Poets Of The Fall: retornando com "Revolution Roulette"
Resenha - Twilight Theater - Poets Of The Fall
Por Ricardo Pagliaro Thomaz
Postado em 07 de abril de 2010
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Existem bandas que conseguem nos encantar. E são justamente aquelas pelas quais as pessoas não dariam nada. É o caso do POETS OF THE FALL. Sem nem mesmo ter conseguido lançar um disco em terras tupiniquins (obrigado por nada, gravadoras!) o Poets já é um dos grupos de maior destaque musical para muita gente, aproximadamente perto de 1190 brasileiros que sempre aguardam ansiosamente o lançamento de um novo álbum do trio, isso se contarmos somente o número de membros da comunidade brasileira da banda no Orkut. Já são mais de 50 comunidades no famoso serviço da Google desde 2005 e mais inúmeros admiradores do grupo ao redor do mundo.

Em 2004, o POETS OF THE FALL capturou a atenção de todos com seu hit single "Late Goodbye", música tema do excelente game Max Payne 2. Ao término do game toca a música que alavanca a carreira do trio Mark, Ollie e Captain. Em 2005, a música é incluída no disco de estréia do grupo, "Signs of Life". Em 2006, o grupo se consolida com o grande sucesso de público e crítica "Carnival of Rust", considerado por muitos como o melhor álbum do grupo, ganhando muitos prêmios e também tendo o clipe da música honrado como melhor clipe do ano e o trio como a melhor novidade dessa década. Em 2008 o POTF retorna em cena com o álbum "Revolution Roulette", seguido novamente de uma extensa turnê.
E com isso nos encontramos novamente às voltas com o quarto álbum de estúdio do trio finlandês, entitulado "Twilight Theater", título que, Graças a Deus, nada tem a ver com o descartável fenômeno teen Crepúsculo (Twilight). E se dissermos que o primeiro álbum foi um trabalho mais voltado ao pop rock, o segundo um álbum mais artístico, mas ainda mantendo a veia pop rock e o terceiro, um álbum mais pesado, bem temperado com estilos alternativos e hard rock, podemos dizer que o quarto álbum do trio volta a ser de cunho mais artístico, mas é um álbum mais soft pop rock.
E é bom que se diga, o pop rock que a banda desenvolve é de muitíssima qualidade, não é qualquer álbum pop não senhor! O POTF ignora totalmente os estilos mais populescos da atualidade (hip-hop, pop duvidoso, etc) e nos traz um som calcado em belíssimas melodias e arranjos com composições originais e vibrantes e letras ultra-poéticas. São trabalhos que podem tranqüilamente serem ouvidos por quem gosta de boa música, seja qual for o estilo.
Dito isso, façamos uma análise das faixas: de cara temos o single, "Dreaming Wide Awake" que assustou muita gente que pensava que o grupo estava tomando uma direção comercial demais, mas a música é somente a famosa música da rádio, vibrante e direta. Boa música se a aceitarmos pelo que ela é, o famoso arroz-com-feijão. Ótima para se tocar ao vivo. O grupo salvou suas energias para nos apresentar o material realmente interessante do álbum.
"War" é uma música épica com leves incursões ao rock progressivo (!!!) e belíssimas melodias, uma das mais interessantes do álbum, se destacando das demais. A letra é um contraste entre guerra e amor, feito com maestria e teor poético. "Change" é uma belíssima composição que se inspira na música folk com belos arranjos e melodias. Lembra algo próximo de Blackmore's Night. "15 Min Flame" tem uma melodia épica e muito bem construída lembrando ligeiramente algo próximo de Radiohead, pois é melancólica e ao mesmo tempo grandiosa. A letra é uma alusão ao desejo de qualquer pessoa pelos seus 15 minutos de fama, ou seja, satisfação instantânea porém temporária, quando apenas algo simples da vida como o amor pode libertar.
"Given and Denied" é uma belíssima soft ballad no melhor estilo das grandes canções do gênero. Especialidade do Poets, este é um dos grandes destaques do disco, com passagens de tirar o fôlego e clima grandioso e poético; a letra tenta dar ao ouvinte a sensação de estar apreciando uma bela pintura em que podemos ver, numa mesma tela, elementos surrealistas, desilusão, nostalgia e destino embriagados em uma bela melodia de outono. "Rewind" é uma balada tradicional com melodias boas, na minha opinião, musicalmente uma filler, mas tem seus encantos. O refrão é bem pegajoso.
"Dying to Live" é um excelente pop rock funkeado com muito ritmo, vibrante, dançante e apaixonante. O ritmo remete a uma "Everything Fades" (do primeiro álbum) melhorada, com uma pegada ótima e melodias muito bem colocadas. Dá para dançar muito, por horas à fio! "You're Still Here" é a música acústica do álbum, como já é de tradição para a própria banda ter uma música acústica em todos os seus lançamentos. Um folk melodioso similar ao som do Moody Blues e de fácil assimilação; outro título possível seria The Four Seasons. Basicamente são as sensações associadas às quatro estações do ano, fazendo com que o círculo se complete e a história assim continue num loop infinito. Um toque de pura classe!
Por fim, temos as duas últimas do álbum. "Smoke and Mirrors" é a música que mais se nota a veia alterna do grupo, algo próximo de um Pearl Jam com mais melodia, e o ponto especial da música é sua letra criticando a superficialidade com que as coisas são encaradas por todos nos dias de hoje, citando até o YouTube como possível causa dessa superficialidade. E como já é de tradição, o grupo fecha o álbum com sua faixa melancólica ao piano, "Heal My Wounds", uma música climática e como sempre belíssima, com maravilhosas linhas instrumentais.
Com esse resultado alcançado, o POTF acerta a mão novamente lançando um álbum acima da média e com isso encantando novamente seus inúmeros fãs. Nós, fãs brasileiros, como sempre, fazemos uma fezinha para o disco cair na Internet ou se pudermos, juntarmos dinheiro para comprar a versão importada, comercializada na própria loja da banda em seu website, claro, sempre torcendo pelo tão sonhado lançamento do catálogo da banda aqui em terras tupiniquins.
Mas como sabemos como o mercado musical brasileiro funciona hoje em dia (não visando a boa música, naturalmente) não é preciso nem ficar falando muito sobre tamanho descaso, apenas lamentarmos e torcermos para que algum dia o mercado resolva lançá-los aqui, de preferência antes de 2012.
Twilight Theater (2010)
(Poets of the Fall)
Tracklist:
01. Dreaming Wide Awake
02. War
03. Change
04. 15 Min Flame
05. Given and Denied
06. Rewind
07. Dying to Live
08. You're Still Here
09. Smoke and Mirrors
10. Heal My Wounds
Selo finlandês: Insomniac, Playground
Discografia anterior:
-Revolution Roulette (2008)
-Carnival of Rust (2006)
-Signs of Life (2005)
Site oficial: http://www.poetsofthefall.com
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Summer Breeze anuncia mais 33 atrações para a edição 2026
A opinião de Sylvinho Blau Blau sobre Paulo Ricardo: "Quando olha para mim, ele pensa…"
Por que Max Cavalera andar de limousine e Sepultura de van não incomodou Andreas Kisser
O disco que define o metal, na opinião de Ice-T
Quando Ian Anderson citou Yngwie Malmsteen como exemplo de como não se deve ser na vida
O disco "odiado por 99,999% dos roquistas do metal" que Regis Tadeu adora
A banda essencial de progressivo que é ignorada pelos fãs, segundo Steve Hackett
O astro que James Hetfield responsabilizou pelo pior show da história do Metallica
Os dois membros do Sepultura que estarão presentes no novo álbum de Bruce Dickinson
O álbum que Regis Tadeu considera forte candidato a um dos melhores de 2026
O subgênero essencial do rock que Phil Collins rejeita: "nunca gostei dessa música"
O maior cantor de todos os tempos, segundo o saudoso Chris Cornell
Para Ice-T, discos do Slayer despertam vontade de agredir as pessoas
Box-set compila a história completa do Heaven and Hell
O cantor que Bob Dylan chamou de "o maior dos maiores"
"Mamãe eu não queria" de Raul Seixas e a oposição irônica ao exército
Capital Inicial: cinco músicas que foram escritas por Pit Passarell, do Viper
Escritor publica foto da mulher que inspirou "Whole Lotta Rosie", clássico do AC/DC


CPM 22: "Suor e Sacrifício", o álbum mais Hardcore da banda
O fim de uma era? Insanidade e fogo nos olhos no último disparo do Megadeth
Alter Bridge, um novo recomeço no novo álbum autointitulado
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal



