Kadavar: A Herança Germânica do Black Sabbath
Por Ronaldo Celoto
Fonte: Nuclear Blast e Youtube
Postado em 19 de dezembro de 2013
Fiquem de olho neste trio oriundo de Berlim. Com uma sonoridade absolutamente fantástica, o KADAVAR nos remete às atmosferas do início dos anos 70, onde BLACK SABBATH, PENTAGRAM, LEAF HOUND, HAWKWIND, e, posteriormente, WHITCHFINDER GENERAL, tinham em comum as letras marcantes sobre espiritualidade, ocultismo, e, composições galgada por riffs pesados e passagens instrumentais excelentes. Em alguns momentos, eles abandonam esta fusão inicial e migram também, para a vertente que ficou conhecida como ¨krautrock¨, termo associado às bandas experimentais que surgiam na Alemanha há cerca de quarenta anos atrás (NEKTAR, POPOL VUH, FAUTS, AMON DUUL, ASHRA TEMPEL), e, traziam uma musicalidade baseada numa cadência que envolvia momentos que iam do psicodélico ao cósmico, sem perder a força de suas guitarras.
O fato é que o grupo formado pelos músicos CHRISTOPH LINDERMANN (vocal e guitarra), MAMMUT (baixo) e TIGER (bateria), não inventou a roda, e, momento algum, com seus dois trabalhos. Mas trouxe uma sonoridade honesta, competente, e, que remete aos bons e velhos tempos, principalmente (a meu ver) do BLACK SABBATH.
Seu álbum de estréia, homônimo (foto abaixo), lançado em junho de 2012 pela NUCLEAR BLAST, é um dos melhores discos de estréia dos últimos dez anos.
O destaque neste trabalho vai para as faixas ¨Creature of the Demon¨ (fantástica), ¨Black Sun¨ (um verdadeiro show de instrumental e letra) e ¨Forgotten Past¨ (brilhante). Quem viu e ouviu toda esta alquimia em álbuns como ¨Master Of Reality¨, ¨Volume 4¨, ¨Paraboid¨ e ¨Black Sabbath¨, não se assuste, pois realmente, a lembrança é maravilhosa, e, só faz bem à alma. A seguir, pode-se ouvir o álbum, na integra.
Dando sequência à carreira (pois, estamos falando de uma banda que tem apenas dois anos de vida), eles lançaram em abril de 2013 o novo disco ¨Abra Kadavar¨, mais compacto, mais direto, porém, sem perder as incríveis influências e referências (foto abaixo).
É impressionante a qualidade técnica de seus músicos e das canções destiladas neste segundo trabalho. A seguir, uma das canções entre as cinco por mim selecionadas para descrever o disco, a ótima ¨Doomsday Machine¨.
Na mesma linha e com a energia sequencial, a épica ¨Come Back To Life¨ é uma aula de improvisos, boa vocalização e riffs poderosíssimos.
Beirando mais a psicodelia e a licença cósmica, trago também como destaque a faixa ¨Abra Kadabra¨.
¨Dust¨ traz aquele riff pesado e cavalgado, que nos remete a ótimos espasmos comparativos para, por exemplo, a apoteótica ¨Children of the Grave¨, de OZZY, IOMMI, WARD e BUTLER.
Por último, a descomunal ¨Liquid Dream¨, que trafega entre o HAWKWIND e o BLACK SABBATH com extrema realeza. Um petardo absoluto !!!
Eis aqui uma agradabilíssima surpresa. Há muitos anos eu não ouvia algo tão sensacional, e, que, ao mesmo tempo, me transferisse espiritualmente imediatamente para os anos 70, mas com requintes de estar presenciando um dinossauro, um gigante entre os gigantes, e, estamos falando de uma banda surgida em 2012, mas que decidiu, por coração e alma, tocar da forma que eles acreditam que deve ser a verdadeira música.
E, se para muitos eles podem soar datados demais, o fato é que eu ouviria numa ilha deserta os dois discos do KADAVAR, juntamente com muitos e muitos clássicos de tantas lendas de décadas passadas, todos os dias.
Novamente, a Alemanha sai na frente na ¨máquina do tempo¨ da reinvenção sonora com extrema qualidade.
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