Bonzo - o homem do pé de coelho
Por Márcio Ribeiro e Marcos A. M. Cruz
Postado em 25 de setembro de 2000
Antes de Bonham, a maioria esmagadora dos bateristas era de indivíduos pequenos, magros, que se valiam basicamente da técnica ou agilidade para tocar, passando-nos uma imagem um tanto quanto "frágil" até.
"Jimi Hendrix disse uma vez para Bonzo: 'cara, seu pé direito é como o de um coelho.'" (Robert Plant)
Foi ele quem consolidou a imagem do baterista "de Rock", aquele indivíduo que massacra os bumbos sem dó nem piedade, e contribui para tornar o som da banda denso, pesado. Mas aliada à sua pegada forte, Bonzo também era detentor de uma técnica precisa e de uma criatividade inesgotável.
John Henry Bonham nasceu em 31 de maio de 1948, em Redditch, na cidade de Worcestershire, Inglaterra. Filho de carpinteiro, desde cedo gostava de batucar nas panelas e chaleiras. Aos dez anos de idade, sua mãe lhe presenteou com uma caixa, em uma última tentativa de salvar suas panelas. Aos quinze, seu pai comprou-lhe uma bateria de segunda mão, e aos dezesseis ele passou a trabalhar com o pai, na época mestre de obras, carregando material em uma construção. O trabalho reforçou sua musculatura, e lhe permitiu alguma independência financeira para poder tocar em bandas no seu tempo livre.
A primeira banda que se têm notícia onde Bonham tenha tocado foi o Terry Webb & the Spiders, onde todos curiosamente trajavam jaquetas roxas. Sua personalidade calma e amigável (quando sóbrio), somadas a seu corpanzil, lhe renderam o apelido de "Bonzo", em homenagem a um cão, personagem de um programa infantil popular na época.
Bonzo passou ainda pelo Nicky James Movement, onde teve sua bateria roubada (na época, um prejuízo considerável); depois foi para a Way of Life, ocasião em que casou com sua namorada da escola, Pat; e por fim, o The Crawling King Snakes, onde Bonham conheceu Robert Plant. Fizeram amizade rapidamente e Plant, obrigado a sair de casa para poder seguir seu sonho de ser cantor, acabou morando com Bonham e sua família por um pequeno período de tempo. Sonhando ser algum dia tão reconhecido quanto seu então herói, Keith Moon, do The Who, Bonham começou a enxertar folha de alumínio no seu bumbo para aumentar o estrondo.
Sua reputação como um baterista que toca pesado se alastrou por Birmingham e pelas Midlands. Mas esta fama inicialmente se mostrou prejudicial, pois certas casas se recusaram a receber as bandas em que tocava, simplesmente pelo volume de barulho e a fama de ocasionalmente estourar a pele do bumbo, quando se empolgava além da conta. Isto obrigava Bonham a aprender a tocar de forma mais suave, aprendendo com mais swing a obter volume sem a necessidade de excessiva força física. No processo, ele desenvolveu o espetáculo de solar sem baquetas, tocando só com as mãos. Eis que, com o surgimento do Cream, Ginger Baker começava a ser objeto de estudo e influência sobre o baterista.
Em 1967, Plant e Bonham gravaram juntos o compacto "Long Time Coming/I've Got A Secret", lançado pela CBS. Tocando novamente juntos na Band Of Joy, abriram para Terry Riley, que posteriormente recomendaria Plant para Jimmy Page, que estava à procura de gente para sua banda. Bonzo inicialmente recusou o convite de se juntar ao grupo, pois estava propenso a participar da banda de Tim Rose, aceitando participar apenas de um ensaio, mesmo assim após muita insistência. Foi a primeira vez que o quarteto - Page, Jones, Plant e Bonham - tocava junto, e a química provou ser fantástica. Assim nascia The New Yardbirds, que dentro de poucos meses seria rebatizado de Led Zeppelin. O resto é história.
Em maio de 1969, Bonham, juntamente com Jimmy Page, Jeff Beck, Noel Redding e outros, participou do único álbum do "Lord Sutch & Heavy Friends". Na década seguinte, mais três participações especiais: na faixa "Keep Your Hands On The Wheel", do LP "On The Road Again", de Roy Wood, e em "Rochestra Theme", numa versão em estúdio registrada no LP "Back To The Egg", de Paul McCartney, e em outra ao vivo, gravada no "Concert For Kampuchea", lançado em LP e filme homônimo, ambos editados entre 1979/1980. Participou ainda, apenas como ator, do filme "Son Of Dracula", misto de horror/musical, filmado em 1974, produzido por Ringo Starr e estrelado por Harry Nilsson, onde Bonzo interpreta um... músico!
Em 1980 havia finalmente deixado a heroína, mas em contrapartida, começou a beber além da conta. Aliado a isto, também estava usando uma droga chamado "Motival", recomendada pelo seu médico para aliviar a ansiedade ocorrida durante os períodos iniciais de abstinência.
No dia 24 de outubro, viajou de Worcestershire para se encontrar com a banda nos Bray Studios, com o objetivo de participar de uma reunião para planejar uma turnê pelos Estados Unidos. Durante a viagem, tomou quatro doses quádruplas de "screwdriver" (vodca com suco de laranja), e continuou bebendo durante a reunião. Depois foram todos para uma festa na casa de Page, onde ele bebeu pelo menos mais duas ou três doses duplas de vodca antes de apagar no sofá. O assistente de Jimmy, Rick Hoggs, por volta da meia-noite levantou Bonham e ajudou a levá-lo para uma cama. Não era a primeira vez que Hoggs fazia isto. Deixou-o deitado de lado, escorado por travesseiros.
No início da tarde do dia 25, Benji Le Fevreum, técnico de som da banda, foi acordá-lo e encontrou o baterista já azul e sem pulso. Ao ser informado da morte do velho amigo, Robert Plant foi imediatamente para a casa do seu amigo para confortar sua esposa Pat Bonham e seus filhos. O médico que o examinou atestou ter havido "suicídio acidental", afinal Bonzo bebera em doze horas quarenta doses de vodca, tendo depois sufocado em seu proprio vômito. Acredita-se que ele tenha morrido nas primeiras horas da manhã. A polícia investigou a residência de Page e não encontrou nada suspeito.
Em 4 de dezembro de 1980 a banda anunciou estar encerrando as atividades. Do legado de Bonzo permaneceram suas gravações e seus "herdeiros": sua irmã Deborah, cantora de blues/pop, e seu filho Jason, que prosseguiu na carreira do pai. Deborah chegou a prestar homenagem ao irmão numa apresentação junto ao Van Halen, onde interpretaram "Rock & Roll". Jason assume a bateria do Led Zeppelin em uma apresentação da banda por ocasião dos quarenta anos da Atlantic Records.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



As duas músicas do Metallica que Hetfield admite agora em 2026 que dão trabalho ao vivo
A música de Raul Seixas que faria ele ser "cancelado" nos dias de hoje
Os três gigantes do rock que Eddie Van Halen nunca ouviu; preferia "o som do motor" do carro
Suposta filha secreta de Freddie Mercury morre aos 48 anos, diz família
Regis Tadeu revela qual lado está errado na treta do Sepultura com Eloy Casagrande
A música "mais idiota de todos os tempos" que foi eleita por revista como a melhor do século XXI
Festival SP From Hell confirma edição em abril com atrações nacionais e internacionais do metal
A banda de rock que lucra com a infantilização do público adulto, segundo Regis Tadeu
Novo álbum do Kreator, "Krushers of the World" é elogiado em resenha do Blabbermouth
Como é a estrutura empresarial e societária do Iron Maiden, segundo Regis Tadeu
"Obedeço à lei, mas não, não sou de direita", afirma Dave Mustaine
As melhores músicas de heavy metal de cada ano, de 1970 a 2025, segundo o Loudwire
Marcello Pompeu lança tributo ao Slayer e abre agenda para shows em 2026
Dave Mustaine diz que mortes de Ozzy Osbourne, Dio e Lemmy Kilmister o afetaram
O clássico que é como o "Stairway to Heaven" do Van Halen, segundo Sammy Hagar


A música do Led Zeppelin IV que Jimmy Page disse que não dava para reproduzir
O legado que Jimmy Page gostaria de deixar para a história; "É isso que importa de verdade"
O brasileiro que deixou Jimmy Page desconfortável: "Me recuso a responder essa pergunta"
A guitarra roubada de Jimmy Page que retornou décadas depois; "acho que ele morreu"
3 clássicos do rock que ganham outro significado quando tocados ao contrário
A curiosa relação entre Led Zeppelin e Nirvana feita por Malcolm Young
O baixista que quase ocupou o lugar de John Paul Jones no Led Zeppelin
Frontman: quando o original não é a melhor opção
Pattie Boyd: o infernal triângulo com George Harrison e Eric Clapton


