Ayreon: Arjen Lucassen mais uma vez acertou em cheio

Resenha - 01011001 - Ayreon

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Por Renato Nery Domingues, Fonte: Heavyews - The Heavyworld Reviews
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Os fãns do gênero “sci-fi” terão com certeza mais um grande motivo para se orgulharem de Arjen Anthony Lucassen, que mais uma vez acertou em cheio em suas escolhas e em janeiro deste ano lançou um dos mais completos álbuns de seu já famigerado projeto Ayreon. “01011001” é o nome desta obra prima (Uma codificação binária para o número 89, que por sua vez representa a letra Y em código ASCII) que consegue juntar uma grande porção de História com uma grande porção de musicalidade e misturá-las na quantia certa. O resultado desta receita pra ninguém botar defeito, você confere agora.
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Como já era de se esperar de Arjen Lucassen, seu novo duplo conta com a participação de verdadeiras feras da cena atual. No que diz respeito aos vocalistas, alguns já conhecidos de participações anteriores no próprio Ayreon como Anneke van Giersbergen e Simone Simons (Epica) e outros que já estão no mercado há tempos, mas chegam fresquinhos para o projeto como Daniel Gildenlöw (Pain of Salvation), Tom S. Englund (Evergrey), Jorn Lande e muitos outros. Para somar à competência desses incríveis vocalistas, Arjen conta com um time de instrumentistas tão fabuloso quanto, e nesses estão inclusos Michael Romeo (Symphony X), Derek Sherinian (Planet X, ex-Dream Theater) e o já amigo de longa data Joost van den Broek (After Forever), sendo assim, impossível deixar de imaginar que a presença dos teclados se faz completa, e é acompanhada pelas melodias e harmonias viciantes provenientes das guitarras

Passando das informações técnicas sobre o álbum, vamos às considerações práticas e explicações.

O duplo é dividido de maneira a separar os Forever (Misteriosos seres extragalácticos que têm mais ligação conosco e com a criação de toda a vida e do universo do que podemos imaginar) e os Humanos. Sugestivamente, deu-se ao primeiro CD o nome de “Y” (nome do planeta de origem dos Forever) e ao segundo CD o nome de “Earth”. O time de vocalistas foi dividido entre essas duas raças, mas isso não quer dizer que seriam separados pelos CDs. Como dito antes, a ligação entre os Humanos e os Forever na história criada por Arjen, é muito maior do que podemos prever.

[Y]

A abertura do álbum fica por conta da auto-explicativa “Age of Shadows“, que nos revela de cara a retomada dos padrões de ficção científica que sempre existiram no Ayreon, mas que foram deixados em segundo plano no álbum imediatamente anterior, The Human Equation (o que não quer dizer que não tenha sido fascinante) e junto a isso traz o peso e a idéia central desta etapa do álbum: As coisas foram longe demais, até mesmo para os Forever, e parece chegada a hora de pagar o preço de sua imortalidade, conhecimento e desenvolvimento desenfreado. Com a base sólida deixada pela abertura, “Comatose” vem confirmando as expectativas da falta de esperança para o povo de “Y” e toda essa melancolia vem agravada na voz de Jorn Lande. Arrastados por isso, na progressiva “Liquid Eternity” chegamos à situação atual na qual se encontra o mundo dos Forever e seus habitantes, onde as premissas negativas foram confirmadas. Aqui o destaque fica por conta da participação em massa dos vocalistas, sete ao todo, com uma interpretação vocal fascinante e assustadora.

Seguindo adiante no tempo, “Connect the Dots” nos leva ao planeta Terra nos dias de hoje, e estabelecendo um paralelo entre “Y” e a Terra, percebe-se, sem muita dificuldade, que os humanos seguem o mesmo rumo de seus criadores, com sua busca incansável e frenética por conhecimento e desenvolvimento. De volta a terra natal dos Forever na calma “Beneath the Waves“, o passado próspero deles é retomado através das lembranças e lamentações sobre tudo que foi perdido. Aqui o destaque fica por conta da apaixonante voz de Anneke van Giersbergen e da incrível melodia da música. Talvez por um único momento, a esperança retorna ao álbum e em “New Born Race” os Forever resolvem depositá-la naquela que seria, talvez, a mais ousada das experiências, e o resultado: a propriamente dita nova raça. A humanidade. Alguém falou em pedir ajuda? Não. Aqui são debatidos os direitos que os criadores teriam sobre as vidas de suas criações e se seria certo tomar-lhes a vida para salvar as suas próprias. Pegando carona nessa experiência, “Ride the Comet” traz a explicação do invento da humanidade e com uma sonoridade épica e progressiva.

Encerrando a primeira parte do duplo, “Web of Lies” pode até ser considerada a mais fraca das músicas, a menos progressiva, mas traz em cinco simples estrofes a informação de que, na humanidade, ainda é forte aquilo que os Forever perderam há muito tempo: Seus sentimentos e emoções. Essa interpretação fica por conta de Simone Simons e Phideaux Xavier, que demonstram uma paixão surgida em relacionamentos por internet, e a facilidade com que os sentimentos mudam e se transformam na raça humana.

[Earth]

A segunda parte do duplo se inicia com a impressionante “The Earth Extinction”, mais um show de interpretação vocal somada à melodia que se encaixa perfeitamente com a história. Uma daquelas músicas que se ouve no “repeat” sem parar. Decididos de que usar a humanidade seria sua única forma de salvação, os Forever iniciam uma espécie de anexação à nossa raça, se estabelecendo como uma presença invisível incorporada à mente de toda a humanidade. Através dessa anexação, os Forever passam a ter novamente contato direto com as emoções humanas, e sem se conter, passam a influenciar nas nossas ações, sendo responsáveis por uma súbita explosão de conhecimento e desenvolvimento entre os nossos. Essa interferência é descrita em “Waking Dreams“. “The Truth Is In Here” nos dá indícios de que a intervenção dos Forever não passa despercebida, porém quem poderia acreditar em algo assim?…

Na sequência, “Unatural Selection” vem pra marcar o “01011001” como um legítimo álbum de Arjen Lucassen. A música ainda se destaca pelas referências feitas por Arjen, que remetem alarmantemente a acontecimentos e registros do mundo real. Neste ponto, o extraordinário avanço no desenvolvimento e conhecimento da tecnologia e sociedade sobrecarrega a “máquina humana” e cometendo o mesmo erro pela segunda vez, os Forever levam a raça humana ao mesmo destino da sua. Numa tentativa desesperada de impedir a definitiva queda dos seres humanos, em “River of Time” nos é concedido o conhecimento e a capacidade de interferir na linha do tempo através do projeto “The Final Experiment” (referência ao primeiro álbum da saga.). Os avisos sobre o apocalipse humano são transmitidos ao passado em “E=MC2“, na esperança de uma mudança de comportamento que pudesse salvar a nossa existência. Mas nada muda, e os humanos são levados ao colapso. Aqui, Arjen ainda deixa uma mensagem a seus ouvintes, transportando para nosso mundo a possibilidade de ocorrer aqui, o que ocorre em sua história, e nos diz que o resultado dessa ultima experiência, está em nossas mãos.

Encerrando esta obra prima de Arjen, a magnífica “The Sixth Extinction” culmina com o fim de tudo, porém nos deixa uma esperança. A alma conhecida como “Migrator” (Referência ao álbum “The Universal Migrator “) retorna com os Forever por algum motivo ainda não conhecido de fato, e agora tudo depende dessa nova etapa da história do universo.

Sem dúvidas um dos melhores lançamentos da saga de Ayreon, que traz uma avalanche de explicações sem de fato terminar a história, nos deixando com um gostinho de “quero mais” e na expectativa para o próximo lançamento.

VOCALISTAS

Forevers

Hansi Kürshc (Blind Guardian)
Daniel Gildenlöw (pain of Salvation)
Tom S. Englund (Evergrey)
Jonas Renske (Katatonia)
Jorn Lande
Aneeke Van Giersbergen (Agua de Annique)
Steve Lee (Gotthard)
Bob Catley (Magnum)
Floor Jansen (After Forever)
Magali Luyten (Virus IV)

Humanos

Simone Simons (Epica)
Phideaux Xavier (Phideaux)
Wudstik
Marjan Welman (Elister)
Kisekitte Hegt (Dial)
Arjen Lucassen
Ty Tabor (King’s X)

INSTRUMENTISTAS

Arjen Lucassen - Guitarra, Teclados, sintetizadores, Baixo, programação.
Ed Warby (Gorefest) - Bateria
Lori Linstruth - Guitarra Solo
Michael Romeo (Symphony X) - Guitarra Solo
Derek Sherinian (Planet X,ex- Dream Theater) - Teclado Solo
Tomas Bodin (The Flower Kings) - Teclado Solo
Joost van den Broek (After Forever) - Teclado solo e piano
Jeroen Goossens (Flairck) - Flautas
Ben Mathot (Dis) - Violino
David Faber - Cello

TRACKLIST

Disco 1 – Y
1. Age of Shadows
incl. We Are Forever
2. Comatose
3. Liquid Eternity
4. Connect the Dots
5. Beneath the Waves
(a) Beneath the Waves
(b) Face the Facts
(c) But a Memory...
(d) World Without Walls
(e) Reality Bleeds
6. Newborn Race
(a) The Incentive
(b) The Vision
(c) The Procedure
(d) Another Life
(e) Newborn Race
(f) The Conclusion
7. Ride the Comet
8. Web of Lies

Disco 2 - EARTH
1. The Fifth Extinction
(a) Glimmer of Hope
(b) World of Tomorrow Dreams
(c) Collision Course
(d) From the Ashes
(e) Glimmer of Hope (reprise)
2. Waking Dreams
3. The Truth Is In Here
4. Unnatural Selection
5. River of Time
6. E=MC2
7. The Sixth Extinction 12:18
(a) Echoes on the Wind
(b) Radioactive Grave
(c) 2085
(d) To the Planet of Red
(e) Spirit on the Wind
(f) Complete the Circle

Para maiores informações, visitem Ayreon.com.

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