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Resenha - Memories Of A Time To Come - Blind Guardian

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Por Júlio André Gutheil
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Eu sou do tipo de apreciador de música que implica seriamente com coletâneas, Bests Of, Greatest Hits e adjacências, as quais geralmente são lançadas por gravadoras sedentas por sugar ao máximo cada centavo que seus artistas possam vir a arrecadar ou por bandas decadentes que precisam apelar para o passado na intenção de continuarem em destaque. Porém, esta coletânea lançada em janeiro passado pelos alemães do Blind Guardian é algo completamente diferente, muito longe de ser um caça-níquel qualquer, um verdadeiro presente aos seus devotos fãs que angariaram ao longo de vinte e cinco anos de uma bem sucedida carreira.

Seria muito fácil simplesmente pinçar meia dúzia de clássicos e fazer um disco de retrospectiva, sem nenhum atrativo a mais nisso do que uma capa bonitinha. Mas não, o que o Blind Guardian fez foi se enfurnar no estúdio (deles próprios, diga-se de passagem) e re-trabalhar minuciosamente cada uma das faixas selecionadas, criando assim um material que, mesmo não sendo inédito, soasse novo e muitíssimo mais interessante. A proposta é inteligente: pois fazendo novas mixagens, re-trabalhando e até mesmo re-gravado algumas dessas músicas, podemos notar claramente como o som da banda foi mudando no decorrer dessas duas décadas e meia, reconhecendo a sonoridade das raízes assim como todo o clamor épico da atualidade.

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Todas as fases do conjunto foram devidamente rememoradas; desde o speed metal tipicamente oitentista dos primeiros trabalhos, passando pelo powermetal que marcou uma geração inteira nos anos noventa até chegar ao que ouvimos atualmente: um som que alia peso, velocidade e um caráter épico impressionante, que se usa intensamente de corais grandiosos e orquestrações de impacto, em um mix único e marcante, que caracteriza o Blind Guardian como uma das bandas mais criativas e originais da atualidade.

Como eu havia mencionado antes, este "Memories of a Time to Come" é um verdadeiro presente aos fãs da banda, que não vão adquirir apenas um trabalho aleatório apenas para ter a coleção completa, mas sim o resultado de um trabalho árduo, que denota respeito e carinho pelos fãs. E ainda mais do que isso: a prova de que eles conseguem se reinventar constantemente, fugindo da mediocridade e do senso comum, pegando algo que já existia e o transformando em algo único e reluzente.

A versão regular traz dois discos com o que melhor os bardos já compuseram (apesar de que, evidentemente, sempre irá faltar essa ou aquela música que pode ser preferida de um fã). O track list não é em ordem cronológica, mas sim seguindo o padrão da banda: as músicas se encaixando perfeitamente, com coerência e sem deixar a audição cansativa. Já a versão deluxe traz os mesmos dois discos e mais um de bônus, que conta com versões novas das jurássicas demos do Lucifer Heritage, primeiro nome da banda, assim como também versões demos de outras músicas da discografia regular.

Como vocês podem muito bem notar, eu sou um imenso fã da banda, um aficionado talvez, e sendo assim adorei todas as faixas do trabalho e prefiro não apontar essa ou aquela como sendo a melhor. Porém eu digo que gostei muito dos remixes de ‘Nightfall’ e ‘The Last Candle’, a nova versão do hino absoluto e indubitável ‘Valhalla’ (obviamente também contando com o lendário pai do powermetal, Kai Hansen); a emocionante versão orquestral de outro hino incontestável, ‘The Bards Song – In The Forest’ e as regravações de ‘The Bards Song – The Hobbit’ e da espetacular, e a minha favorita de todos os tempos, ‘And Then There Was Silence’.

Espero que quem venha a ler estas linhas não me considere tendencioso, um fã que gosta de qualquer coisa que a banda faça mesmo que fosse ruim. Muito pelo contrário, se este fosse apenas um item para arrancar dinheiro dos admiradores da banda, eu seria o primeiro e falar mal e contestar a validade da ideia. Mas não é o caso, pois esta coletânea é na verdade um legado que esses alemães já quarentões prestam aos seus fiéis fãs, aos de longa data e aos que pegaram o bonde andando, um marco importante na jornada de sua carreira, para ser longamente lembrado e celebrado.

Sendo assim, este é um item obrigatório na coleção de todos os fãs da banda. Não faça feio e garanta já o seu que vale muito a pena.

Parabéns Blind Guardian! E que venham outros vinte e cinco anos de aventuras pela frente!

O Blind Guardian é:
Hansi Kürsch – Vocais
André Olbrich – Guitarras
Marcus Siepen – Guitarra
Frederik Ehmke – Bateria

CD 1

1. Imaginations From The Other Side [Remix 2011]
2. Nightfall [Remix 2011]
3. Ride into Obsession [Remix 2011]
4. Somewhere Far Beyond [Remix 2011]
5. Majesty [Remix 2011]
6. Traveler in Time [Remix 2011]
7. The Last Candle [Remix 2011]

CD 2

1. Sacred Worlds [Original Version]
2. This Will Never End [Remix 2011]
3. Valhalla [2011 Version]
4. Bright Eyes [Remix 2011]
5. Mirror Mirror [Remix 2011]
6. The Bard’s Song (In the Forest) [Orchestral Version]
7. The Bard’s Song (The Hobbit) [Re-recorded]
8. And Then There Was Silence [Re-recorded]


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Sobre Júlio André Gutheil

Nascido em Feliz, interior do Rio Grande do Sul, de origem alemã e com 20 anos de idade. Grande fã de Blind Guardian, Paradise Lost e Opeth, além de outras várias bandas de diversos estilos distintos. Pretende cursar jornalismo e também se dedicar o máximo possível à crônica do mundo Heavy Metal. Escreve no blog www.metalmeltdowndiscos.blogspot.com. Twitter: @jagutheil.

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