Motorhead: Espírito doidão, anárquico e festeiro

Resenha - Motorhead - Motorhead

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Por Paulo Severo da Costa
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Nota: 8

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Em entrevista ao programa That Metal Show, LEMMY KILMISTER foi questionado se GEEZER BUTLER tinha sido uma influência na sua forma de tocar baixo. Com sua peculiar “capacidade de síntese”, o fundador do speed metal respondeu, na lata: “Não!” Herege? Doido?
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Primeiramente: sim para as duas respostas. Se existe algo de diferencial nesse inglês, tomador de Jack Daniel´s com Coca, que foi roadie de Jimi Hendrix e influência direta do thrash, é sua honestidade bruta e longe da babaquice politicamente correta. Mas, muito além disso, a verdade é que, olhando para a carreira do MOTÖRHEAD (leia-se LEMMY), sobretudo no seu início, o que se percebe são raízes mais fincadas em um espírito doidão, anárquico e festeiro do que no som industrial, sombrio e sério da galera de Birmingham.

O álbum homônimo, lançado em 1977 (na verdade gravado depois de “On Parole”, de 1975, mas lançado só em 1980) foi o debut da banda e já contava com sua formação mais conhecida com o visceral “FAST” EDDIE CLARKE na guitarra e o “doido de pedra” PHIL "PHILTY ANIMAL" TAYLOR nas baquetas. O disco, bem distante de uma produção polida, é cru e pesado como uma bigorna, mostrando uma banda que ainda procurava seu som em meio ao caos absoluto.

“Motörhead”, que já havia sido gravado no primeiro disco, parece um RAMONES com esteróides; influência que é nítida em todo o disco.CLARKE sola com a categoria de uma mistura cáustica de ALVIN LEE e ACE FREHLEY, mas sempre mantendo uma personalidade única.

“Lost Jhonny” tem uma cadência que já se familiariza com o metal europeu, porém sempre mantendo a aura “garageira”da banda. A dobradinha “Iron Horse/Born to Lose” dispensa apresentações, em sua levada mais hard rock com dinâmicas “top de linha” de TAYLOR.

“Keep us on the Road” parece um blues saindo do quinto dos infernos seguindo a linha da versão de “Train Kept A-Rollin”. Lemmy parece estar sempre em uma festa em uma boate de strip, se divertindo pra cacete e botando fogo nos ouvintes.

A bem da verdade, depois do lançamento de clássicos absolutos como “Overkill” (1979), “Bomber” (1979), “Ace of Spades (1980), “Iron Fist (1982), etc, etc, etc, esse primeiro registro ficou um pouco esquecido (e menos comentado). Existe ainda uma edição com um bônus muito legal que é uma versão foda para "Beer Drinkers & Hell Raisers" do ZZ TOP.

Balanço final: vale demais uma ouvida!

Track list (versão original):

1. "Motorhead"
2. "Vibrator"
3. "Lost Johnny"
4. "Iron Horse/Born to Lose"
5. "White Line Fever"
6. "Keep Us on the Road"
7. "The Watcher"
8. "Train Kept A-Rollin'"

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Sobre Paulo Severo da Costa

Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n´roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas. Email para contato: joaopsevero@bol.com.br.

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