Blondie: a trajetória de um grupo icônico
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 24 de janeiro de 2016
Difícil imaginar uma vocalista que tenha impactado como Debbie Harry, do Blondie. De Madonna a Lady Gaga, passando por (semi-) esquecidas como Dale Bozzio, Wendy James, Tracy Tracy, a coelhinha norte-americana foi símbolo sexo-musical dos anos 70/início dos 80. Mesmo quem não copiou descaradamente seu visual baranga glam, foi afetada. Christine, dos góticos Siouxsie and the Banshees tem seu quinhão de Blondie, por exemplo.
Fundado em 1974, o Blondie ganhou esse nome porque caminhoneiros e operários da construção civil viviam chamando Debbie Harry assim. Meio despenteada e com o cabelo mal tingido de loiro – ela mesma passava a tintura – a gostosona e seus companheiros, que mal conseguiam tocar afinada ou sincronizadamente, impactaram o movimento punk então nascente, numa Nova York falida, cheia de buracos, apagões e greves de lixeiros. No fétido e agora lendário clube CBGB, Deborah Harry e artistas como Ramones, Television, Talking Heads, Suicide, Patti Smith (que odiava Debbie por perceber nela o potencial de diva) ajudaram a delinear a música pop de gerações.
O documentário Blondie One Way or Another (BBC, 2006) delineia essa trajetória do underground ao topo das paradas mundiais, com as perdas e ganhos inerentes ao processo. O trabalho do produtor é essencial pra confecção de gemas pop: a descrição da feitura da clássica Heart of Glass é notável nesse aspecto. Mas, na industrialização da música do capitalismo, esse profissional também pode (tentar) asfixiar uma banda, vendo-a como meros peões. Isso está igualmente bem descrito no documentário.
Quando o Blondie estourou – na Inglaterra, antes de nos EUA – e Debbie Harry tornou-se o tesão da virada 70’s pra 80’s, ela passara dos 30. Parece que os anos 80 foram mais generosos com balzacas e mais velhas. Jane Fonda, Linda Gray, Linda Evans, Joan Collins, todas foram desejadas naquele decênio. Ao longo dos anos, a faixa etária necessária pra ser diva caiu bastante.
Blondie One Way or Another mostra como o poder advindo da fama pode ser fugaz. No topo num ano, no poço no outro. Foi o que ocorreu com Blondie, corroído por litígios judiciais, uso de drogas muito pesadas, descaminhos financeiros e azar (uma doença genética num dos membros). The Hunter (1982) - último álbum antes da ressurreição em 1999 – vendeu menos de 20 mil cópias. O documentário atribui o fiasco às drogas. Mas há que se considerar que os tempos eram outros. Basta ver o exagero do cabelão tipicamente oitentista de Debbie Harry na capa do álbum: ela não mais ditava a moda, mas a copiava. Ambições por carreiras-solo também não ajudavam muito, embora ninguém tenha tido sucesso sozinho.
Recheado de depoimentos de integrantes da banda e outros músicos, Blondie One Way or Another não santifica Debbie Harry e dá razoável dimensão de parte da história da menina adotiva que fantasiava ser filha de Marilyn Monroe e se transformou em seu equivalente no universo da música popular.
Esta playlist promete o documentário em partes, sem legendas:
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Ex-Arch Enemy, Alissa White-Gluz anuncia sua nova banda, Blue Medusa
A cantiga infantil sombria dos anos 1990 que o Metallica tocou ao vivo uma única vez
O melhor guitarrista de todos os tempos, segundo o lendário Bob Dylan
A melhor banda de rock progressivo para cada letra do alfabeto, segundo a Loudwire
10 álbuns essenciais do metal dos anos 70 que valem ter em vinil
Baterista do Matanza Ritual e Torture Squad é dopado e roubado após show do AC/DC
A atração do Rock in Rio que "as pessoas já viram 500 vezes"
A joia cearense que gravou um clássico do rock nos anos 1970, segundo Regis Tadeu
Moonspell anuncia título do próximo álbum de estúdio, que sai em julho
Terra do Black Sabbath, Birmingham quer ser reconhecida como "Cidade da Música"
A música do Thin Lizzy que sempre deixa James Hetfield de bom humor
Jack Osbourne expõe "banda gigante" que exigiu quantia absurda no último show de Ozzy
A profissão pós-Megadeth que Mustaine gostaria de seguir, e até cortaria o cabelo para tal
O melhor guitarrista dos anos 1980, segundo Ritchie Blackmore: "Ele é absurdo"
O pior músico com quem Eddie Van Halen trabalhou; "eu tinha que ensinar todas as partes"
O guitarrista que é "facilmente o melhor" que Jimmy Page já viu de perto, segundo o próprio
A paixão de dois músicos pelas mesmas mulheres que gerou um clássico nacional
David Gilmour explica que vendeu o catálogo do Pink Floyd, "mas não os direitos de publicação"


Fred Smith, baixista do Television, morre aos 77 anos



