Doro Pesch: "Dio era uma das melhores pessoas que já viveram"

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Doro Pesch: "Dio era uma das melhores pessoas que já viveram"

Postado por Julia Sabbaga | Fonte: Wikimetal

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Matéria publicada em 12/03/13. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

O Wikimetal disponibilizou a tradução da conversa com DORO PESCH!

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Leia aqui a entrevista.

Wikimetal (Daniel Dystyler): Alô, Doro?

Doro Pesch: Sim, oi! É o Daniel?

W (DD): Sim, aqui é o Daniel, do Wikimetal, do Brasil. Como você está?

DP: Oi, eu estou bem, muito bem. E você?

W (DD): Eu estou bem. Doro, é realmente uma honra ter você aqui no nosso programa, nós ouvimos a sua música desde os seus tempos no WARLOCK, desde os anos 80, então é muito, muito bom ter você aqui no Wikimetal. Então primeiramente, seja bem vinda, e obrigada por passar o tempo conosco.

DP: Ah, muito obrigada. Eu estou muito feliz de estar aqui, eu amo todos os fãs brasileiros, e eu amo o Brasil, então é muito legal, eu estou muito feliz e empolgada.

W (DD): Doro, em primeiro lugar, deixe-me parabenizá-la pelo seu último álbum, “Raise Your Fist”, é um álbum ótimo e nós estamos muito feliz que a Doro está produzindo música de tanta qualidade. Então você poderia falar um pouco sobre como a recepção do álbum pelos fãs está sendo até agora?

DP: Sim, nós fizemos turnê pelo mundo todo, nós fizemos turnê pela Europa e pela Escandinávia, e os fãs amaram. Nós fizemos… Sim, tipo, 5 ou 6 músicas do novo álbum, entre outros álbuns, algumas músicas do Warlock. E eu acho que o material novo está realmente fantástico, eu acho que a “Raise Your Fist” é incrível. Nós tocamos em algumas cidades, alguns países… Os fãs amaram… Ver os punhos deles no ar, sabe, é uma das melhores coisas, e ouvi-los cantando junto… Eu nunca vi tantos punhos. Foi muito legal, quando eu estava em Wacken, em um show, eu disse “Quero ver os seus punhos!” e tinham 60 mil punhos no ar. Foi muito legal de ver. Eu não poderia ter ficado mais feliz.

W (DD): Uau, isso é muito legal de saber. A fora a ótima música no álbum, também há fotos muito boas que você colocou, então nós recomendamos fortemente que os nossos ouvintes comprem o CD do “Raise Your Fist”. Eu percebi que você tem fotos com o LEMMY e com o inesquecível RONNIE JAMES DIO. Você poderia falar um pouco sobre, primeiramente, gravar uma música com o Lemmy, a “It Still Hurts”, e também sobre o Dio, você fez essa ótima música “Hero” para ele, então você poderia compartilhar algumas lembranças sobre as sessões de gravação com o Lemmy, e também sobre produzir uma música para o Dio?

DP: Sim, eu adoraria. Eu conheci o Lemmy muitos anos atrás, no começo dos anos 80, e nós nos tornamos grandes amigos, e nós fizemos turnê juntos muitas vezes, e nós tocamos em muitos festivais. E nessa última vez, eu estava com o Lemmy na gravação do álbum “Calling The Wild”, e nós gravamos o clássico do MOTOÖRHEAD “Love Me Forever” e a outra música foi “Alone Again”, e o Lemmy disse “Ah, eu tenho essa ideia, você quer ouvir?” e eu disse “Ah, eu adoraria.” E ele tocou essa ideia para mim, o Lemmy cantando era tão bonito, tocou a minha alma profundamente, uau, foi inacreditável. Então agora, tantos anos depois, eu tive essa ideia para a música “It Still Hurts” e eu comecei a cantar, e eu pensei… E eu meio que… Eu ouvi ele cantando na minha cabeça, então eu mostrei a música para ele e ele disse “Ah, vamos fazer, eu adorei” e nós gravamos a música em L.A, e na verdade, o Lemmy… Ele foi tão bacana, e nós dois nos divertimos muito no estúdio, e eu amo muito ele, ele é uma ótima pessoa, um ótimo músico, e os vocais dele no “It Still Hurts”, uau, eles realmente me abalam, eles têm tanta emoção e profundidade, eu amo, é uma das minhas músicas preferidas do álbum. É uma honra trabalhar com o Lemmy nesse álbum, especialmente nós sendo tão amigos, é algo que… Eu não sei, eu acho que nós ficamos cada vez mais amigos esses anos todos, e ele é muito próximo de mim. E outra pessoa incrível era o Ronnie James Dio. Eu estive com ele muitas vezes. Na verdade, a primeira vez que eu fiz uma turnê na Europa foi em 87, depois do álbum “Triumph and Agony”, e então eu conheci ele, ele foi muito legal, super simpático, um artista muito bacana. Eu confiava nele, nós fizemos turnê juntos, eu abri para o “HEAVEN AND HELL”, e nós fizemos uma longa turnê americana em 2000, e nós nos tornamos grandes amigos. E o Ronnie realmente era uma das pessoas mais amáveis e a voz dele era tão incrível. E quando eu soube que ele havia falecido, por duas semanas, eu não consegui acreditar, de tão triste, foi tão difícil. Eu queria escrever uma música para ele, eu tinha essa melodia na minha cabeça… Porque era muito importante para mim fazer tudo certo, e nós terminamos a música dois dias depois, e ficou honesta e sincera, foi a música mais importante para mim de colocar nesse álbum. Ele era uma das melhores pessoas que já viveram e eu sempre vou amá-lo. O Ronnie está sempre no nosso coração, sempre estará, sabe.

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W (DD): Sim, é uma ótima música, e logo no começo, você diz “É como um arco íris no escuro”, é muito bom lembrar de uma das melhores músicas do Dio, é demais. Nós temos uma pergunta clássica no nosso programa, que nós fazemos a todas as pessoas que nós entrevistamos, que é, imagine que você está ouvindo o seu iPod no modo shuffle, e tem monte… Milhões de músicas de Heavy Metal tocando, e de repente uma música começa a tocar que faz você perder a cabeça e começar a headbangear imediatamente, independente de onde você esteja, você não consegue se conter, você não consegue se controlar. Que música seria essa, para que nós possamos ouvi-la no programa agora?

DP: Posso escolher uma só ou mais? Mais de uma?

W (DD): Só uma, e nós vamos tocá-la agora, no nosso programa.

DP: OK. Uma música que sempre me dá muita energia, e sempre faz meu coração bater mais forte, porque nós os amamos, é a “Ace of Spades”, do Motörhead e do Lemmy.

W (DD): Doro, você teve uma carreira incrível, desde o Warlock até esse último álbum. Como você se envolveu primeiramente com a música, e como foi o começo da formação da banda? Quais foram os principais obstáculos que você teve que enfrentar antigamente?

DP: Na verdade, eu comecei a me apaixonar por música quando eu tinha três ou quatro anos. Eu era muito jovem, e a música sempre foi a coisa mais importante para mim. E então, quando eu formei a minha primeira banda, eu tinha 15 anos, e eu tive muitas bandas, e então eu formei a banda Warlock, e eu acho que nós estávamos no lugar certo na hora certa, e foi o começo de uma era incrível, que só trouxe coisas boas. E nós tocamos com muitas bandas, foram muitas bandas e álbuns, como o METALLICA, eles tinham acabado de fazer o álbum “Kill ‘Em All”. E uma vez, esse dono de clube disse “Ei, eu quero montar um pequeno festival, vocês querem tocar?” e nós dissemos “Sim, nós queremos” e ele disse “É, eu estou tentando conseguir essa banda dos Estados Unidos, eles são de São Francisco” e nós dissemos “Ah, parece ótimo.” E nós fomos para esse clube, era na Bélgica, e sabe, nós nos divertimos muito, tinham muitos fãs lá, nós pulamos do palco, no meio da multidão e tudo. E nós dissemos “Ei, vamos conferir a outra banda.” E nós não conhecíamos a banda, e quando nós fomos para o palco, era o Metallica, e eu acho que foi um dos primeiros shows deles na Europa. E nós vimos a banda e pensamos “Uau! Isso é fantástico.” Dava para ver que eles eram muito bons, dava para ver a magia. E então outras pessoas ficaram sabendo do Warlock, e então nós fizemos uma turnê – na verdade, nossa primeira grande turnê foi em 86 – e foi um sonho que se tornou realidade com a minha banda preferida – e isso foi em 86. E então eu larguei o meu emprego, eu trabalhei com artistas de gravadoras, e eu pensei “Eu vou tentar” e nós tocamos em um monte de festivais de rock, foi incrível, antigamente nós tínhamos esses grandes festivais. E foi uma formação ótima, era Motörhead, Scorpions, e Warlock. Todo esse tempo, nos anos 80, nós fizemos grandes turnês, e então em 87, nós fizemos a “Truth and Steel Tour”, foi inacreditável, foi tão legal. E então nós quisemos ir para a América, e nós fizemos uma longa turnê com o Megadeth, e isso foi, é, foi em 87, 88, esse foi o pico para nós e para o Heavy Metal, foi tão louco, foi ótimo. Era incrível, e parecia que sempre seria melhor e melhor. E então, nos anos 90, foi inacreditável que de repente o Metal não era mais a grande coisa, de repente o grunge tinha virado a nova sensação. Eu tentei continuar, e nós fizemos álbuns, mas alguns dos álbuns não foram lançados, porque as gravadoras diziam “Ah, isso não é grunge”, e eles não gostavam da música, então… Mas eu disse “ Eu vou fazer o que for preciso.” E então, em 1999, eu disse “O Metal está voltando.” E foi ótimo. Foi quando nós fizemos o álbum “Calling The Wild” com a participação do Lemmy. E de 2000 em diante, eu sinto que o Metal está subindo cada vez mais. Sim, e Metal está crescendo e ficando cada vez maior no mundo todo.

W (DD): Sim, e agora está de volta e muito forte. Doro, parabéns pela grande versão que você fez da “Nothing Else Matters”, do Metallica. Como foi isso para você, você gostou de fazer?

DP: Sim, sim. O Metallica, eles me perguntaram se eu queria fazer uma música para o seu álbum tributo, eles estavam celebrando o “Black Album”, e eu disse “Ah, eu adoraria.” Então foi muito divertido fazer essa música, eu amei… Então foi muito legal de fazer.

W (DD): Muito bom. Desde os tempos do Warlock, você sempre gravou músicas, ou partes de músicas, em alemão. Você considera gravar um álbum inteiro em alemão no futuro? Tipo a “Fur Immer” ou a “Angels”, essas músicas que você colocou algumas palavras em alemão.

DP: Sim, eu fiz uma ou duas músicas em alemão, em… Eu adoro. Mas quando você canta alguma coisa em inglês, isso automaticamente soa legal, e em alemão, soa… Eu não sei… Eu já pensei nisso algumas vezes, mas na verdade, eu sei que nós precisamos ser globais, e em alemão fica uma coisa limitada, para alemães apenas. Eu acho que uma ou duas músicas ficam interessantes em um álbum, mas não todas. Mas algumas vezes, há algumas músicas que você pensa “Ah, vamos tentar…” Eu adoro todas as línguas, sabe.

W (DD): Muito bem. Nós estamos quase chegando no fim da nossa entrevista, mas antes de te liberarmos, eu gostaria de perguntar qual seria seu conselho para uma garota que quer cantar em uma banda de rock? O que é preciso para ter uma carreira tão incrível como a sua?

DP: Eu diria, sabe, sempre, sempre siga o seu coração, siga os seus instintos, siga a sua alma. E, sabe, faça o que você planeja, dê 100%, aplique todo o amor e dedicação nisso. E seja você mesmo, nunca deixe que eles mudem o que você acha que é certo, e continue sempre. Nunca desista, e sempre tente. E quando você for derrubado, apenas volta lá para fora e tente, tente ainda mais. Quando você acredita no que você ama, você definitivamente obtém sucesso. E para todo mundo, boa sorte, continuem na briga, e tentem se cercar de pessoas que te apoiam, te amam, pessoas que acreditam em você, e se ninguém acreditar em você, acredite em você mesmo. Vá em frente e faça o que você ama e o que parece certo para você.

W (DD): Excelente. E para terminar essa grande entrevista, você poderia escolher uma música do seu último álbum para que nós possamos ouvi-la agora?

DP: Ah, sim! Você quer mais uma pesada, ou podemos tocar a com o Lemmy? Ah, sim, eu acho que é uma ótima ideia, porque essa música é inacreditável. Sim, toque a música que nós gravamos com o Lemmy, do Motörhead, “It Still Hurts”!

W (DD): Muito bom, ótima escolha, muito obrigado pelo seu tempo, Doro Pesch, a grande Doro Pesch no Wikimetal. Você poderia deixar uma última mensagem para os nossos ouvintes?

DP: Sim. Ei, fãs do Wikimetal, eu amo muito vocês, eu amo vocês mais do que qualquer outra coisa no mundo, e eu nunca vou desistir, eu sempre vou dar o melhor de mim. Obrigada por toda a sua lealdade, todo o apoio, todos esses anos. Eu sempre vou tê-los no meu coração, bem fundo no meu coração, e eu vou tentar ir para aí o mais cedo possível para ver vocês ao vivo, e eu amo vocês. Continuem Metal, e tudo de bom, continuem arrasando, pessoal.

W (DD): Excelente, muito obrigado, Doro! É incrível para mim falar com você, é um dos meus sonhos virando realidade. Muito obrigado pelo seu tempo, foi muito bom tê-la no nosso programa, e conte com o Wikimetal quando você precisar de qualquer coisa do Brasil, qualquer coisa para divulgar o que você estiver lançando, as grandes músicas que você lançar, você pode contar conosco, e nós vamos ajudar a promover a Doro Pesch no Brasil.

DP: Ah, muito obrigada, Daniel, foi muito agradável, e muito obrigada pelo apoio, obrigada por me apoiar, vocês são ótimos, e continuem fazendo o ótimo trabalho. Eu com certeza avisarei quando as nossas datas estiverem fechadas aí no Brasil. E tudo de bom para o Wikimetal!

W (DD): Muito obrigado, tchau, tchau, Doro!

DP: Obrigada! Tchau, tchau, Daniel, se cuide.

Ouça aqui o episódio completo.

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Sobre Julia Sabbaga

Julia Sabbaga é assistente responsável pela área de marketing e conteúdo do Wikimetal. Formada em Relações Internacionais pela PUC/SP e apaixonada por música em geral. Classic Rock e Punk Rock sempre estiveram no topo das preferências, mas conhecer Heavy Metal tem sido uma grande experiência.

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