New Age: o "G4" do gênero pode ser considerado rock?
Por Bruno Pereira
Fonte: Last FM
Postado em 12 de novembro de 2013
Um dos gêneros musicais mais "místicos" e relaxantes que existem é o chamado New Age, algo como música ambiente mesclada ao folk, música eletrônica, world music, cantos religiosos e uma pitada de rock progressivo.
Quando falamos desse estilo hipnotizante, quatro bandas/projetos logo nos vêm a mente: ENIGMA, ERA, ENYA e DEEP FOREST. Mas, afinal, essas bandas/projetos podem se enquadrar no vasto mundo do rock 'n' roll? Dependendo do ponto de vista, podemos dizer que sim.
Vamos começar a análise por uma das pioneiras do gênero, o ENIGMA. Projeto do músico romeno, baseado na Alemanha, Michael Kretu. Trata-se de uma mistura de estilos como worldbeat, downtempo (subgêneros da música eletrônica mais voltados ao progressivo) e guitarras rock. Ao mesmo tempo em que podemos ouvir "Sadeness (Part I)", que é bastante focada no eletrônico e na música religiosa (são frequentes as sátiras à Igreja em suas composições), também podemos encontrar influências totalmente hard rock, como os vocais e o solo de guitarra de "Modern Crusaders", que mantém a batida que caracteriza o projeto. Por utilizar música religiosa e, ao mesmo tempo, referências à luxúria, a banda ganhou uma certa fama de "pagã" e um status de rebeldia no mundo da música. Isso influenciou (e muito) o francês ERA, que fez muito sucesso no Brasil.
Enigma - Sadeness (Part I)
Enigma - Modern Crusaders
O segundo projeto a analisarmos é o já citado ERA, fundado pelo francês Eric Lévi (que por sinal já tocou em uma banda de glam rock chamada SHAKIN' STREET). Qualquer brasileiro nascido antes da virada do século já deve ter ouvido clássicos como "Ameno" e "Divano". Porém, muitos roqueiros não se interessaram pela banda por causa dessas duas famosas, que dão a entender que a banda faz música religiosa com base em um instrumental neoclássico e eletrônico. Porém, o que se esconde em várias músicas ao decorrer dos bons álbuns do grupo são solos de guitarra maravilhosos, totalmente "Pink Floydianos", bateria visceral e marcante, teclados bem elaborados e vocais em coros afinadíssimos. Podem sim integrar o repertório de bandas favoritas de qualquer headbanger que curta Power Metal ou Gothic Metal, pois têm muito em comum com esses gêneros, tanto na temática quanto na construção das músicas. Porém pendem para o lado relaxante do universo musical. Alguns exemplos são "Omen Sore", com seus belos solos de guitarra slide, e a espetacularmente épica "The Champions", que poderia ser trilha de qualquer filme de batalha medieval.
Era - Omen Sore
Era - The Champions
Outra importante artista new age é a irlandesa ENYA, que possui um estilo único. Mesclando folk, música celta, estilos de seu país natal, a um som totalmente relaxante, com vocais angelicais, acompanhados de piano, teclados, instrumentos de corda e, raramente, percussão. Ouvir ENYA é como ouvir o canto dos anjos, extremamente afinados e bem encaixados, e o instrumental pode, por vezes, ser belo e alegre, e outras vezes pode ser tenso e sombrio como o DEAD CAN DANCE. Além disso, o clássico "The Celts" possui um riff de teclado totalmente rock progressivo, e poderia tranquilamente fazer parte do repertório de um JEAN MICHEL JARRE ou um GENESIS da vida. O estilo de ENYA agrada muito aos góticos e a quem curte música ambiente. Além disso, ela mora em um castelo medieval. Quer coisa mais metal do que isso?
Enya - The Celts
Enya - Only Time
Por fim, os franceses do DEEP FOREST, dupla formada por Michel Sanchez e Eric Mouquet. Essa realmente já "chutou o balde" e demonstrou sua alma rock 'n' roll, principalmente no álbum "Music Detected", com guitarras distorcidas do início ao fim. Porém, antes disso, os álbuns que fizeram a banda se destacar possuíam um estilo impressionante e inédito. Algo como downtempo misturado a world music, ou seja, música étnica dos povos do mundo. No primeiro disco, a banda se aventurou pela África, onde gravou cantos de pigmeus da República Democrática do Congo, os quais foram mixados e mesclados a um instrumetal eletrônico/progressivo maluco e sensacional. Sons da floresta e teclados progressivos caracterizam os primeiros trabalhos da dupla, que, quando resolveram fazer algo mais "rock 'n' roll", receberam até mesmo críticas por parte dos fãs mais conservadores. Porém, o trabalho desses franceses é de uma ousadia digna de qualquer banda de rock progressivo. Vale ressaltar que eles já trabalharam com músicos como JON ANDERSON e PETER GABRIEL, grandes expoentes do gênero.
Deep Forest - Sweet Lullaby
Deep Forest - Boheme
Podemos considerar essas bandas como sendo rock? Depende do olhar com o qual as analisamos. Se procurarmos, podemos achar claros elementos de rock em meio ao maravilhoso mundo do new age. E, só para ressaltar: se artistas como DEAD CAN DANCE, BRIAN ENO, MIKE OLDFIELD e JON & VANGELIS são considerados rock, por que não o poderoso "G4 do new age"?
Recomendado para quem quer se aventurar no lado transcendental da música sem preconceitos e sem medo.
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