Resenha - Fly - Blind Guardian

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Por Ricardo Seelig
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Nota: 6

Enquanto milhares de fãs aguardam ansiosos o lançamento de "A Twist In The Myth", provável título do novo trabalho do Blind Guardian, o single de "Fly" sacia um pouco a curiosidade e antecipa uma prévia do que vem por aí.

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Lançado no último dia 24 de fevereiro em toda a Europa, o single conta com três músicas, sendo que apenas duas farão parte do álbum. "Fly", apesar de apresentar um andamento um pouco diferente em seu início e em algumas passagens durante a sua duração, não foge muito da linha adotada pelo grupo nos seus três últimos álbuns, "Imaginations From The Other Side", "Nightfall On Middle-Earth" e "A Night At The Opera".

Com o peso habitual e arranjos vocais elaborados (que já são uma tradição da banda), é uma típica canção do Blind Guardian, mas nada além disso. Os fãs do grupo se acostumaram, no decorrer dos anos, a ver as suas expectativas serem superadas com folga, e por isso mesmo a audição de "Fly" decepciona um pouco. A canção abusa de fórmulas que, apesar de originais e de qualidade indiscutível, já foram exploradas à exaustão pelo Blind Guardian nos seus últimos álbuns. A sensação de estar andando em círculos é inevitável.

No que se refere à performance dos integrantes a banda mantém a excelência habitual, com os vocais de Hansi Kursh sendo o grande destaque. Quem acompanha a carreira do grupo sabe o quanto o antes baixista e vocalista do grupo evoluiu ao longo dos anos, e aqui esta evolução continua. A alternância de timbres mais agressivos com vozes mais limpas alcança um resultado majestoso, e abre ótimas perspectivas para o novo álbum. As guitarras de André Olbrich e Marcus Siepen demonstram o tradicional entrosamento, e o recém-chegado baterista Frederick Ehmke, se não impressiona em sua performance como Thomen Stauch, ao menos não compromete.

Dando sequência ao single temos uma versão acústica da faixa "Skalds And Shadows". Esta canção deverá fazer parte do novo álbum, mas com outra versão. A que consta no single tem um clima medieval bem na linha de "Lord Of The Rings", "A Past And Future Secret" e outras baladas do grupo. Com um arranjo onde violões, flautas a harmonias vocais belíssimas se complementam, é um bálsamo para os ouvidos.

Fechando o CD, o Blind Guardian gravou uma versão para "In-A-Gadda-Da-Vida", clássico do Iron Butterfly, já coverizado anteriormente pelo Slayer para a trilha do filme "Less Than Zero". A versão dos alemães é correta, com o grupo adicionando, além de generosas doses de peso, pequenas alterações no arranjo que tornam a faixa ainda mais atrativa. Os vocais, ora berrados por Hansi ora em coros, aliados aos discretos teclados que complementam a sonoridade, enriquecem o resultado final. Uma lição que deveria ser seguida por Hansi e Jon Schaffer no Demons & Wizards, que em seu último álbum, "Touched By The Crimson King", apresentou uma releitura decepcionante para "Immigrant Song", clássico do Led Zeppelin.

No geral "Fly" é um single apenas mediano, onde os principais destaques acabam sendo os b-sides e não a faixa principal. Levando-se em conta que o lançamento de um single serve justamente para promover determinada música de um álbum, isso deixa uma pulga atrás da orelha.

Se o quesito de avaliação levasse em conta apenas as faixas complementares, a nota que eu daria a este single seria maior. Mas como não é o caso, o resultado final acaba sendo decepcionante.

Faixas:
1. Fly
2. Skalds And Shadows (Acoustic Version)
3. In-A-Gadda-Da-Vida




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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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