Alguns detalhes sobre o baterista Nicko McBrain, do Iron Maiden
Por Carol Maiden
Postado em 05 de junho de 2017
Em Hackney, região nordeste de Londres, no dia 5 de junho de 1952, nascia Michael Henry McBrain, nosso amado Nicko (graças a Deus, senão eu jamais seria influenciada a tocar bateria nem teria um nome tão legal pra batizar meu cachorro, mas isso não vem ao caso rsrs). Assim como todo bom baterista, ele começou sua experiência percutiva (aos 10 anos) com as panelas e agulhas de tricô de sua mãe. Ou então batucando com algumas facas (porque usar algo menos perigoso quando se é o futuro batera do Maiden né?) na lateral do fogão. Claro, isso deixava sua mãe puta da vida e então seu pai, resolveu dar a ele um kit bem simples de bateria, por volta de seus 11 anos, para que ele deixasse os itens domésticos em paz. Ele se inspirava em Joe Morello, baterista de Jazz da lendária banda Dave Brubeck Quartet.
Com 14 anos, McBrain já tocava em algumas festas e usava o apelido "Nicky". Claro que todos sabem que esse apelido veio do seu amado ursinho de pelúcia, chamado Nicholas, que ele arrastava pra todo lugar com ele. Até na bateria ele mantém um ursinho estratégicamente sentado em frente ao seu set. Sempre vestindo a roupa de acordo com o tema da turnê, esse urso faz referência à série infantil britânica "Sooty and Sweep", na qual o baterista já fez uma participação. Algum tempo depois, quando foi se aperfeiçoando, começou a trabalhar como músico de estúdio, embora não soubesse ler música mas tinha um talento nato e era capaz de tocar quase todos os estilos. Como na época as sessões de gravação eram sempre a noite, ele pegava o carro (minúsculo) de seu pai e espremia todo seu equipamento nele para ir ao trabalho. Isso garantia o dinheiro para pagar o aluguel enquanto fazia faculdade de engenharia, curso feito por exigência dos pais.
Porém pagar as contas não bastava. Ele tinha o desejo de ter algo mais em sua jornada musical. Já havia tocado em banda de escola, nas bandas das festas em pubs, mas ele queria ser de uma banda de verdade. 'The Eighteenth Fairfield Walk' (que futuramente se chamaria Peyton Bond) foi sua primeira banda "séria", embora só tocassem cover dos BEATLES, THE WHO e Otis Redding. Mas, fazer cover não é bem oque um músico cheio de idéias quer fazer. Então recebeu o convite para integrar outra banda, chamada 'The Wells Street Blues Band' (em 1969, mudaram o nome para The Axe). Ok, ainda faziam cover, mas havia algo mais substancial no blues tocado por eles.
Durante uma gravação da banda no CBS Records, em um dos estúdios, o diretor Dick Asher decidiu fazer uma visita surpresa aos músicos. Seu companheiro de banda e tecladista Billy Day já conhecia Asher e já estando Billy altamente bêbado, achou que seria engraçado fazer uma piadinha com Nicko, apresentando-o da seguinte maneira: "Quero te apresentar meu baterista italiano, Neecko" e escreveu o nome em um papel. O apelido acabou pegando e cada vez que alguém iria se referir a Nicko, escreviam o nome assim. O baterista acabou por gostar do apelido mas preferiu mudar a escrita substituindo as letras E pelo I, pois assim soa mais britânico. A piada durou ainda algum tempo, pois no álbum solo de Bruce Dickinson (Skunkworks de 1996) há uma das faixas bônus com o título "I'm in a band with an Italian Drummer".
Em 1975 ele foi convidado a integrar a banda francesa Trust (onde Clive Burr também tocou, nos anos de 1983, 84 e 97). A idéia era que Nicko apenas substituísse o baterista, mas acabou ficando por 2 anos. Ele não falava uma palavra em francês e alguns membros da banda não falavam inglês. O jeito foi se virar. E viver em um hotel durante sua permanência no Trust. Em 1981, quando sua banda abriu um dos shows do IRON MAIDEN (na turn~e do álbum Killers), ele começou ali sua relação de amizade com eles. Um certo dia, bem antes de ser convidado formalmente a integrar a banda do senhor Steve Harris e ja sabendo dos problemas que o Maiden vinha enfrentando com o baterista, eis que o próprio Clive entra em contato com Nicko para contar sobre a possibilidade de que ele fosse demitido. McBrain ao invés de comemorar a chance de ter uma vaga boa de emprego sendo aberta em breve ( e que emprego!) ele aconselhou Clive a se melhorar e fazer as coisas direito para manter seu cargo. A esposa de Nicko deu uma bronca nele, pois se tivesse ficado quieto, teria uma chance de ouro com a saída de Burr. Porém, ele achou mais honesto ajudar o colega, pois não queria ver ninguém desempregado (que orgulho dele). Mas, Clive acabou saindo do Maiden em 82 e McBrain acabou por substitui-lo. Sua primeira aparição no Iron foi em um canal de TV alemão disfarçado de Eddie, já que naquele dia a saída de Burr ainda não tinha sido anunciada. Tommy Lee, do Mötley Crüe, apelidou Nicko de "octopus" ou em inglês, polvo, devido à rapidez de seus braços. Ele também já foi o diabo no clipe "The Number of the Beast" e na Beast On The Road tour. E no video clipe de "Flight Of Icarus" aparece como Grim Reaper.
Ele não usa bumbo duplo, nem pedal duplo. Mesmo sendo isso comum para alguns bateristas, Nicko possui um talento muito grande neste aspecto (se você acha simples fazer aquele kit enorme soar como se tivesse uns 3 pedais ali, eu não acho nada fácil). Em 2003, na gravação do álbum "Dance of Death", usou um pedal duplo para a música "Face in the Sand", tendo depois afirmado publicamente que foi uma das coisas mais complicadas que já fez e por essa razão, a música não seria tocada ao vivo. Curiosamente, foi nesse mesmo álbum que Nicko contribuiu pela primeira vez em mais de 20 anos, com a composição de "New Frontier".
Foi patrocinado pela marca alemã de bateria, Sonor, durante os 10 primeiros anos no Maiden, entre a "World Piece Tour" de 1983 e "A Real Live Tour" de 1993 (do período de 1986 a 1987, seu kit era o modelo Phonic Plus High Tech). No final da turnê, ainda em 1993, ele passou a usar o modelo Signia, da marca inglesa Premier. Seguiu com a marca por 20 anos (em 2010 alterou seu kit Signia para o modelo Elite), até a "Maiden England Tour" de 2013/2014. Em 2016, anunciou oficialmente seu retorno à Sonor, usando durante a turnê The Book of Souls, seu kit modelo SQ2, porém personalizado. Sendo artista também da marca de pratos Paiste (desde 1980), ele divulgou sua última linha signature durante a feira de música NAMM, no início do ano, chamada 'Treasures', em português, tesouros (até dói de tão lindos que são os pratos), com detalhes inspirados na cultura Maia, tema da turnê na época de lançamento.
Além de ser o mestre das baquetas, ele também tem brevê de piloto (caso o Bruce queira dormir durante os vôos, Nicko pode assumir o comando) e adora jogar golfe e coleciona carros (jaguar, que 'simples' né...). Ele costuma tocar descalço e com um pote de balas de menta ao lado da bateria para se manter concentrado. Essa 'técnica' não deve ser tão antiga, já que sua concentração não pareceu existir quando ele resolveu pular na piscina durante um show em Sacramento, na Califórnia. Sim, ele resolveu dar um mergulho pra relaxar durante o trecho da música 'Rime of the Ancient Mariner', em que a bateria faz uma pausa. O problema foi que ele estava embaixo da água (e beeem bêbado) e não conseguia escutar o momento dele retornar ao palco... Ele na água, sossegado e Harris quase gritando de desespero. Felizmente, a água fez a bebedeira passar um pouco e Nicko voltou ao palco.
E hoje, no auge dos seus 65 anos, ele segue firme, forte e mais sóbrio que nunca (ainda bem) rumo a mais alguns anos na maior banda do mundo. Feliz Aniversário Nicko!
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O brasileiro que andou várias vezes no avião do Iron Maiden: "Os caras são gente boa"
As Obras Primas do Rock Nacional de acordo com Regis Tadeu
Os 11 melhores álbuns conceituais de metal progressivo, segundo a Loudwire
A sumidade do rock nacional que expulsou Lobão de seu álbum solo
O clássico do rock que mostra por que é importante ler a letra de uma música
31 discos de rock e heavy metal que completam 40 anos em 2026
Morre Bob "Bobby" Weir, cofundador do Grateful Dead, aos 78 anos
Vídeo de 1969 mostra Os Mutantes (com Rita Lee) tocando "A Day in the Life", dos Beatles
O cantor que Bono disse que ninguém conseguiria igualar; "ninguém podia ser como ele"
A sincera opinião de Pitty sobre Guns N' Roses, System of a Down e Evanescence
O disco em que o Dream Theater decidiu escrever músicas curtas
O episódio que marcou o primeiro contato de Bruce Dickinson com "Stargazer", do Rainbow
O conselho do pai de Steve Harris que o baixista preferiu ignorar
O dia em que um futuro guitarrista do Whitesnake testou para o Kiss, mas não foi aprovado
As bandas de heavy metal favoritas de Rob Halford do Judas Priest, segundo o próprio
A curiosa história de "Pet Sematary", clássico dos Ramones que foi escrito em uma noite
A preconceituosa opinião de Brent Hinds, do Mastodon, sobre o Dream Theater
O problema de trabalhar com Yngwie Malmsteen no G3, segundo Joe Satriani

A turnê faraônica que quase causou danos irreversíveis ao Iron Maiden
O disco do Black Sabbath que Bruce Dickinson considera um dos melhores de todos os tempos
O que motivou Steve Harris a escrever "The Trooper", um dos maiores clássicos do Iron Maiden
A conversa franca de Bruce Dickinson com Rod Smallwood antes do teste para o Iron Maiden
A importante lição que Steve Harris, do Iron Maiden, aprendeu com o Genesis
Iron Maiden começou a lucrar de verdade a partir do terceiro disco, diz Steve Harris
West Ham: o time do coração de Steve Harris
O megahit do rock nacional dos anos 1980 cuja letra não quer dizer nada



