Cult: Hard Rock que não resvalava na farofice nos anos 80
Resenha - Sonic Temple - Cult
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 17 de junho de 2012
Os anos 80, representam a década da esquizofrenia para o rock n´roll. Apertados nos mesmos dez anos, surgiram tendências tão díspares como o new romantic e o thrash metal, o death metal e o glam metal, METALLICA e GO GO´s. Dentre essas tendências estava o chamado rock gótico, marcado por letras obscuras e guitarras entorpecidas, que, no início da década, viu surgir o SOUTHERN DEATH CULT, fundado pelo habilidoso vocalista IAN ASTBURY.
Fundado por volta de 1983, a banda seguia os passos do deprimido estilo de BAUHAUS e SIOUXSIE AND THE BANSHEES, mudando seu nome logo em seguida para DEATH CULT. Nessa época se juntam ao grupo o baterista RAY TAYLOR-SMITH, o baixista JAMIE STEWART, e o guitarrista BILLY DUFFY. Logo depois, a banda abrevia mais uma vez o nome, e passa a se chamar THE CULT.
A vinda dos novos integrantes conduziu gradualmente a um som cada vez mais individualizado - sobretudo graças a DUFFY, um herdeiro do hard "setentão", fortemente influenciado por JIMMY PAGE e MICHAEL SCHENCKER. Ainda que os dois primeiros álbuns ainda carregassem uma boa carga de influência gótica, a partir de ELECTRIC (1987) a banda assume uma faceta mais voltada ao hard blues contemporâneo, mas íntegro o suficiente para não resvalar na "farofice" reinante na época.
Após mais mudanças na formação (sobretudo pela marcante presença de MATT SORUM na bateria), lança, em 1989, o álbum SONIC TEMPLE, carregado de distorção e vocais pra lá de inspirados.
O disco mostra que a banda não estava de brincadeira: "Sun King", "Sweet Soul Sister" e "New York City" (com a indefectível presença de IGGY POP nos refrões), dão um show de peso cheio de referência de arena rock de primeira como SCORPIONS e uma pitada de KISS fase "Destroyer". Os solos de DUFFY em "Soldier Blue" e "Eddie", mostram o que uma Gibson podia fazer em uma década em que brilharam os fritadores em suas guitarras escalopadas, correndo escalas a 200 quilômetros por hora.
"American Horse" mostra ASTBURY berrando a plenos pulmões, deixando muitos a comer poeira em segundo lugar. Em todas as faixas, o que se observa é uma coesão incrível, onde se ouve um time reunido em torno da força de vontade de fazer um disco singular.
É uma pena que logo após o lançamento, MATT SORUM tenha se bandeado para o GUNS AND ROSES,e STEWART (já em sua segunda passagem pela banda) também tenha saído no ano seguinte. Desde então, a banda não lançou um disco completo tão legal quanto esse. Felizmente, "Sonic Temple", lançado a mais de vinte anos ficou aí, guardando lugar na galeria dos grandes.
Track list:
1. "Sun King"
2. "Fire Woman"
3. "American Horse"
4. "Edie (Ciao Baby)"
5. "Sweet Soul Sister"
6. "Soul Asylum"
7. "New York City"
8. "Automatic Blues"
9. "Soldier Blue"
10. "Wake Up Time For Freedom"
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