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Death: um impressionante caso do Hard Rock setentista!

Por Willba Dissidente
Fonte: Rock Dissidente
Em 07/06/14

Três discos de estúdio, um documentário e dois singles lançados em cinco anos de carreira. Isso sem contar shows lotados e aparições na televisão. Estamos falando do DEATH, grupo de Detroit formada por três irmãos negros que começaram a tocar rock'n'roll em 1971. Virtualmente esquecida desde 1976, o grupo ressurgiu inusitadamente ao fim da última década, arrebatando crítica e público (há quem jure que eles foram uma das primeiras bandas Punks do mundo). O site Rock Dissidente fez a mais completa biografia da banda na internet em português.

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Se você está esperando ler sobre o DEATH da califórnia, pedimos que tire agora seu olhos desse texto; a menos que você queira se aventurar a conhecer uma das mais impressionantes sagas do Hard Rock!

01 . DE RHYTHM BLUES À PANCADARIA.

Após o burburinho (que eufemismo!) que o THE BEATLES causou na sociedade estadunidense durante a chamada "Invasão Inglesa", três irmãos, David, Dannis e Bobby resolveram formar uma banda de Rhythm and Blues. Após aprenderem a tocar guitarra, bateria e baixo e vocal, respectivamente, os Hackney, muito ralaram e conseguiram em 1973 lançar um compacto sob o nome de ROCKFIRE FUNK EXPRESS. O disquinho de 7 polegadas incluía a música tema da banda e o seu clássico "People Save The World".

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Contudo, chegou 1974 e os tempos estavam ficando cada vez mais pesados. Só em Nova York tinhamos o DUST, NEW YORK DOLLS, BLUE ÖYSTER CULT, levando os irmãos Hackney a seguir seguindo uma tendencia de tornar seu som mais Hard Rock, inspirados majoritariamente pelos trabalhos contemporâneos dos ingleses do THE WHO, além do, também nascido em Detroit, Michigan, ALICE COOPER GROUP.

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Sendo da mesma cidade de TED NUGENT, GRANDFUNK RAILROAD e BOB SEGER, os Hackney não ia deixar barato. Assim, junto com a nova direção musical, o guitarrista David convenceu seus irmãos a aceitarem serem chamados de DEATH. Ainda que esse nome fosse carregado de negatividade, a genuína proposta de David era torná-lo algo positivo. A História estava para começar...

02 . O DEATH VIVE.

"Se Eles nos fizessem mudar o nome, então cada coisinha que eles viam na gente ia mudar - a música, o estilo, o conceito. Assim que mudássemos o nome nós pertenceríamos a eles. Assim que desistíssemos disso, o DEATH, bem, estaria morto". David Hackhey.

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Ensaiando, gravando demos e dando shows da garagem da casa que dividiam com os pais, os irmãos Hackney fizeram a reputação do DEATH chegar a Clive Davis, então presidente da Columbia Records em 1975. Junto com o engenheiro de som Jim Vitti, o DEATH já havia gravado sete das doze músicas que viriam a compor seu debut. Foi então que a gravadora cortou a verba e cancelou o projeto, pois os irmãos recusaram veementemente os apelos "dos patrões" para mudarem sua nomenclatura para algo mais "palatável", pois temiam que DEATH (Morte) assustasse os compradores do disco!

Ainda que sem o dinheiro da gravadora major, os Hackney não se intimidaram e continuarem tentando. Criaram o seu próprio selo, o Tryangle, para lançar em 1976, no formato single, duas músicas registradas durante as sessões da Columbia Records, "Politicians In My Eyes" e "Keep on Knocking". 500 cópias forma prensadas e distribuídas. O som do DEATH, não era assustador como temia a gravadora, apresentando características de conterrâneos como o MC5, STOOGES, a galera com a qual o DEATH vivia. Como nenhuma outra gravadora se interessou, a banda encerrou as atividades no ano seguinte.

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03 . O IMPRESSIONANTE RETORNO E LANÇAMENTO DO DEBUT.

Saimos de 1977 e vamos direto para 2008. O ex-vocalista do DEAD KENNEDYS, Jello Biafra, assim como outros colecionadores de discos, encontrou o single do DEATH e começou a tocá-lo em festas, rádios e na internet. Tal fato fez com Bobby Junior, Julian e Urian, filhos do baixista e vocalista Bobby Hackney, mudassem sua banda , ROUGH FRANCIS, de cover do BAD BRAINS para cover do DEATH, tocando as sete demos que encontraram no porão de seus pais! A recepção foi excelente, e durante esse ano, todos que compareciam às apresentações se surpreendiam com a qualidade das músicas. Ainda falta um elemento para trazer o DEATH de volta a vida. Em 12 de Março de 2009, o Mike Rubin, do New York Times, publicou no periódico um artigo chamado "This Band was Punk before Punk Was Punk (algo como "Essa banda era Punk antes do Punk ser Punk)!

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A boa recepção da banda mais o estrondo causado pelo artigo em um dos maiores jornais do mundo fez com que no mesmo ano a gravadora Drag City Records lançasse as demos originais sob o nome do "...For The Whole World To See". Vinte e quatro anos depois da gravação (1975), o DEATH pode soltar seu debut!

Com isso, o sucesso iria começar!

Ainda que com duração de EP, menos de 27 minutos, o álbum, cuidadosamente lançado em CD e LP, mostra que o rock'n'roll do DEATH nada temia ou devia aos grandes nomes da maravilhosa década de 1970. Finalmente, o DEATH alcançava a reputação que suas composições demandavam. Os críticos, em geral, taxaram o grupo como "protopunk", como se eles fossem os inventores do Punk Rock. Não restam dúvidas que as bases de de tri e bicordes presentes nas músicas soam como punk. Porém, ao se ouvir o disco encontramos vários solos de guitarra, baladas, solos de bateria, vocais em falsete, tempos quebrados, elementos que você não encontra em músicas do RAMONES ou dos SEX PISTOLS. Claro que o Punk Rock não se resume só a essas bandas, porém o som do DEATH é um Rock'n'Roll, Hard Rock, muito seguro de sí, com mais elementos de THE STOOGES e MC5 (olha eles ai de novo) do que do GENERATION X, por exemplo. A grande maioria das músicas de "...For the Whole World To See" não faz crítica social, algo presente no THE CLASH, mas não em todo Punk Rock. Alguns argumentam que metade dos sons do disco não tem solos de guitarra, algo bem punk. Porém, lembramos que o disco não chegou a ser terminado na época. "Where do We Go From Here" e "Politicians In My Eyes" tem bases que se repetem muito e muito bem poderiam abrigar solos de guitarra. Essa última possui solo de baixo no último compasso antes de entrar em fade. Esse site não reivindica "saber tudo" de rock, mas solo de baixo é MUITO incomum em músicas punks. Será que faltou dinheiro para mais uma sessão de estúdio exclusiva de solos e a banda não quis mexer nas masters antes de lançar o disco?

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Nunca saberemos, pois o encarte do álbum, escrito à mão (no "melhor" estilo "Born Again" do BLACK SABBATH ), pelo baixista/vocalista nada comenta sobre tal caso. Há inclusive agradecimento a GEORGE CLINTON e outros artistas da (gravadora) Motown, mas que em momento algum cita a trajetória da banda. Em suma, ao classificar o DEATH simplesmente de percursor do punk, teríamos de acrescentar uma enorme leva de bandas também como Punk Rock. Mais importante, as gravações do DEATH ficaram perdidas pelos anos de gênese do Punk Rock, ainda que as bandas Punk com certamente iriam curtir o grupo. Em analogia, o BLACK SABBATH, junto com o BLUE CHEER, BLACK WIDOW e outros possui muitos elementos de Heavy Metal, mas não todos eles como o JUDAS PRIEST; ainda que todas essas bandas citadas tenham influenciado o quinteto inglês. Arrebatando e finalizando a discução, como veremos a seguir, os irmãos do DEATH seguiram outros caminhos musicais após o fim o da banda, e estavam bem distantes do punk rock.

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04 . A REPERCUSSÃO.

Enfim, ao que parece os críticos são mais receptivos ao Punk Rock do que ao Hard Rock e o disco fez estrondoso sucesso nos EUA. A música "Freakin' Out" apareceu no seriado "How I met your mother" (2010), assim como "You're a Prisioner" figurou no filme "Kill the Irishman" (2011).

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05 . DEATH II: SPIRITUAL, MENTAL, PHYSICAL.

Claro que isso foi possível pela banda ter voltado a ser apresentar ao vivo. As boas vendagens de "...For the Whole World To See" incentivaram a Drag City Records a lançarem mais um apanhado de demos do DEATH, dessa vez intitulado "Spiritual, Mental, Physical" (2011), com composições de antecedem e vieram depois do primeiro LP; 1974 a 1976. O álbum é inconstante, de qualidade crua. Ainda assim, encontram-se ótimas composições em estado bruto, ao lado de brincadeiras no estúdio, sons de um take só e até músicas incompletas.

06 . O DOCUMENTÁRIO DO DEATH.

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Não obstante, o interesse no disco foi o suficiente para o DEATH chamar a intenção de cineastras independes que, assim como o ANVIL, fez o grupo ter ganhado seu próprio documentário, "A Band called DEATH", em 2012. Uma música inédita, "We're Gonna Make It" é executada na película, sendo que ela só seria oficialmente lançada no vindouro disco "Death III" e como lado B do compacto de "North Street" em 2014 (o segundo registro que a banda lançou nesse formato desde 1976).

Confira o trailer abaixo, com participação do, arroz de festa dos documentários, TIA ALICE!

07 . O TERCEIRO CD/LP.

O entusiasmo dos rockers pelo DEATH, pela impressionante história e as músicas pesadas fizeram com o que a gravadora Drag City desenterrasse mais gravações demos do grupo e lançasse uma terceira copilação. Foi em 2014 que o mundo viu o lançamento do disco "Death III". Ao contrário dos anteriores, o período abrangido aqui é bem mais amplo; contendo gravações feitas em 1975, 1976, 1980 e 1992! Isso prova que, mesmo desenvolvendo outras carreiras, "vira e mexe", os Hackney se lembravam de compor e gravar algo para o DEATH. Com duas composições instrumentais, e mais demos caseiras, a qualidade das composições é a mesma, sendo que a gravação e produção é mais rebuscada em certos pontos. Confira uma amostra na canção "North Street", de 1980.

08 . OS PRIMEIROS SINGLES DESDE 1976.

Uma hora, eventualmente, o DEATH ficaria sem gravações antigas para lançar. Mas isso não é problema para músicos competentes, correto? Sim, em 2014, o power-trio compôs um novo som com a mesma vibração e empolgação de outrora e pode o lançar em compacto. Confira abaixo um teaser de "Relief".

O lado B do compacto/cd é preenchido por uma música "de catálogo" dos anos 1970 que ainda não havia sido lançada. Confira "Story of The World" ao vivo em filmagem amadora no vídeo abaixo:

Também no começo de 2014, o DEATH pode lançar seu terceiro single, o segundo desde 1976. Trata-se da canção "North Street", de 1980, que saiu no disco "Death III".

10 . O QUE FIZERAM OS IRMÃOS HACKNEY ENQUANTO O DEATH ESTAVA NO LIMBO?

Logo após o fim do DEATH, os trio mudou de cidade e estado, indo residir em Burlington, Vermont. Junto com o endereço se foi a direção lírica da banda. Seu som continuou sendo Rock'n'Roll / Hard Rock, mas da rebeldia e desilusões, as músicas se tornaram católicas. Enquanto banda de rock gospel, o Dannis, Bobby e David conseguiram lançar dois LP's, ainda inéditos em CD, "The Forth Moviment" e "Totally", respectivamente em 1980 e 1982. Ambas as bolachas são hoje item de colecionador e super disputadas. O sucesso atual do DEATH fez subir o preço até do 4TH MOVIMENT, nome do grupo, que não teve boa aceitação em sua época.

O 4TH MOVIMENT, acabou após o segundo LP. Com o ruir da banda também se separaram os irmãos. David voltou para Detroit. Dennis (bateria) e Bobby (baixo, vocal) continuaram em Burligton.

Junto com o guitarrista Bobbie Duncan, que futuramente seria do DEATH, os dois irmãos entraram para o grupo de reggae LAMSBREAD. Ao que consta na internet, a banda continua ativa; porém não encontramos muito material sobre a mesma (quando começou, quantos discos lançados, nomes dos outros membros etc).

De volta à antiga cidade, David Hackney começou a trabalhar numa nova banda, com ajuda de seus irmãos. David, porém escolheu um pseudônimo: ROUGH FRANCIS! Infelizmente, a carreira do guitarrista foi tragicamente interrompida em 2000, quando ele faleceu vitima de câncer no pulmão. Como testamento, o músico lançou pouco antes de nos deixar um EP independente, 500 cópias, com 04 músicas chamado "Introducing Rough Francis".

Em 2006, quando os filhos do baixista Bobby Hackney resolveram formar uma banda, eles decidiram usar como nome o pseudônimo do tio, como homenagem. Esse novo ROUGH FRANCIS, como já contamos, foi quem muito ajudou no reconhecimento que gerou fama ao DEATH.

Quando o DEATH resolveu retornar a atividade e os discos foram lançados, o ROUGH FRANCIS, o dos sobrinhos, passou a escrever seu próprio material. Assim, em 2014, eles lançaram um disco completo "Maximum Soul Power", lançado em Cd, LP, Fita K-7 e Download, pela Riot House Records.

11 . FINALMENTES.

Nos últimos cinco anos o DEATH conseguiu lançar três discos completos, dois singles, relançou seu compacto de estreia e ainda ganhou um documentário. Em se tratando de rock pesado, com todos seus caminhos tortuosos, é uma trajetória vitoriosa. Com o agravante do grupo ter estado "na geladeira" por mais de três décadas, somos forçados a pensar que caminhos ele poderia ter tomada caso a Columbia Records não tivesse sido tão careta e retrógrada em relação ao nome. Como teria o DEATH desenvolvido sua arte sem essa vil interferência do capitalismo?

Tal teste de imprevisibilidades é nulo agora, pois o que realmente importa é que o DEATH está vivo, tocando se apresentando e compondo. Melhor, com muito ainda a oferecer para "o mundo todo curtir".

DEATH:

Bobby Hackney - baixo, vocal
Dannis Hackney - bateria
David Hackney - guitarra (RIP)
Bobbie Duncan - guitarra (2009 em diante)

DISCOGRAFIA

Politicians in My Eyes / Keep on Knocking (compacto, 1976, relançado em 2013)
...For the Whole World To See (CD, LP, 2009)
Spiritual, Mental, Phisycal (CD, LP, 2011)
A Band Called Death (Documentário, 2012)
Death III (CD, LP, 2014)
Relief (Single, 2014)
North Street (Single, 2014)

12 . SITES RELACIONADOS (em inglês):

http://www.deathfromdetroit.com/
http://dirtcitychronicles.blogspot.com.br/2012/07/the-death-chronicles.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Death_(protopunk_band)
http://en.wikipedia.org/wiki/Rough_Francis

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Sobre Willba Dissidente

Willba Dissidente é fã das bandas de hard rock dos anos 70 e 80 e de metal oitentista dos mais variados países. Quem quiser saber mais deve acessar seu canal no youtube. Obrigado! Stay Hard (True As Steel)!

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