CPM 22: Banda acerta ao seguir por novos caminhos musicais

Resenha - Depois de um longo inverno - CPM 22

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Por Sérgio Fernandes
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


O CPM 22, banda formada no final dos anos 90 em Barueri, é um desses grupos que ou você ama ou você odeia. Assim como tem acontecido com a maior parte das bandas de rock nacional surgidas entre esse período, o começo dos anos 2000 e os dias de hoje, existe uma certa dificuldade (por parte de algumas pessoas) em entender que a música deve sempre seguir por novos caminhos, criando novos estilos, ritmos e experiências sonoras. Desde que bandas como os Beatles, Led Zeppelin, Pink Floyd e outros nos mostraram que não podem haver limites para a música, tudo é permitido! Eles, os mestres, nos educaram dessa forma e parece que as pessoas têm se esquecido disso. Não que todos devem gostar de tudo o que ouvem, mas experimentar nunca faz mal a ninguém... Enfim, deixemos essas discussões para uma outra oportunidade e vamos ao que interessa...
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Lançado ao "mainstream" no começo dos anos 2000, o CPM 22 veio da fértil cena underground de São Paulo, onde
fazia grandes shows em casas como o lendário Hangar 110. Foi por causa desses shows que chamou a atenção de
grandes gravadoras e, posteriormente, de Rick Bonadio.

Contrato assinado, lançam seu primeiro registro pela Arsenal em 2001. A partir daí o nome da banda estava em todos
os lugares: shows e mais shows, aparições em todos os programas de TV imagináveis além da presença constante
nas rádios de todo o país. Pode se dizer que a banda é a maior responsável pelo "pipocamento" de vários outros
grupos que seguiram a tendência de utilizar as influências do Hard Core tipicamente californiano dos anos 90 e 80 com
melodias mais pops e acessíveis.

Depois de 6 CD's oficiais (sendo um ao vivo) lançados pela gravadora de Rick Bonadio, o CPM 22 passou por uma
grande reformulação, quebrando o contrato com a Arsenal e perdendo o guitarrista e backing vocal Wally no ano de 2009. Assim sendo, partiram para a independência e lançaram em 2011 o álbum "Depois de um longo inverno".

Como um quarteto, Badauí (vocal), Luciano (guitarra e vocal), Fernando (baixo) e Japinha (bateria) preferiram seguir por novos caminhos e experimentações. Logo na primeira faixa do CD, a ótima "Abominável" vemos que é o CPM de sempre, mas totalmente diferente... Mesmo mantendo os refrões pegajosos e melodias agradáveis, a banda investe em uma sonoridade totalmente influenciada por bandas como Rancid, Mighty Mighty Bosstoness, Goldfinger e Reel Big Fish além, claro, do glorioso The Clash, ao fundirem a simplicidade e urgência do punk rock (com boas doses de Hard Core) ao ska (ritmo jamaicano que deu origem ao reggae).

"Vamos vencer", primeiro single do trabalho, já apontava para esse novo direcionamento, que segue por todo o álbum: naipes de metal muitíssimo bem encaixados, baixo sempre marcante e guitarras simples mas carismáticas dão o tom para o vocal tipicamente paulistano de Badauí (pra quem diz que paulistano não tem sotaque, ouça Badauí cantando...).

Durante todo o álbum a banda acerta totalmente nessa mistura que, para alguns, pode soar inusitada e nos entregam músicas muito inspiradas e com letras bem diretas: "Cavaleiro metal" parece ser um recado para o ex-guitarrista da banda, Wally, que saiu em meio a brigas e processos e ja citada "Abominável" nos remete a Rick Bonadio. Apesar de serem meras suposições, fica difícil acreditar que eles estejam se referindo a outras pessoas nessas canções...

Um belo trabalho do grupo, sendo que todas as músicas merecem reconhecimentos: desde a rápida "Quem sou eu?", as agradáveis "Minoria" (linda intervenção de violoncelo!), "Março de 76", "Filme que eu nunca vi" e "CPM 22" (um agradecimento aos fãs de longa data), até às "skazeras" "Sofridos e excluídos", "Cavaleiro Metal" e "Vida ou morte", passando pela "clashiana" "Minoria", o CD se mantém constante se torna cada vez mais divertido e agradável de se escutar. Todos os méritos, também, para Fernando Sanchez que assina a produção do trabalho junto de Luciano Gomes (respectivamente baixista e guitarrista da banda).

Se você gosta de Hard Core com boas doses de punk setentista e ska, compre e ouça sem medo. Se você não conhece nenhum desses estilos, ou mesmo a junção destes, ouça e tire suas próprias conclusões. Se você nunca gostou do CPM 22, ouça e veja se ainda tem a mesma opinião sobre a banda. E se você tem alguma reclamação, é só deixar recados ali embaixo ...

CPM 22 - Depois de um longo inverno (2011)

1. "Abominável" 2:57
2. "Vida ou Morte" 2:52
3. "Filme Que Eu Nunca Vi" 2:58
4. "Hospital do Sofredor" 2:59
5. "Cavaleiro Metal" 3:38
6. "Quem Sou Eu?!" 3:04
7. "Na Medida Certa" 3:37
8. "Um Pouco de Paciência" 3:11
9. "Sofridos e Excluídos" 2:52
10. "Nova Ordem" 2:01
11. "CPM 22" 3:25
12. "Minoria" 2:41
13. "Março 76" 7:20

Nota: na faixa "Março 76" está escondida uma faixa de 2:43 conhecida como "10 Mil Vozes"

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Sobre Sérgio Fernandes

Paulistano desde abril de 1988, Sérgio Fernandes é baterista da banda CARAPUÇA (www.youtube.com/tvcarapuca), diretor de imagem e produtor multimídia do portal Terra e formado em Rádio e TV pela UNISA em São Paulo no ano de 2009. Ouve rock desde pequeno por influência de seus pais. Entre suas bandas preferidas estão Sepultura, Rolling Stones, Rancid, Muse, Fresno, Slayer e qualquer outra que toque algo que lhe agradar os ouvidos, nunca se fechando a gêneros e estilo, mantendo a mente aberta a novas experiências sonoras. E-mail para críticas e sugestões: sergio_ong@hotmail.com.

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