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Paradise Lost: uma análise das mudanças de sonoridade ao longo do tempo (parte I)

Por Bruno Rocha
Fonte: Cryptic Rock
Em 01/10/16

O que mais influencia um músico na hora de compor um novo trabalho para sua banda? O que pode levar uma banda a sair de sua zona de conforto e de uma certa sonoridade já consagrada sob seu nome e partir para novos terrenos musicais? O quão arriscado tal atitude é para o legado de uma instituição musical?

Facilmente lembraremos de várias bandas que, com o passar dos anos, mudaram as suas fórmulas para produzirem músicas. E justificativas não faltam para as ditas mudanças: vontade de trabalhar em terrenos diferentes, busca por mais sucesso comercial ou mesmo a tal da maturidade musical. Aí vem o momento em que as mudanças são postas a prova, ou seja, viram réus no tribunal dos fãs. Se absolvidas, dão um novo animo a banda e ao compositor, que se sentem mais a vontade para explorar. Se condenadas, certamente será muito difícil para a banda recuperar o respeito que tinha outrora. O KREATOR, só para citar um exemplo, é uma banda que teve suas experimentações nos anos 90 condenadas pela maioria da base de fãs, mas depois recuperou e aumentou todo o respeito que já tinha voltando a fazer o que fazem de melhor, o Thrash Metal.

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Talvez o maior exemplo de perícia e competência em se tratando de mudanças de sonoridade seja o PARADISE LOST. Começaram como pioneiros do Death/Doom, criaram o Gothic Metal (pelo menos a maioria assim concorda), chegaram ao extremo oposto fazendo Eletronic/Gothic Rock e fizeram o caminho de volta ao Death/Doom. Se os álbuns mais comerciais não são amados até hoje, pelo menos os fãs aprenderam a compreendê-los. E é sobre as mudanças de sonoridade do PARADISE LOST que gostaria de dissertar aqui, analisando fortemente pelos álbuns de estúdio.

Em 1988 o PARADISE LOST surgiu em Halifax, Inglaterra, aliando o extremismo dos vocais guturais e das guitarras cortantes do Death Metal com o ritmo mórbido e sorumbático do Doom Metal, sendo pioneiros assim de um dos híbridos mais conhecidos do Metal, o chamado Death/Doom. A partir do comecinho dos anos 90 outras bandas como MY DYING BRIDE, ANATHEMA, KATATONIA e TIAMAT, dentre outras, seguiram os mesmos caminhos em misturar Death e Doom.

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No primeiro disco, "Lost Paradise" (1990, Peaceville Records), Nick Holmes (vocais), Gregor Mackintosh (guitarra solo), Aaron Aedy (guitarra base), Stephen Edmondson (baixo) e Matthew Archer (bateria) apresentam seu Death/Doom. Agressivo, assim como as apresentações da banda ao vivo na época (tocavam nas mesmas noites que NAPALM DEATH e CARCASS, por exemplo), mas na marcha lenta do Doom, cortesia das influências de BLACK SABBATH, CANDLEMASS e PENTAGRAM. Mas neste debut, os ingleses de Halifax já mostravam um pouco do que viria nos próximos anos, como vocais femininos, a saber, na faixa 7, "Breeding Fear". A produção mal asseada até que deu uma sujeira charmosa ao sons do disco. Nick Holmes aqui fazia aquele gutural berrante do Death Metal da época, e o canhoto Gregor Mackintosh já apresentava todo o senso de melodia que lhe é nato.

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O disco seguinte, "Gothic" (1991, Peaceville Records), segue ainda nos passos do antecessor, mas, como o nome do álbum bem acusa, as influências góticas se fazem mais presentes, com uso maior de vocais femininos e até os serviços de uma orquestra, a The Raptured Symphony Orchestra. Os suiços do CELTIC FROST já faziam mais ou menos isso na segunda metade dos anos 80. Mas, devido ao destaque que tais elementos tem a ponto de ser essencial na concepção das músicas, o PARADISE LOST ganhou o título de criador do Gothic Metal, que, em poucas palavras, é um Doom Metal orquestrado, onde vocais delicados femininos se misturam com vocais agressivos guturais masculinos, criando uma atmosfera soturna. Escute a faixa-título e "Eternal", só para constatar o que aqui foi dito.

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Só por curiosidade, talvez PARADISE LOST e BATHORY ostentem o feito de inaugurar dois subgêneros de Heavy Metal. O primeiro, o Death/Doom e o Gothic; o segundo, o Black e o Viking. De certa forma os segundos gêneros citados são filhos dos primeiros.

Sobre a época, Mackintosh fala em entrevista ao site crypticrock.com: "[...] decidimos trazer a este álbum Gothic Rock de raiz e talvez alguns elementos clássicos." E: "O termo Gothic Metal deveria ser só um slogan, não deveria ser algo tão grande, mas acabou se tornando um gênero por si só."

A partir daqui o Paradise Lost começou, aos poucos, a moldar a sonoridade pela qual ficaria conhecida.

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Em 1992 sai "Shades of God", já pela grande gravadora à época Music For Nations. Neste álbum e no próximo, o clássico "Icon" (1993, Music For Nations), o PARADISE LOST já está saindo dos caminhos do Death/Doom e entrando por um terreno difícil de definir até mesmo nos dias de hoje. Imagine então na época. Com uma influência do Thrash (vide "Pity The Sadness", com a clássica linha de baixo de Edmondson), aliada ao Gothic criado por eles próprios, eles criaram uma forma de compor única, com muita identidade. Outra música importante, "As I Die", molda a tônica que a banda se propôs a seguir nos álbuns seguintes. Outros clássicos da época são dignos de nota, como "Daylight Torn", "Embers Fire", "Widow" e a sempiterna obrigatória "True Belief."

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Nick Holmes agora aprendeu a domar bem seus drives, lembrando muito James Hetfield. Nota-se também a importância das linhas de baixo do competentíssimo e engraçado Stephen Edmondson. Também já é impossível dissociar da sonoridade típica da banda as linhas melódicas de Gregor Mackintosh, que praticamente sola o tempo todo, porém nada soando desnecessário. Pelo contrário, seus solos são essenciais à identidade das músicas.

Chega então o que é considerado a maior obra-prima da banda, o fundamental "Draconian Times" (1995, Music For Nations). Segundo as palavras do próprio mentor Mackintosh: "Nós encontramos nosso som em 'Icon', mas este álbum é mais primitivo do que 'Draconian Times'. [...]Para mim, esses discos são parte 1 e parte 2: em 'Icon' nós encontramos nosso som, e em 'Draconian Times' é onde nós o aperfeiçoamos."

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De fato, "Draconian Times" é uma evolução natural de "Icon". A polição começa pela própria produção do disco, que deixou o som mais limpo que no álbum antecessor. Também cabe notar a estreia de Lee Morris na bateria. Algumas de suas levadas e viradas neste disco são o destaque em várias músicas.

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Uma audição atenta vai perceber que neste disco surgem as primeiras incursões mais comerciais da banda, algo que se tornaria forte anos depois. Por exemplo, na obrigatória "The Last Time": refrão pegajoso e boa para tocar em rádio. E se encaixaria até que confortavelmente no disco auto-intitulado do METALLICA, o famoso "Black Album". A faixa que abre o disco, "Enchantment", é uma síntese do que é o instrumental do Gothic Metal. Todas as faixas aqui mereciam ser citadas, então, o álbum todo é o destaque.

Começa então de fato as grandes mudanças no som.

Em 1997 sai "One Second" (Music For Nations). Tenho certeza que este álbum deu raiva nos fãs das fases iniciais da banda. As influências comerciais se tornaram bastante latentes aqui e afetaram até no própio visual da banda: o figurino mais largado deu lugar a roupas mais simples e os cabelos compridos de todo mundo foram sumariamente decapitados. As guitarras da dupla Mackintosh/Aedy ainda se fazem presentes, mas com menos peso, e as novas composições tem agora um acentuado quê de Pop, lembrando muito os gigantes do DEPECHE MODE. As duas primeiras faixas, "One Second" e "Say Just Words" se tornaram hits instantâneos. E Nick Holmes agora limpou de vez seus vocais, pouco se utilizando agora de drives, e nem de longe lembrando os guturais agressivos da era Death/Doom.

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Sobre este álbum, Gregor Mackintosh explica o que estava acontecendo na época em entrevista a edição #161 da revista Roadie Crew:

"Após os álbuns 'Icon' e 'Draconian Times' e mais de dois anos em turnê sem parar, estávamos cansados e demos uma parada. Reunimo-nos após um ano e percebemos que estávamos buscando uma mudança, não queríamos gravar um 'Draconian Times' parte 2. Queríamos algo que nos animasse e nos desafiasse, e as músicas de 'One Second' foram o reflexo do que buscávamos naquele momento."

E, se este disco foi o reflexo de uma busca por mudanças, o seguinte foi o reflexo de buscas cada vez mais ousadas por novos desafios, e, sem querer querendo, por novas e maiores polêmicas.

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Em 1999, de contrato assinado com a poderosa EMI, sai o mais controverso álbum da discografia do PARADISE LOST, "Host". Pode-se dizer que este álbum é um Electronic/Gothic Rock (se você tiver um nome melhor que esse, pode ser também). Neste álbum, DEPECHE MODE, NEW ORDER e THE CURE são facilmente lembrados. Aqui as guitarras existem, mas aparecem de modo intrínseco aos teclados e sintetizadores que recheiam todos os arranjos do disco, sendo quase impossível um ouvido menos atento dissociá-los. E o fator humano do excelente baterista Lee Morris desaparece quase que por completo devido as mixagens nos timbres da bateria, deixando muito com cara de bateria programada (argh...!).

Gregor Mackintosh dá a sua defesa deste play: "Estávamos envoltos em nossa pequena bolha e nós sabíamos que isto poderia ser uma espécie de suicídio comercial para nós no gênero Heavy Metal. Nós obviamente não nos importávamos. Nós apenas estávamos tentando ser felizes por um momento. [...]Eu penso que isso é uma parte importante da nossa história e para nos colocar onde estamos hoje".

Antes que este disco represente demérito para a discografia dos ingleses, cabe lembrar que nem só de Heavy Metal vive a boa e honesta música. Tendo isso em mente, as faixas "So Much Is Lost", "Nothing Sacred", "It's Too Late" e a faixa-título são excelentes composições que representam bem "Host", só para citar algumas.

Mesmo às músicas antigas tiveram uma nova roupagem nesta nova fase. Confira "As I Die", de "Shades Of God", ao vivo em 1999, no auge da fase Pop da banda.

Desde o começo da carreira até este momento, a sonoridade do PARADISE LOST deu um giro de 180°. Na parte II desta matéria, analisaremos a continuação desta fase mais comercial e a tão aguardada volta ao som consagrado dos anos 90.

Veja a segunda parte da matéria no link abaixo:

Paradise Lost: uma análise das mudanças de sonoridade ao longo do tempo (parte II)

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Sobre Bruno Rocha

Cearense de Caucaia, professor e estudante de Matemática, torcedor do Ferroviário e cafélotra. Entrou pelas veredas do Heavy Metal na adolescência e hoje é um aficionado e pesquisador de todos os gêneros mais tradicionais desta arte e de suas épocas. Tem como forte o Doom Metal, não obstante o sol de sua terra-natal.

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