Led Zeppelin: For your life e o momento de exaustão da banda
Por Diogo Araujo da Silva
Postado em 08 de julho de 2014
Um exemplo do que uma visagem como a do jornalista Mick Wall (no livro LED ZEPPELIN: Quando os gigantes caminhavam sobre a terra) não aborda e, mais do que isso, parece ao mesmo tempo passar deliberadamente por cima, é o sentido forte de uma música como For your life. Quando aborda a música e o disco a que pertence, Presence, o jornalista parece tirar boa parte do valor artístico de ambos para, pela mão contrária, criar um vínculo entre o momento de desintegração e mau agouro da banda (série de acidentes a níveis profissionais e pessoais) com a qualidade da música que estava fazendo.
Não elevarei o Presence ao posto de meu disco preferido do Led (como muito fã cult parece ter um enorme prazer em fazer), mas acho injusto o considerar um álbum menor dentro da discografia da banda. Um álbum que reúne um marco estético como Achiles last stand (cujo motivo é copiado à exaustão por bandas das mais diversas espécies de metal); uma das maiores proezas do Led em unir forma e conteúdo como For your life; a pedrada a fazer inveja à boa parte dos números iniciais da banda que é Nobody’s fault but mine; além de excelentes e mais explícitas incursões do grupo no campo do fusion, não pode ser assim avaliado.
Considero a música em questão o maior símbolo do disco e do momento da banda, além de um trabalho que merece estar em qualquer de seus best of. Pois não é que a heroína, o álcool, a má sorte, o deus-oculto e a preguiça real estivessem pura e simplesmente dominando o processo criativo do Led, mas antes que o Led, exemplarmente através de uma música como essa e estando merecidamente no topo, expressava artisticamente o tédio, o peso, a esquizofrenia, a ira e a sombra que se ofereciam então como matéria para sua arte.
For your life (dá pra imaginar que haja de saída uma menção a For your love do Yardbirds) pode ser vista como a música que mais perfeitamente dialoga por oposição a Whole lotta love, Comunication Breakdown e Rock and Roll, entre muitos outros rocks ensolarados. Ela chega a ser ainda mais hipnótica do que todos sendo gorda, meticulosa e um tanto traiçoeira.
Chama atenção na canção o seu belo suingue arrastado, o truncado de alguns de seus riffs em si mesmos e em relação à melodia, a sua duração, a maneira como a música parece evoluir sem sair do lugar, certa indeterminação de por quanto tempo cada parte deverá durar para compor o desenho final. Mais uma vez, espanta a consciência da banda.
Desnecessário falar que For your life é uma séria candidata a melhor representar a relação da banda com as drogas, especialmente a heroína e a cocaína. O seu explícito fastio aqui e ali encontra graça, mas prevalece no todo o humor mórbido e a propensão à exaustão, palavra que, de todas, parece a melhor para a definir.
Em tudo a música parece dominada por umas sombras não-místicas, bem humanas mesmo, como se o rock and roll expressasse de maneira crua e ainda extremamente vibrante o seu lado mais repleto de luxúria. E a ele xingasse e dele risse, pois que se soubesse igual cão feliz condenado.
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