Coroner
Postado em 06 de abril de 2006
Por João Wilson
Pra quem nunca ouviu falar, o Coroner foi uma banda suíça de trash das melhores de todos os tempos, embora muito pouco conhecida. Talvez tenha sido a má promoção da Noise Records que foi sua gravadora do início ao fim, mas a banda teve sua parcela de culpa, pois as músicas nunca foram mainstream e a sonoridade mudou (evoluiu) muito de álbum para álbum.
Porém, nada comparado aos conterrâneos do Celtic Frost que, após o marcante "To Mega Therion", tomaram um caminho de inovações meio indefinido e pouco compreendido. Não; através dos trabalhos do Coroner, nota-se um caminho de aperfeiçoamento traçado pelos músicos e que eles próprios assumem: explorando os limites do thrash, eles conseguiam interromper frenéticas levadas (speed metal) e literalmente swingar o ritmo; o baixo incorporava frases que beiravam o jazz e os solos eram elaborados de modo invejável.
O guitarrista Thomas Vetterli e o baterista Marky Edelmann chegaram a excursionar como roadies nas primeiras turnês do Celtic Frost. Após isso, Vetterli e o baixista/vocalista Ron Broder começaram uma banda em Zurique. Pouco depois, Edelmann se juntou aos dois e nascia o Coroner. Para fins artísticos, Thomas Vetterli ficou Tommy T. Baron, Ron trocou o sobrenome Broder por Royce e Marky Eldemann virou Marquis Marky. Após gravarem uma demo chamada Death Cult, onde o lendário Thomas Gabriel Warrior (líder do Frost) cantou como convidado, a banda assinou com a Noise.
Em 1987, o debut: R.I.P. A speed instrumental "Nosferatu" e "Suicide Command" (uma verdadeira jam-thrash) são destaques imediatos, além de "Spiral Dream" composta por Tom Warrior. Em 1988, outro petardo: Punishment for Decadence com as alucinantes "Masked Jackal" (crítica aos políticos), "Absorbed" e o inusitado cover de "Purple Haze".
Se o primeiro trabalho é mais cru e o segundo melhor produzido, o terceiro marca o início dos experimentos para a banda. No More Color, de 1989, traz algumas musicas mais ritmadas e menos corridas, mas ao mesmo tempo é uma vitrine para as habilidades de cada um. Um disco tão bom que fica difícil apontar destaques. Vale conferir as poderosas "Read my scars" e "Tunnel of Pain".
Mental Vortex, de 1991, é um álbum desacelerado, mas não descaracterizado. Produzido por Tom Morris, ele traz um cover de "I Want You" dos Beatles, que é uma verdadeira conversão ao trash, além de "Son of Lilith" com um dos solos mais inspirados de todos os tempos. Mental Vortex ainda apresenta alguns backing vocals femininos e passagens de teclado.
A evolução culmina com Grin, de 1993, definitivamente sem a agressividade trash. São musicas mais morosas, atmosféricas e até com passagens eletrônicas. Isso dividiu os fãs, mas os músicos consideram que foi um excelente álbum, parte da busca pela perfeição.
O desgaste de relações e as tensões internas fizeram o grupo acabar em 1994, mas a Noise ainda forçou um sexto disco. Coroner, de 1995, é uma compilação de faixas novas, gravações inéditas e algumas musicas clássicas. O baterista Peter Hass (Mekong Delta/ Babylon Sad) foi chamado para esse último trabalho, pois Eldemann já não quis cooperar. No entanto, a separação foi amistosa e nenhum maldiz o outro.
Apesar da curta história, o Coroner atingiu um patamar único. Os críticos chegaram a taxar a banda de trash progressivo, devido à sonoridade tão visionária que ela tinha. Os solos de Vetterli eram incrivelmente bem elaborados e limpos, ao contrário da maioria nesse estilo. As letras não eram profanas ou extremadas, mas engajadas, escritas pelo baterista – um leitor assíduo e quem também fez toda a arte das capas. Ron Royce, é um monstro do baixo e além de encaixar melodiosas frases na pancadaria, cantava e bem com sua voz torturada.
As turnês não saíram da Europa e lá mesmo é onde fica grande parte dos fãs, porque, como já foi dito, promoção (leia-se dinheiro) não foi o forte da banda.
Após a separação, Ron Broder resolveu dar um tempinho na música. Marquis Eldemann tem um projeto de metal-industrial na Suíça com Tom Warrior, chamado Apollyon Sun. Thomas Vetterli, depois de algum tempo num projeto seu chamado Clockwork, gravou dois discos com o Kreator, Outcast (1997) e Endorama (1999), porém não teve muitas oportunidades (com referência às suas habilidades) em nenhum.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



19 shows internacionais de rock e metal no Brasil até o final de agosto
Ex-membros de Primal Fear e Gamma Ray formam nova banda, Fearless V
O clássico do Black Sabbath em que Ronnie James Dio atingiu a nota mais alta de sua carreira
5 clássicos do rock que chegam ao ápice já na introdução, segundo a Far Out Magazine
O músico que Steven Tyler chamou de sua alma gêmea; "Não sou gay, mas eu o amo"
Como uma canção pop de 1968 separou o The Smiths no auge do sucesso?
Fabio Lione reage extremamente irritado após Circo Voador admitir erro sobre show com Edu Falaschi
Wacken Open Air confirma 50 primeiras atrações para 2027
Os 5 melhores álbuns de todos os tempos, segundo Lucas Inutilismo
Steve Harris defende "No Prayer for the Dying", oitavo álbum do Iron Maiden
Derrick Green revela que banda pós-Sepultura terá algumas características diferentes
Recaída no alcoolismo quase matou Phil Collins em 2024
O primeiro guitarrista que fez Slash se apaixonar pelo instrumento
A melhor música do Van Halen, de acordo com a Classic Rock
As 10 melhores músicas do rock lançadas em 2026 até aqui, segundo a Ultimate Classic Rock
Doom Metal: os dez trabalhos essenciais do estilo
A resposta de Edu Falaschi depois que Adrian Smith rejeitou seu pedido de fã
Bumblefoot diz que seu pior show com o Guns N' Roses foi no RIR



Téléphone: A banda que revolucionou a música francesa
Presença de Palco: dicas para iniciantes
George Harrison: O Beatle calado, sempre à sombra de Lennon e McCartney



