Viper: renovado e pronto para encarar o futuro
Resenha - All My Life - Viper
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 18 de janeiro de 2008
Nota: 8 ![]()
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Onze anos depois, finalmente os veteranos do Viper lançam material inédito por aqui. Em "All My Life", esqueça a sonoridade punk rock suja de "Coma Rage" ou mesmo as confluências pop em português de "Tem Pra Todo Mundo". Este Viper, capitaneado pelos membros originais Pit Passarell [baixo] e Felipe Machado [guitarra], comanda uma bem-vinda volta ao passado, estabelecendo seu som como uma espécie de sucessão natural do clássico "Theatre of Fate", de 1989 – mas com traços da crueza herdada do primeiríssimo "Soldiers of Sunrise", metal básico e tradicional da melhor qualidade, diretamente da escola Iron Maiden de música. Junte a este caldo as influências hard rock trazidas pelo novo vocalista Ricardo Bocci e – bingo! Eis um Viper renovado e pronto para encarar o futuro.

A principal prova de que o Viper foi buscar o peso de tempos passados para, ironicamente, injetar vida nova numa banda que sempre foi referência do gênero no Brasil pode ser ouvida em "Do It All Again" e "Dreamer" [na qual se sente um quê de metal melódico, admito], duas pauladas clássicas com um venerável duo de guitarras para bater cabeça com estilo. Ou, quem sabe na cadenciada "Cross the Line", que usa até uma afinação mais baixa de guitarra e abusa das palhetadas, lembrando até uma certa banda chamada Metallica. Ou mesmo na faixa-título, que abre a bolacha em alta velocidade e sem frescuras, para headbanger nenhum botar defeito.
Quem ainda duvidava da capacidade do gogó de Bocci para substituir o "lendário" vocalista original Andre Matos, vai ter que engolir em seco. Se durante o festival Rock The Planet [com Edguy, Shaman e Kotipelto] o cara já tinha surpreendido a platéia, aqui ele parece estar ainda mais seguro, longe do nervosismo do clima de estréia, e solta a voz como se já fosse o frontman da banda há anos. Egresso da banda de hard rock Rei Lagarto, suas referências do hard mais tradicional parecem permear e influenciar os colegas de grupo – basta ver tudo que é possível identificar salpicado em "Miles Away" e seu refrão para repetir por dias a fio. "Come on Come on", highlight disparado do álbum, ecoa aquele bom hardão setentista do Deep Purple e côngeneres.
Em "Love Is All", ele ainda encara o desafio de se engajar em uma espécie de duelo vocal com o próprio Matos, em participação especial, e no qual mal dá para se perceber quem é quem – afinal, Bocci tem talento de sobra e está lutando para marcar seu próprio estilo e fugindo das inevitáveis comparações, mas ele é nitidamente um aluno da escola Matos de se cantar heavy metal. E que isso não seja entendido como um defeito, vale ressaltar. É nítido, em cada parte de "All My Life", que a presença de Bocci fez muito bem a este grupo, trazendo uma vívida e palpável renovação.
Por falar em antigos integrantes, a belíssima balada "Violet" traz um solo do guitarrista Yves Passarel, irmão de Pit, ex-integrante do Viper e atual membro da formação do Capital Inicial. Em se tratando de baladas, que tal experimentar ainda "Not That Easy", uma power ballad emotiva e que tem tudo para se tornar um dos pontos mais altos das vindouras apresentações ao vivo dos caras?
Se "All My Life" é, como eu mesmo escrevi no início deste texto, "uma bem-vinda volta ao passado", as presenças de Yves e Andre só corroboram o clima de "tudo em família". Um retorno altamente promissor, que merece ser conferido - especialmente ao vivo. O Viper está vivo. Longa vida ao Viper!
Curiosidades:
O guitarrista Felipe Machado é jornalista do Grupo Estado (Estadão/Jornal da Tarde) e mantém um divertido blog chamado Palavra de Homem. Neste espaço, ele contou algumas curiosidades interessantes a respeito de "All My Life":
- A música "Come on Come on", sua única composição no álbum, é inspirada no conto "The Outsider", do H.P. Lovecraft. Em um dos riffs, Felipe toca a melodia de "Pharao’s Dance", canção do magistral jazzista Miles Davis.
- "Not That Easy" foi gravada em português em uma "banda-projeto" que Pit e Felipe tiveram, chamada Metanol. O nome da canção era "Última Festa".
- No solo principal de "Love Is All", Felipe encaixou o riff de "'Love Supreme Part 2: Resolution", do também mestre do jazz John Coltrane.
Line-Up:
Ricardo Bocci — Vocal
Felipe Machado — Guitarra
Val Santos — Guitarra
Pit Passarell — Baixo
Renato Graccia — Bateria
Tracklist:
1. All My Life
2. Come On Come On
3. Miles Away
4. Not That Easy
5. Love Is All
6. Cross The Line
7. Do It All Again
8. Violet
9. Dreamer
10. Soldier Boy
11. Rising Sun
12. Miracle
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