Resenha - Reborn - Stryper

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Por Maurício Gomes Angelo
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Nota: 4


O retorno do Stryper foi, incomparavelmente, o momento mais esperado de toda a história do metal cristão. Desde 1992, quando deram fim aos trabalhos, houve uma tremenda comoção por sua volta. Ressurgiram firmemente apenas no ano passado (após algumas exposições dedicadas a eles na Costa Rica e trabalhos solos dos integrantes) quando lançaram uma coletânea, fizeram uma turnê, e, fruto desta, um bom álbum ao vivo, recheado de clássicos. Até aí ninguém sabia se tal turnê significava uma volta efetiva ou não, mas eis que anunciaram que entrariam em estúdio para gravar um novo trabalho. Fez-se o milagre.

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Um minuto de silêncio, por favor.

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Pedi este tempo em respeito ao falecimento de uma das melhores bandas de hard/heavy da história.

Tim Gaines, controverso baixista da formação original, acabou saindo da empreitada, não sei se por "problemas pessoais" que sempre teve ou por não querer assinar embaixo "disto aqui". O novo integrante, Tracy Ferrie, não faz diferença nenhuma.

Honestamente, eu já esperava que o Stryper virasse o U2, o Bon Jovi pop de ultimamente, o Def Leppard de "X" ou o Petra mais ameno. Ainda assim, meu inconsciente almejava, estupidamente, que a coisa não desandasse tanto assim e Oz Fox e Robert Sweet conseguissem intervir um pouco nos planos de Michael, trazendo algo mais pesado. Não perdi as esperanças nem quando ouvi alguns excertos da faixa título, liberado meses antes. De qualquer forma, é impossível não se decepcionar. É impossível não dizer que este é o pior álbum do Stryper e que "Reborn" é uma vergonha sem precedentes.

Quem acompanhou a carreira solo de Michael Sweet, com quatro álbuns lançados, se não me engano, tinha uma bela noção do que viria pela frente: arranjos suaves, melodias saturadas de elementos eletrônicos, riffs e solos duvidosos, enfim, um pop-rock moderninho. "Reborn" se assemelha muito a "Truth", álbum que o vocalista lançou em 2001. Não vou negar que, como pop, o que Michael faz é muito bom. Já no Stryper...

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"Open Your Eyes" e "Reborn", as primeiras, tem lá os seus momentos - os refrãos, em especial - mas a experiência é tão broxante (desculpem, mas a palavra é esta mesmo) que não há como aproveitá-las.

"Live Again", a mais pesada, revela um Michael Sweet desconfortável com seu passado, entregando uma linha vocal que fica bem aquém do estilo que a música pede.
"Rain", sim, é uma boa balada, quase uma power-ballad, num grande momento de Sweet, com uma estrutura bem semelhante a de "Passion".

"Make You Mine" é quase perdoável, mas "If I Die", "Wait For You" e "10.000 Years" não.

Das novas, a única que se salva sem objeções é "When Did I See You Cry", quase, quase um hard-pop lado b de seus antigos trabalhos, ótimo refrão e trabalho de vozes.

A última faixa é uma regravação de "In God We Trust", do álbum de mesmo nome, e esta é uma das músicas mais coverizadas do metal cristão. Embora eu, a esta altura, esperasse um autêntico musicídio, não é o que acontece. Ainda com alguns ruídos esquisitos e desnecessários de fundo, eles alteraram a original de forma agradável e tornaram interessante a mudança, sendo que, advinhem, "I.G.W.T" é a melhor do álbum, por mostrar a velha competência do quarteto, e a inspiração que outrora tiveram em riffs, solos e harmonias.

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"Reborn" é um álbum tremendamente sem graça, demasiado limpo, demasiado feliz, soporífero, sem impacto, sem nenhum clássico. E é incrível constatar como o Stryper vai na contramão da música, dos fãs, da crítica, do mercado. Todos os últimos trabalhos das bandas citadas no início deste review como semelhantes a isto aqui (falta o Def Leppard tomar vergonha na cara), foram a tão falada "volta às raízes", álbuns mais pesados que seus antecessores, resgatando elementos clássicos que tornaram tais bandas grandes, transpostos para a atualidade com competência. Mas os ex-Roxx Regime fazem questão de involuir.

O pior é que "Reborn" mostra que Michael Sweet continua cantando horrores, que o tempo não afetou em nada sua performance, e até melhorou alguns pontos, que Oz Fox toca muito e Robert Sweet é muito bom na bateria, ou seja, eles tinham tudo para fazer um álbum igual ou superior a seus clássicos, sobra competência, sobra técnica e, tenho certeza, sobra gabarito para composições marcantes (algumas partes destes 40 minutos de música sugerem isto).

A coisa fica ainda mais dolorosa se você voltar no tempo e ouvir o último álbum de estúdio deles, o "Against The Law", o mais pesado, e talvez, o melhor que já fizeram. Pegue as três últimas dessa bolacha, "Caught In The Middle", "All For One" e "Rock The Hell Out Of You", uma das seqüências mais arrasadoras que já ouvi em trabalhos de hard/heavy. Pronto, vais entender perfeitamente o tamanho da decepção. Claro, não adianta, nenhum fã em seus devaneios mais doentios esperava algo deste calibre, 14 anos fazem muita diferença, tanto para melhor quanto pra pior. E neste caso, certamente para a segunda opção.

Dei nota 4, 1 pela capa (bacana), 1 por "When Did I See You Cry" e "I.G.W.T", 1 por algumas idéias valorosas contidas aqui, como alguns ótimos refrãos e toques de que poderiam render bem mais, e 1 pela história. Tenho medo de afirmar que o Stryper acabou, e que seu passado glorioso só vai resistir em nossas memórias. Seu futuro é algo a ser, no máximo, observado com desconfiança. Isso se resistirem a este fiasco, é claro.

Formação:
Michael Sweet (Vocal/Guitarra)
Oz Fox (Guitarra)
Tracy Ferrie (Baixo)
Robert Sweet (Bateria)

Site Oficial: www.stryper.com




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Sobre Maurício Gomes Angelo

Jornalista. Escreve sobre cultura pop (e não pop), política, economia, literatura e artigos em várias áreas desde 2003. Fundador da Revista Movin' Up (www.revistamovinup.com) e da revrbr (www.revrbr.com), agência de comunicação digital. Começou a escrever para o Whiplash! em 2004 e passou também pela revista Roadie Crew.

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