Social Distortion

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Por Luiz Alberto Junqueira de Carvalho
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Em algum lugar entre o céu e o inferno: a história do Social Distortion

O termo Emo (Emotional Hardcore), que surgiu no início da década de 80 e após popularizar-se passou a abranger vários estilos de canções românticas, no sentido mais piegas da palavra, designava uma forma de fazer punk rock, que utilizava a subjetividade como meio, ao invés de críticas panfletárias.

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Um sentimento de inadequação e vazio que Buzzcocks, Ramones, Dead Boys, Damned, Television e tantos outros explicitaram no início de forma direta e agressiva ainda estava presente, porém, agora com um ritmo mais lento e letras introspectivas.

Ao lado de Hüsker Du e Fugazi, o Social Distortion pode ser considerado um dos precurssores do estilo.

O grupo surgiu em 1979 na cidade norte-americanda de Orange Country, Califórnia, onde a cena punk estabeleceu sólida estrutura. Esta popularidade pode ser explicada pelo grande números de skatistas no estado californiano, onde o esporte teve início na década de 50. Tanto o punk rock, quanto suas vertentes, mais especificamente o hardcore, costumam ter os praticantes de skate como público.

Da primeira formação do Social Distortion participaram Mike Ness (guitarra e vocal), Casey Royer (bateria), Frank Agnew (baixo) e Rick Agnew (guitarra).

Porém, o primeiro álbum, ‘Mommy´s Little Monster’ contou com Dennis Danell (guitarra), Brent Lies (baixo) e Derek O´Brien (bateria). Derek substituiu Casey e os irmãos Agnew sairam do grupo e formaram outra importante banda da cena de L.A., The Adolescents.

‘Mommy´s Little Monster’ é o registro mais crú e direto do grupo. Entre as canções destacam-se ‘The Creeps’, ‘Telling Them’ e ‘Another State Of Mind’, que ainda são apresentadas habitualmente nos shows. A última é também o nome de um documentário lançado em 1984, com o registro de uma turnê que reuniu Social Distortion, Minor Threat e Youth Brigade, quando as bandas visitaram mais de 20 cidades nos EUA, dentro de um ônibus.

No ano de 1988 foi lançado o álbum ‘Prision Bound’, que deu mostras mais claras do caminho pelo qual o grupo seguiria.

A versão de ‘Backstreet Girl’ dos Rolling Stones (que a banda britânica lançou originalmente no álbum ‘Between The Buttons’, em 1967) e a estrutura melódica de “Prision Bound” demonstram grande influência de blues e rockabilly, algo que ficaria acentuado nos trabalhos seguintes. O visual “glam” dá lugar a topetes e em relação ao álbum anterior, existem duas mudanças: Christopher Reece assume as baquetas e John Maurer o baixo. As canções passam a ter os autores definidos e não são mais creditadas como Social Distortion.

Mas é com o excelente ‘Social Distortion’, primeiro lançado pela gravadora Epic que a banda ganha destaque. Gravado em 1990 com a mesma formação que participou do ‘Prision Bound’, este álbum proporcionou a oportunidade do grupo excursionar com Neil Young. Aqui estão os clássicos ‘Story Of My Life’, ‘Sick Boys’ (regravada pelo grupo MXPX em ‘Let It Happen’) e ‘Ball & Chain’.

A banda produz o primeiro clipe baseado na canção ‘Story Of My Life’.

O peso das guitarras permanece, mas é nítida a influência da música country, seja através de ‘Ball And Chain’ ou na regração do clássico de Johnny Cash, ‘Ring of Fire’.

As letras de Mike Ness, exceção feita ao álbum ‘Mommy´s Littel Monster’, que ainda trazia um discurso panfletário, tratam de desilusão, incompreensão, sempre escritas em primeira pessoa, portanto de um ponto de vista extremamente intimista. Ness usa cenas do cotidiano para falar sobre insatisfação. Um exemplo é a letra da citada ‘Ball & Chain’, que traz os seguintes versos:

‘Well it's been ten years, and a thousand tears/And look at the mess I'm in/A broken nose and a broken heart/An empty bottle of gin/Well I sit and I pray/In my broken down Chevrolet/While I'm singin' to myself/There's got to be another way/Take away, take away/Take away this ball and chain/I'm lonely and I'm tired/And I can't take any more pain/Take away, take away/Never to return again/Take away, take awayTake away this ball and chain’

(Bem, se foram dez anos e milhares de lágrimas/E veja na merda em que estou/Um nariz quebrado e um coração quebrado/E uma garrafa de gin vazia/Então eu sento e rezo/Em meu Chevrolet quebrado/Enquanto eu canto pra mim mesmo/Que isso tem de ser de outro jeito/Leve daqui, leve daqui/Leve daqui essa bola e corrente/Estou sozinho e estou cansado/E não aguento mais a dor/Leve daqui, leve daqui/Nunca volte/Leve daqui, leve daqui/Leve daqui essa bola e corrente).

Mas, o melhor ainda estava por vir. Em 1992, o Social Distortion lança ‘Somewhere Between Heaven and Hell’ e pela primeira vez uma de suas canções ganha destaque nas emissoras de rádio: ‘Bad Luck’ abre as portas para o grupo, que embarca com os Ramones para uma grande turnê.

Com melhor produção e uma formação que permanece a mesma há três álbuns, os riffs inspirados das guitarras e o vocal de Mike Ness se destacam, além do peso da bateria de Christopher Reece. O responsável pela qualidade do som da banda foi Dave Jerdem. Porém, uma curiosidade: Andy Wallace, produtor conhecido pelos trabalhos que realizou com o Nirvana em ‘Nevermind’, com o Sepultura em ‘Chaos A.D.’, com o Faith No More em ‘King For A Day, Fool For A Lifetime’ e com o Slayer em clássicos como ‘Seasons In The Abyss’, mixou e produziu a faixa ‘Bad Luck’.

A banda, que passara a viver uma fase muito popular fora do underground excursionou durante quatro anos, até entrar novamente em estúdio para a gravação daquele que foi o último registro lançado pela Epic.

O ano de 1996 marcou o lançamento do surpreendente ‘White Light, White Heat, White Trash’, que apesar de trazer outra versão dos Rolling Stones (‘Under My Thumb’ do álbum ‘Aftermath’) mostrou guitarras distorcidas e deixou de lado as influëncias de country e blues que faziam parte do som do grupo. O álbum apresenta a mudança de um integrante: o baterista Christopher Reece sai e Chuck Biscuits o substitui.

Os singles ‘Don´t Drag Me Down’, ‘I Was Wrong’ e ‘When The Angels Sing’ tocam nas rádios européias e norte-americanas. A nova sonoridade do Social Distortion ganha destaque com o crescimento do emocore e a banda é convidada para participar da ‘Warped Tour’, turnê que reúne vários artistas e passa por diversos estados dos EUA.

Além do som alto e agressivo, outro destaque é o caprichado encarte deste cd, único lançado no Brasil (surgiram comentários de que ‘White Light, White Heat, White Trash’ foi lançado no país porque a banda tocaria por aqui). Todas as músicas possuem desenhos que as ilustram e o título do álbum é explicado através de fotos que ligam ‘Light’ à anjos e paz, ‘Heat’ à sexo e ‘Trash’ à preconceito e drogas.

Fora da Epic, o Social Distortion voltou a lançar discos pela Time Bomb Records, como acontecia até ‘Prision Bound’. O primeiro foi ‘Live At Roxy’, gravado no teatro Roxy em Hollywood, Califórnia, que capta a banda numa apresentação inspiradíssima, com um repertório que cobre toda a carreira do grupo. O álbum lançado em 1998 se tornou o úlitmo registro oficial do guitarrista Dennis Danell. O único integrante da formação original da banda, além de Ness morreu de aneurisma cerebral em fevereiro de 2000, aos 38 anos.

Em maio do mesmo ano ocorre o show ‘When The Angels Sing’ em benefício da família de Dannel. Além do próprio Social Distortion, apresentaram-se Offspring, TSOL, Agent Orange, Pennywise e a mítica banda X.

No ano seguinte, após completar vinte anos à frente do Social D, Mike Ness lança dois projetos solo: ‘Cheating At Solitarie’ e ‘Under The Influences’. Compostos com apoio de músicos responsáveis por tocar, entre outros insturmentos, banjo, violino e violões, ambos destrincham a influência que a country music exerceu sobre Ness.

O primeiro traz 11 canções inéditas e quatro versões: ‘Long Black Veil’, clássico folk que Joan Baez e The Band gravaram, ‘Send Her Back’, composição de Al Ferrier, ‘Don´t Think Twice’ de Bob Dylan e ‘You Win Again’ de Hank Willians. Duas participações devem ser destacadas: Bruce Springsteen toca guitarra e faz backing em ‘Misery Loves Company’ e Brian Setzer, líder do grupo de rockabilly Stray Cats toca guitarra em ‘Crime Don´t Pay’.

O segundo álbum traz versões para canções country. Estão presentes ‘House Of Gold’ de Hank Williams, ‘Let The Jukebox Keep On Playng’ de Carl Perkins e ‘I Fought The Law’ de Sonny Curtis, que o grupo Clash imortalizou.

Alternando shows da carreira solo com apresentações do Social Distoriton, Mike Ness permaneceu na estrada constantemente até 2004, quando resolveu romper um hiato de 6 anos e gravou o sétimo álbum do Social D, sexto em estúdio. ‘Sex, Love and Rock’N’Roll’ conta com um novo guitarrista base, Jonny Wickersham, um novo baterista, Charlie Quintana, substituto de Chuck Biscuits e John Maurer.

Porém, após a gravação do disco, a banda sofre nova baixa: John Maurer, que tocava com o grupo desde ‘Prision Bound’ resolve sair e em seu lugar entra Matt Freeman do grupo Rancid.

Saem as guitarras distorcidas, entram canções simples e rápidas, com exceção das baladas ‘Footpints On My Celing’ e ‘Winners And Loosers’. É interessante observar que a exaltação ao ‘looser’, ao homem comum deslocado que Mike Ness fez durante toda sua carreira perde espaço para uma visão otimista. Ao contrário do que se poderia supor, devido a morte de Dennis Dannel, á quem presta uma homenagem na canção que abre o disco, ‘Reach For The Sky’, as letras e melodias de Ness soam como se houvesse uma nova chance conforme é possível observar em ‘Live Before You Die’, ‘Angel´s Wings’ e ‘I Wasn´t Born To Follow’. O primeiro single é ‘Nickels And Dimes’ e além daquelas que já foram citadas, é preciso destacar ‘Highway 101’, típica canção para se ouvir na estrada.

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