Judas Priest: documentário mostra quando foram ao banco dos réus
Por André Stanley
Fonte: Blog do André Stanley
Postado em 18 de agosto de 2018
Em 1992 um documentário produzido pelo canal de TV pública dos EUA, KNPB, e dirigido por David Van Taylor, contava a história envolvendo os bastidores do julgamento levado a cabo pelos familiares de James Vance contra a banda de Heavy Metal britânica JUDAS PRIEST. A história já bem conhecida teve seu estopim no dia 23 de dezembro de 1985 e foi manchete mundial.
James Vance de 20 anos e seu amigo Raymond Belknap de 18 anos, depois de horas bebendo e fumando maconha – segundo a imprensa local – estavam alegadamente ouvindo Judas Priest no playground de uma igreja da cidade de Sparks, onde moravam. Estavam de posse de uma arma calibre 12 – popular escopeta. Os dois garotos fizeram um pacto de morte e ambos atiraram contra suas próprias cabeças.
Raymond Belknap morreu na hora. Pedaços de seu cérebro se espalharam por vários metros. James Vance sobreviveu ao tiro, porem teve que passar por várias cirurgias de reconstrução facial que devido ao grande estrago perpetuado pelo disparo não foram capazes de tirar de Vance uma séria deformação em seu rosto.
A família de Vance decidiu processar a banda JUDAS PRIEST alegando que a música que os dois garotos – que eram fãs assumidos da banda – ouviam, continha uma mensagem subliminar que levou os dois jovens a praticar a trágica ação.
O documentário – que está em inglês – mostra entrevistas com os pais de James Vance e com o próprio Vance, que foi internado em um hospital psiquiátrico com sintomas de depressão e que três anos após a tentativa de tirar sua vida estourando seus miolos, enfim cometeu suicídio nessa instituição.
O documentário mostra também as primeiras imagens feitas pela polícia dos dois garotos estirados no chão do playground e o áudio da polícia recebendo a denúncia do ocorrido.
Mas talvez, o grande trunfo do filme é mostrar o julgamento da banda. Os integrantes do Judas Priest se apresentaram à corte da cidade de Reno, onde ocorreu o julgamento, vestidos de ternos e foram questionados sobre a possível mensagem subliminar contida na música "Better by you better than me" (É melhor para você e melhor para mim – tradução livre) do clássico álbum da banda "Stained Class".
Os advogados de Vance alegaram que a música continha uma mensagem "satânica subliminar" com um simples dizer "Do it" (faça). A música em questão não é de autoria do JUDAS PRIEST mas uma regravação de outra banda inglesa, "SPOOKY TOOTH." A música foi reproduzida durante o julgamento para provar que havia uma mensagem subliminar, e o vocalista ROB HALFORD teve que cantar a música a capela diante do juiz.
Devemos levar em conta que o julgamento ocorreu em um período onde a presidência dos EUA era ocupada por Ronald Reagan, um dos mais conservadores presidentes americanos, onde a direita cristã extremista dos EUA executava uma cruzada contra a influência da música pesada na juventude americana. Por isso a alegação de uma mensagem satânica que hoje parece ridícula tinha uma certa aceitação como ainda há entre os fundamentalistas cristãos.
Várias vezes o filme mostra o grande apoio recebido pela banda em frente ao palácio de justiça de Reno, com fãs segurando cartazes apoiando o grupo Britânico e gritando mensagens de apoio. Muitos fás aproveitaram a ocasião para pedir autógrafos e tirar fotos com a banda.
O documentário de cerca de uma hora de duração tem trilha sonora do próprio JUDAS PRIEST e é um documento histórico de um dos eventos mais trágicos envolvendo uma banda de Heavy Metal.
*O nome do documentário é um trocadilho com o título de uma música do Judas chamada Dreamer Deceiver (Enganador sonhador), do disco "Sad Wings of Destiny," Dream Deceivers significa algo como: enganadores de sonhos.
Assista o documentário Dream Deceivers na íntegra.
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