Resenha - Operation: MindCrime - Queensryche
Por Fábio Trovão
Postado em 29 de março de 2000
Quais são os fatores que fazem um álbum de heavy rock ser ótimo? Guitarras pesadas, entrosadas e com solos virtuosos. Vocais poderosos e backing vocals emocionantes. Baixo pulsante, adicionando peso às músicas. Bateria vibrante e complexa. E claro, uma produção excelente. E se além disso, esse álbum for conceitual contando uma estória de tirar o folêgo? Aí nós temos uma obra-prima chamada Operation: MindCrime.
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Operation foi o quarto álbum da banda Queensryche. Banda que até então era considerada apenas mais uma boa banda de heavy metal que explorava o estilo desenvolvido por bandas como Iron Maiden, Van Halen e Pink Floyd. Mas com Operation: MindCrime a banda definiu um estilo que começou a ser forjado no álbum anterior, Rage For Order. Esse álbum provavelmente foi o primeiro do estilo que viria a fazer muito sucesso nos anos 90, o chamado Prog Metal. Uma mistura de Heavy Metal (guitarras distorcidas, baixo pesado) com progressivo (teclados climáticos, corais, vocais em contraponto, harmonias complexas).
O álbum conta a estória de de Nikki, um carinha que faz parte de uma organização revolucionária comandada pelo personagem Dr.X. O lema era bem simples: "Assassination and Replacement", ou seja, "Assassinato e substituição".
A estória começa na primeira música, I Remember Now, que é apenas um diálogo. Nikki está no Hospital Penitenciário e começa a se lembrar dos últimos acontecimentos até ele chegar ali.
Anarchy-X é apenas um trecho instrumental e serve de introdução para Revolution Calling, que a letra conta quando Nikki foi recrutado por Dr.X e os motivos que o levou à organização. Nessa música aparecem duas frases que marcam profundamente: "I used to trust the media to tell me the thruth, tell us the truth. But now I see the pay-offs everywhere I look, who do you trust when everyone's a crook", que significa "Eu costumava acreditar que a mídia me dizia, nos dizia a verdade. Mas agora eu vejo as propinas em todo o lugar que eu olho, em quem você acredita quando todos são safados", e a outra é: "I used to think that only America's way was right, but now the Holy Dollar rules everybody's lives, gotta make a million doesn't matter who dies", que significa "Eu costumava achar que somente o modelo de vida Americano estava certo, mas agora o Dólar Sagrado manda na vida de todo mundo, há de se fazer 1 milhão não importam quantos morram".
As músicas seguintes, Operation: MindCrime e Speak falam sobre os métodos da organização e os assassinatos cometidos por Nikki. Spreading The Disease apresenta a personagem Mary, uma ex-prostituta que foi tirada das ruas pelo Padre Willian, mas com algumas "coisas" em troca, e por quem Nikki se apaixona em The Mission.
Suite Sister Mary é o ponto alto do álbum. Nikki recebe ordem para matar Padre Willian e sua amada Mary. Musicalmente uma obra-prima. Corais, orquestrações, e principalmente, uma excelente cantora, Pamela Moore, fazendo o papel de Mary. A interpretação de Geoff Tate (Nikki) e Pamela (Mary) são impressionantes. Digno de uma ópera.
Em The Needle Lies, a música mais heavy metal tradicional do álbum, com uma levada que lembra Iron Maiden ou Judas Priest, Nikki tenta sair da organização, adrenalina pura. E na pequena, porém tensa, Electric Requiem Nikki acha Mary morta. E aí fica a grande dúvida do cd: Quem matou Mary? O próprio Nikki? Dr.X? Padre Willian? Veja as letras e tente descobrir por você mesmo! Em Breaking The Silence Nikki é preso por arruaça ao ser encontrado gritando nas ruas. E portando a arma que matou muitas pessoas.
I Don't Believe In Love mostra toda a tristeza de Nikki por perder Mary. Waiting For 22/My Empty Room carrega toda sua preocupação por não ter ninguém no mundo. Na última música do álbum, Eyes Of A Stranger, Nikki é condenado a ir para o manincômio, onde ele tenta procurar no seu passado as razões para suas ações. E ao se olhar no espelho ele vê um estranho. E o álbum acaba com Nikki finalmente se lembrando de tudo. "I Remember Now".
O álbum teve tanto sucesso que foi lançado um vídeo chamado Video:MindCrime, com clips de várias músicas do álbum, e em 1991 foi lançada a caixa Operation: LiveCrime, composta por um cd e um vídeo com todo o álbum tocado ao vivo. Provavelmente um dos melhores álbuns ao vivo na história do Heavy Metal. Produção e execução nada menos do que perfeitas. Infelizmente essa caixa está fora de catálogo. E em 1999 o álbum foi relançado remasterizado na Europe com uma capa de couro e ainda com o primeiro EP de bônus, essa caixa ficou conhecida como Leather Box.
Para quem já conhece o Queensryche, já sabe a grandeza de Operation: MindCrime e pra quem não conhece, ou conhece apenas o álbum Empire (o mais popular da banda) está mais do que na hora de comprar essa obra-prima.
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