Motörhead: Philip Campbell - O cara que não foi

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Por Rodrigo Contrera
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Quem assistiu as exéquias do Lemmy, transmitidas ao vivo lá de Hollywood, e iniciadas, num lindo discurso do filho do Cara, deve ter notado uma ausência: o guitarrista do Cara.

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Phil dividia as guitarras da banda dominada e guiada pelo baixo, quando começou, pelo Wurzel, que foi saído porque tava lá só por estar - o Lemmy conta na bio.

Phil nunca se recusou a ser a presença secundária fundamental do cara que pensava em 4 cordas (tentava em seis, mas não conseguia). Nunca chamou a atenção para si, e tinha - poucos sabem, basta reparar - escrito WANKER no peito. Wanker é punheteiro, tem coragem, você aí?

Várias vezes, entrevistados comentaram, durante a história da banda, que Mr. Campbell era subestimado. Não sei como avaliar, mas acredito neles. Pois, ao contrário de Mickey Dee, "the best drummer of the world", nos dizeres do Lemmy, Phil era recatado.

Mas só lhes peço que reparem no olhar dele, nos shows. O cara é duro, talvez até mais que o Lemmy, e desencanado. Ele, pelo que sei, tem esposa e tudo, mas não gosta dos holofotes. Só fica mesmo embaixo deles porque sua vida, a vida que escolheu, foi essa.

Daí minha singela teoria. Phil sabia que quando a maior garota do Lemmy morreu este não foi ao enterro. E, sabedor de todas as histórias do grande amigo, não quis vê-lo morto. Nem chamar a atenção. Nem discursar. Nem falar (ele pouco fala).

Até porque, venhamos e convenhamos, o próprio Lemmy talvez fosse rir para caralho ao vê-lo fazendo papelão.

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Post de 22 de julho de 2016

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Sobre Rodrigo Contrera

Rodrigo Contrera, 48 anos, separado, é jornalista, estudioso de política, Filosofia, rock e religião, sendo formado em Jornalismo, Filosofia e com pós (sem defesa de tese) em Ciência Política. Nasceu no Chile, viu o golpe de 1973, começou a gostar realmente de rock e de heavy metal com o Iron Maiden, e hoje tem um gosto bastante eclético e mutante. Gosta mais de ouvir do que de falar, mas escreve muito - para se comunicar. A maioria dos seus textos no Whiplash são convites disfarçados para ler as histórias de outros fãs, assim como para ter acesso a viagens internas nesse universo chamado rock. Gosta muito ainda do Iron Maiden, mas suas preferências são o rock instrumental, o Motörhead, e coisas velhas-novas. Tem autorização do filho do Lemmy para "tocar" uma peça com base em sua autobiografia, e está aos poucos levando o projeto adiante.

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