Soulfly: Uma mudança brutal em "Enslaved"
Resenha - Enslaved - Soulfly
Por André Bisk
Fonte: Facebook
Postado em 23 de abril de 2012
Criado em 1997, o Soulfly de Max Cavalera é notoriamente uma continuação do que foi feito no álbum que contém sua última participação no Sepultura, "Roots", divisor de águas, e que continham diversas influências, sendo as mais evidentes as da cultura da música brasileira e africanas, além da tribalização dos instrumentos de percussão, que não é exclusividade somente dessas culturas.
A banda, principalmente no seu primeiro disco, auto-intitulado, fez isso muito bem, e somada às várias participações de músicos de diversos estilos, acabaram compondo o que seria a parsonalidade da banda. Porém, a partir de 2005, com o advento da criação e lançamento de "Dark Ages", as coisas começaram a mudar. O Soulfly começa a se aproximar do que o Sepultura fazia nas épocas de "Beneath the Remains" e "Arise", propondo gradualmente uma retomada ao Thrash Metal que consagrou a banda. Anteriormente era complicado até mesmo classificar a banda em algum estilo que não fosse o New Metal.
Ao ouvir "Enslaved" a primeira impressão que se tem é que o ciclo de transformação da banda finalmente se completou. Primeiro porque depois de tantas trocas de formação, Max achou em Mark Rizzo (Guitarrista), membro desde 2004 seu alicerce. E é fato que a entrada de Rizzo melhorou muito o som da banda. Completando, recrutou Tony Campos, baixista/vocalista do Asesino e do Static X e para a bateria, um ex-Borknagar, o excelente David Kinkade. Outra característica que Max abandonou são as letras com frases soltas, o que fazia os fãs pensarem que Max estava entrando em uma descendente como compositor, já que ele faz uso disso a um certo tempo, tanto no Soulfly quanto no Cavalera Conspiracy. Esse álbum trouxe à banda uma nova lufada de ar fresco, com músicas muito técnicas incorporadas a letras bem construídas, ainda baseadas nos temas mais abordados por Max: maniqueísmo, personagens contraditórios, guerras, política.
O quarteto insere em "Enslaved" elementos que não se tinha na musicalidade da banda. "Resistance", a faixa de introdução soa como Soulfly antigo, até o momento que entra os blast beats de Kinkade. Um cartão de visitas perfeito, um soco no estômago. A música seguinte é "World Scum", música de trabalho do álbum com um trabalho fantástico da cozinha da banda, é o primeiro grande destaque. Os backing vocals de Tony Campos junto com o bate-estaca de Kinkade, enriquecem a música, com uma levada quase death/Black. Outro destaque da música é a participação do vocalista do Cattle Decapitation, Travis Ryan.
"Intervention" é bem similar às coisas que a banda fazia antes, parece uma sobra de algum disco anterior, é bem parecida com as coisas do "Dark Ages", mas tem uma pegada de uma das principais influências de Max, o metal arrastado do Celtic Frost. "Gladiator", é um Thrash bem "old School", com um riff matador, outro bom destaque.
Outras músicas que pode-se destacar facilmente são: "Legions", e sua similaridade com a fase mais "mineira" do Sepultura (Schizophrenia e Beneath), "Redemption of man by God", um petardo violento onde Max divide os vocais com Dez Farfara, do Coal Chamber e Devildriver, "Treachery", com um riff rápido e agressivo, "Plata O Plomo", música cantada em português e espanhol, respectivamente por Max e Tony, que lembra as composições antigas do Soulfly, e "Revengeance", uma reunião dos Cavalera, já que Ritchie (enteado de Max) divide vocais, Zyon (filho mais velho) toca bateria nessa música, e Igor (filho mais novo) canta e toca guitarra, e mostram bem que o futuro da família Cavalera na música pesada está devidamente garantido. A música tem um riff forte e poderoso.
A grande realidade é que o Soulfly lançou um disco à altura dos principais lançados pelo Sepultura em seu período, obiviamente o melhor da sua banda atual, e facilmente já pode ser indicado a um dos melhores do ano de 2012. Disco feito na medida certa. Quem tinha dúvidas se Max ainda tinha gás disponível, tai a resposta, em alto e bom som.
"Resistance" — 1:53
"World Scum" (com Travis Ryan de Cattle Decapitation) — 5:19
"Intervention" — 3:55
"Gladiator" — 4:58
"Legions" — 4:18
"American Steel" — 4:14
"Redemption of Man by God" (com Dez Fafara de Coal Chamber e DevilDriver) — 5:15
"Treachery" — 5:49
"Plata O Plomo" — 4:52
"Chains" — 7:18
"Revengeance" (com Richie Cavalera, Zyon e Igor Cavalera) — 5:42
Outras resenhas de Enslaved - Soulfly
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Iron Maiden anuncia reta final da "Run for Your Lives" e confirma que não fará shows em 2027
João Gordo explica o trabalho do Solidariedade Vegan: "Fazemos o que os cristãos deveriam fazer"
Mikael Åkerfeldt (Opeth) não conseguiria nem ser amigo de quem gosta de Offspring
Download Festival anuncia novas atrações e divisão de dias para a edição 2026
Sepultura lança "The Place", primeira balada da carreira, com presença de vocal limpo
Indireta? Fabio Lione fala em "ninho de cobras" e "banda de palhaços" após show do AC/DC
A maior dificuldade de Edu Ardanuy ao tocar Angra e Shaman na homenagem a Andre Matos
AC/DC - um show para os fãs que nunca tiveram chance
Nicko McBrain celebra indicação do Iron Maiden ao Rock and Roll Hall of Fame
"Burning Ambition", a música que dá título ao documentário de 50 anos do Iron Maiden
Loudwire lista 45 nomes que mereciam uma vaga no Rock and Roll Hall of Fame
Por que Joe Perry quase perdeu a amizade com Slash, segundo o próprio
A música do Metallica que James Hetfield achou fraca demais; "Tá maluco? Que porra é essa?"
Bruce Dickinson, do Iron Maiden, já desceu a mamona do Rock and Roll Hall of Fame
Derrick Green explica o significado da nova música do Sepultura

Soulfly: O melhor registro da discografia da banda?

Summer Breeze anuncia mais 33 atrações para a edição 2026
A faixa instrumental do Soulfly que traz influências de Massive Attack e ecos do King Crimson
A música "pouco inspirada" do Soulfly que mistura Jamaica e Paquistão
Os discos do U2 que Max Cavalera considera obras-primas
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal


