Rock Brigade, duzentas vezes Rock'n'Metal

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Por Marcos A. M. Cruz
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"Hello, moçada, aqui estamos com nosso (inclusive de vocês) primeiro informativo. Parece que nossa intenção já é sabida, mas vale repetir: procurar de todas as formas possíveis divulgar o Heavy Metal Rock".

Estamos em fevereiro de 1982. Com estas palavras, iniciava-se o então fanzine ROCK BRIGADE, trazendo doze páginas xerocadas com matérias sobre DEEP PURPLE, AC/DC, URIAH HEEP, OZZY OSBOURNE (cuja foto figurava na capa) e a tradução de uma música do DEF LEPPARD, que serviu para batizar o informativo.

Hoje, passados vinte e dois anos, a agora consagrada revista ROCK BRIGADE, com tiragem de 60.000 exemplares, é distribuída no Brasil e em Portugal, e desde agosto de 2002 passou a ostentar o posto de revista de música com maior número de edições publicadas na América Latina, e uma das maiores e principais publicações do gênero no mundo!

Com certeza algum engraçadinho vai escrever no mural: 'que puxada de saco do Whiplash, hein!'. Mas levando-se em consideração que nego detona inclusive as próprias bandas e músicos que tanto aprecia, isto não nos surpreende, pois criticar é muito fácil, difícil é fazer...

O fato é que a Rock Brigade, malgrado as críticas aos supostos defeitos que teria (quem não os têm?), merece não apenas uma salva de palmas, mas também um verdadeiro espocar de fogos de artifício, por ter sobrevivido todos estes anos em meio a uma economia instável, com direito a planos econômicos mirabolantes, recessões, e tudo mais.

Acontece que, quem está chegando agora, na era do MP3, não faz idéia de como eram as coisas no início dos anos oitenta, quando não havia internet, muitos discos não eram sequer lançados em nosso país, e, excetuando-se 'medalhões', obter informações sobre bandas de Rock em geral era algo muito difícil.

Heavy Metal então, era coisa de meia dúzia de malucos...

Pois graças a alguns destes 'malucos', que resolveram montar um fã-clube dedicado ao gênero para basicamente vender discos, fitas, vídeos e camisetas, é que surgiu o fanzine, na época editado por Roney e Roger Slemer, Ricardo Oyama, Eduardo Bonadia e Antonio Pirani.

Nos dois primeiros anos, o esquema ainda era um tanto quanto artesanal, embora muitos progressos viessem ocorrendo, tendo surgido correspondentes internacionais, pôsters e capas já vinham coloridas, distribuição nacional (a partir do nº.19), etc. Sem contar que muitas bandas que se tornariam famosas posteriormente apareciam primeiro na Brigade - um bom exemplo é o METALLICA, que mereceu uma capa na edição nº.15, de 1983, época em que ninguém no Brasil os conhecia.

Por outro lado, até então a revista ainda mantinha uma postura ligeiramente radical, como pode ser constatado no editorial da ed.nº.21:

'A energia do METAL é inesgotável, e nela buscamos o Segredo do Aço, para não esmorecer e permear as trilhas que nos levam ao crescimento, trazendo cada vez mais o melhor para o headbanger brasileiro. Com um detalhe importante: o underground é e sempre será nosso reduto catalizador de energia'.

Entretanto, a partir do nº.23, o direcionamento editorial da revista foi aos poucos deixando este radicalismo de lado, passando a adotar uma postura mais profissional, não deixando de lado o Rock, mas sem questionar se vinha de uma banda que ralava de forma independente ou se havia o apoio de uma major por trás.

Paralelamente, em 1986 foi criado o selo Rock Brigade Records, cujo primeiro título foi o 'Bloody Vengeance', do VULCANO, e que em pouco tempo passaria a distribuir diversos outros artistas nacionais e internacionais, tendo sido responsável pelo lançamento de bandas tais como o Viper, entre outras.

E, a partir da edição nº.28, de julho de 1988, a revista passa a ter periodicidade mensal, ao mesmo tempo em que expande ainda mais seus horizontes, abrangendo diversos outros estilos dentro do universo roqueiro - como exemplo podemos citar a edição nº.40, que traz uma biografia do ELOY, uma entrevista com Quorthon, do BATHORY, cobertura dos shows do URIAH HEEP no Brasil e de uma feira de música realizada em São Paulo - além de inúmeras matérias especiais ('Mulheres no Rock', 'O Marketing no Rock', 'Progressivo: A viagem do Rock', 'Como se tornar um crítico de Rock', etc).

Histórica foi também a edição nº.50, de agosto de 1990, que trazia uma matéria especial contando a história do Heavy no Brasil, história esta que com certeza a Brigade não apenas presenciou, mas também fez parte! Sem contar a também histórica foto da capa, que juntou Cláudio (VODU), Osvaldo (MADE IN BRAZIL), Júnior (PATRULHA DO ESPAÇO), Catalau (GOLPE DE ESTADO), Yves Passarell (VIPER), Mila (VOLKANA), Paulão (CENTÚRIAS) e Betão (KORZUS).

A partir daí em diante, já devidamente consolidada e com uma sucursal nos EUA, a revista não parou de crescer, passando a cobrir shows internacionais e a publicar entrevistas exclusivas.

Como inúmeros redatores e colaboradores passaram pela Brigade durante todos estes anos, é impossível enumerá-los sem cometer alguma injustiça, esquecendo de alguém; entretanto, podemos citar Aloísio de Oliveira Leme, Ciro Hiroshi Hiruma, Marcos Cardoso, João Cucci Neto, Jefferson Araújo Pereira, Vitão Bonesso (cuja estréia se deu na edição nº.35, com uma matéria sobre o BUDGIE), W. Perna (do GENOCÍDIO), Marco A.Fonseca, Ayrton Mugnaini Jr., Eduardo Russomano, Valdir Montanari (que manteve a coluna 'Univers Music' entre os números 64 e 149), André Luiz Cagni, Vespaciano Ayala, Paulo Caciji, o lendário Leopoldo Rey, Henry Ho, etc, etc...

Atualmente, a revista conta com três redatores fixos (Fernando Souza Filho, Ricardo Franzin e Antônio Carlos Monteiro, o 'Tony', que está na RB desde outubro de 1989), além das habituais dezenas de colaboradores no Brasil e no exterior. Sem contar o Tiago Bechara, que cuida da divulgação e redige alguma matéria vez por outra, o Adriano Coelho, que faz a discotecagem e produção do 'Brigade Friday' (tradicional festa da que rola uma sexta-feira por mês, trazendo bandas ao vivo e muito Metal e Rock'n'Roll nos alto-falantes) e também toda uma equipe administrativa, comandada pela diretora Isolda Pirani. Sem esquecer é claro o editor Antonio Pirani, único remanescente daqueles 'malucos' que fundaram o fã clube no início dos anos oitenta.

Naturalmente, muitos episódios pitorescos ocorreram no decorrer de todo este tempo, conforme relata Tony: 'Há muuuuuito tempo, antes do computador, a Brigade tinha sede numa casa que ficava ao lado de um estabelecimento onde, digamos, moças de vida fácil faziam um trabalho difícil... A partir de uma certa hora, era impossível trabalhar, já que um dos quartos era colado na redação e os gemidos que vinham de lá impediam qualquer concentração. Mas o pior é quando uma das moças em especial ia para aquele quarto: além de gemer, ela tossia pra valer!!! Era uma barulheira só - e era hilariante!'

'Por outro lado, acontecem episódios bem mais sérios e que são gratificantes demais. Como quando o Gene Simmons convidou nosso correspondente em Los Angeles para assistir a um ensaio do Kiss - e que virou uma enorme entrevista! E quando colocamos pra rodar o DVD Rock In Rio e vimos que a Brigade estava lá, entregando os prêmios de Melhores do Ano para os caras do IRON MAIDEN. São coisas que não têm preço!'

Com certeza não têm mesmo, Tony! Nós do Whiplash desejamos os parabéns à revista, e esperamos estar daqui a pouco mais de oito anos escrevendo sobre sua 300ª edição!



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