Breeders
Por David Dias
Postado em 06 de abril de 2006
Em 1980, acontecia em Dayton, Ohio, o único show de um duo de irmãs gêmeas que tocavam e cantavam, totalmente desprovidas de qualquer pretensão profissional para o futuro. O nome das irmãs? Kim e Kelley Deal. E o nome do duo? The Breeders (gíria gay que designa heterossexuais). Em 1989, Kim, então baixista dos Pixies, ressuscitava o nome para formar um projeto com a guitarrista Tanya Donnelly (ex-Throwing Sisters e posteriormente ex-Belly), a baixista Josephine Wiggs (Perfect Disasters) e a violinista Carrie Bradley.
Numa gravação com os Pixies, Kim conhece o baterista Britt Walford, da banda Slint. Walford aceita entrar para o projeto, contanto que usasse um outro nome, para não ofender seus colegas de banda. Pouco tempo depois, o Slint acabou.
A banda viajou para Edimburgo, capital da Escócia, juntou-se ao produtor Steve Albini (que já havia trabalhado no disco "Surfer Rosa", dos Pixies e tornou-se famoso em 1994 por administrar a crueza do disco "In Utero", último de estúdio do Nirvana) e gravou em pouco tempo o disco "Pod", lançado em maio de 1990. Tão pouco tempo que sobraram horas de estúdio depois da gravação, que foram usadas para jams entre os integrantes.
Pouco tempo após o lançamento de "Pod", foi decretado o fim dos Pixies. Kim resolveu dedicar-se totalmente aos Breeders e, em 1992, houve a entrada de mais uma integrante, a irmã Kelley Deal, com quem dividiria vocais e guitarras. Com a nova formação, gravaram o EP "Safari", que seria o último trabalho dos Breeders com Tanya Donnelly e com Britt Walford, creditado no disco como Mike Hunt. Walford foi substituído por Jim McPherson, conhecido pelo seu trabalho com o Guided By Voices e com quem Kim e Kelley tocaram na mesma noite do primeiro show em Dayton. A partir de então, os Breeders passaram a ser uma banda em tempo integral e começaram a fazer mais turnês.
Em 1993, os Breeders (no momento Kim, Kelley, Josephine Wiggs, Jim McPherson e, em um espaço menor, Carrie Bradley) gravaram o disco "Last Splash" em San Francisco, California, enquanto viviam em embarcações ancoradas na cidade. Lançado no mês de agosto, levou a banda a excursionar com o Nirvana, vendeu meio milhão de cópias e teve dois grandes hits: "Divine Hammer" e a antológica "Cannonball", reconhecível após a primeira audição e que ganhou um clipe dirigido por Kim Gordon, baixista do Sonic Youth. Uma outra música do disco tornou-se conhecida de outra forma. Em 1996, o grupo eletrônico Prodigy lançou o álbum "The Fat of The Land", cuja música "Firestarted" continha um sample de "S.O.S".
A vida corrida na estrada levou a banda quase à desintegração. Houve rumores de que Kelley Deal estava viciada em drogas, boatos confirmados posteriormente. Josephine queria um tempo mais tranqüilo para curtir sua nova casa em Nova York. E Kim queria compor, gravar e excursionar mais. Então os Breeders entrou em uma fase de hibernação, enquanto Kim e Jim McPherson formaram a banda The Amps, que lançou o disco "Pacer" em 1995, sem muito sucesso comercial.
Depois de uma turnê mundial, Jim tornou-se pai e resolveu dedicar-se mais à família. Kim passou por uma fase difícil, envolvendo drogas, mas resolveu dar a volta por cima. Aprendeu a tocar bateria, recrutou a irmã Kelley (também viciada na época e passando por constantes crises) e gravou quase que sozinha o disco "Title TK", gravado totalmente à moda analógica de antigamente, sem um único computador. Entre 1999 e 2000, administrou uma nova formação da banda, cujos integrantes tinha uma banda punk chamada Fear e foram assistidos por Kim em um bar em Nova York. Os novos Breeders, além de Kim e Kelley, agora são o guitarrista Richard Presley (parente distante de Elvis), o baixista Mando Lopez e o baterista Andrew Jaimez. Assim que o disco saiu, a banda fez seis shows em bares da Califórnia, foi headliner (banda principal) de um congresso em Chicago, excursionou em um mês pelas principais capitais dos EUA, fez shows pela Europa e chegou a tocar no Brasil, no Curitiba Pop Festival.
Os Breeders fazem um tipo de música único, que convida o ouvinte a reconhecer todos os momentos de sua vida, da beleza de um pôr-do-sol à mais pura melancolia, passando até mesmo pela comédia e pelo vício.
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