina e isso nos leva a faixa seguinte... A tragédia em forma de canção: "Then She Did..." que é uma homenagem a Xioula e a mãe falecida de Farrel (a mãe dele se matou quando ele tinha uns 8 ou 9 anos se não me engano), entre andamentos suaves, melodias tristes assim como os versos da canção. É uma música intensa e uma das mais lindas que já ouvi.
É interessante notar que a 'segunda parte' do disco foge totalmente do que ouvimos nas primeiras 4 faixas. Nos deparamos com canções extremamente densas, complexas e bem mais profundas liricamente.
"Of Course" é uma jornada bem poética ao Oriente Médio, com o uso de flautas, percussão em um ritmo bem exótico que se estende pelos sete minutos de música. Aqui a banda realmente foi além e experimentou bem mais. Lembrem-se que Nothing's Shocking não é tão fácil de se digerir, mas acredito que neste álbum, a banda foi mais longe do que se imagina. E para encerrar o álbum, "Classic Girl" balada dedicada a Casey Nicolli (namorada de Farrel) faz bonito demais! É uma música que em minha sincera opinião, é uma das mais criativas da banda. A alternância entre as levadas suaves de Navarro com a pegada forte de Stephen Perkins ficou perfeita sem sombras de música. Essa levada interessante nos remete um pouco ao Led Zeppelin e principalmente na canção "Gallow's Pole" do Led Zeppelin III. Independente disto, não há forma mais bela de se fechar um disco sem dúvidas...
Ritual De Lo Habitual seria o 'enterro' do grupo que encerraria as atividades no ano seguinte e o disco mais importante de sua carreira, apesar de figurar lindamente ao lado de Nothing's Shocking - (1988).
Discaço!
Algumas curiosidades:
* Se diz que o clima de gravação de Ritual De Lo Habitual era tão tenso que a banda gravou todas as músicas separadamente, mas apenas "Three Days" foi gravada em estúdio com os quatro integrantes.
* No encarte do álbum, há uma foto de Xioula Blue e os dizeres dedicando o álbum a sua memória.
* A frase citada pela criança em espanhol na introdução de "Stop!" foi usada no encarte, e na capa alternativa de Ritual De Lo Habitual junto à Primeira Emenda dos Estados Unidos contra a censura
* Os latidos no início de "Been Caught Stealing" são do cachorro de Perry Farrel, não se assuste!
* Na cena final do filme 60 Segundos, é possível ouvir um trecho de "Been Caught Stealing" antes de Nicolas Cage ganhar o Mustang.
TRACKLIST:
01. "Stop!" - (4:14)
02. "No One's Leaving" - (3:01)
03. "Ain't No Right" - (3:34)
04. "Obvious" - (5:54)
05. "Been Caught Stealing" - (3:35)
06. "Three Days" - (10:47)
07. "Then She Did..." - (8:18)
08. "Of Course" - (7:01)
09. "Classic Girl" - (5:07)
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