Rock pela vida - Células Tronco
Por Taís Bleicher
Postado em 12 de fevereiro de 2005
Anualmente, acontece em Fortaleza o festival "Ceará Music". De início se mostrando principalmente como um festival de pop rock, já chegou ao samba e à MPB. Cada ano buscando trazer novidades, dessa vez foram as dobradinhas que marcaram o público.
Uma delas foi a subida ao Palco de Los Hermanos e Paralamas do Sucesso, juntos. Los Hermanos entraram e cantaram seus principais sucessos e depois receberam os músicos dos Paralamas. Não faltaram elogios mútuos durante todo o show. Os Paralamas, que são conhecidos por incentivar músicos mais novos, ali estavam não como incentivadores, mas como amigos. Rodrigo Barba já havia declarado a enorme admiração que possuía pelos Paralamas, referência em sua infância e adolescência. Por sua vez, João Barone declarou em jornal local que a admiração era mútua. Depois de tocarem juntos algumas canções, foi a vez dos Paralamas do Sucesso seguirem com o repertório do CD e DVD "Uns Dias", que faz um apanhado de novos e velhos sucessos.
Paralamas Do Sucesso - + Novidades
No final do show, Herbert Vianna, retornou ao palco e inflou o peito, emocionado, sem dizer nada. Em sua blusa, lia-se: "Células-tronco – esperança!". Após alguns segundos, veio a explicar o que a grande maioria do público não sabia do que se tratava.
A questão das células-tronco
Células-tronco são células que possuem a capacidade de se transformar em qualquer tipo de tecido, encontradas em pequena quantidade em vários tecidos humanos, no cordão umbilical e na placenta; mas também em embriões nas fases iniciais de divisão celular. Atualmente, são a grande promessa da ciência; pois estas células poderiam ser usadas para o tratamento de pessoas com patologias neurológicas e musculares.
O problema é que as células do cordão umbilical, da placenta e de outras partes do corpo têm uma menor capacidade de diferenciação. Portanto, é necessário utilizar principalmente as células embrionárias. Estas células seriam conseguidas em clínicas de fertilização; pois atualmente, após três anos de congelamento dos embriões, estes são "descartados", ou em linguagem corriqueira: jogados no lixo.
Se parece óbvio que "é destino mais nobre" para os embriões salvarem vidas, não é assim que pensa grande maioria da Igreja Católica e dos evangélicos. Para eles, o embrião já é um ser vivo e, portanto, não poderia ser utilizado para pesquisas científicas. Como se o outro destino não fosse a lata do lixo.
Por isso, o projeto de lei que regulamenta a questão das células troco, a Lei de Biossegurança está sofrendo fortes ataques. Mesmo tendo sido aprovada pelo Senado, a Lei de Biossegurança ainda precisa ser aprovada pela Câmara Federal, que sofre muitas influências de setores religiosos da sociedade.
Só para citar um exemplo da oposição organizada ao projeto de lei, temos o caso de um grupo de parlamentares, entre eles os deputados Osmânio Pereira (PSDB-MG) e Adelor Vieira (PMDB-SC), acompanhados por líderes religiosos de diversas religiões, que entregaram ao presidente João Paulo Cunha um abaixo-assinado com cerca de 150 mil assinaturas contra a aprovação da Lei de Biossegurança (PL 2401/03), que prevê a liberação do uso de células-tronco.
Se os religiosos estão se organizando pela causa deles, nós também não podemos ficar de braços cruzados. É preciso fazer atos públicos, abaixo-assinados e todas as formas de manifestações para esclarecer a sociedade civil e pressionar a Câmara para liberar a utilização de células-tronco. No Brasil, o Movimento em Prol da Vida (www.movitae.bio.br) levanta a bandeira. Informe-se para participar da luta. Pois como disse o Herbert Vianna no Ceará Music, nós não podemos permitir que milhões de pessoas pelo mundo continuem se "arrastando". Acrescento: em nome da cegueira de alguns.
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