Felipe Andreoli: "Agora o momento é 100% Angra!"

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Felipe Andreoli: "Agora o momento é 100% Angra!"


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Felipe Andreoli, baixista da banda ANGRA, concedeu uma entrevista exclusiva para este redator que vos fala, onde conta entre outras coisas, o porque de não ter gostado da publicação do trecho da nova música no YouTube e explica porque o tão falado DVD da tour Temple Of Shadows não foi lançado.

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Em recentes entrevistas vocês disseram que estão muito felizes com o modo como as gravações estão soando e que esse será um álbum para ser lembrado como clássico da banda. Podemos considerar o fato de apenas a banda estar no comando das produções e isso dar uma liberdade um pouco maior para as composições?

O fato de a banda estar totalmente no controle de todo o processo possibilita que nós façamos tudo exatamente como imaginamos. Ter um produtor de fora é muito legal, mas ele acaba inevitavelmente mexendo no estilo da banda e na maneira como as coisas soam no fim de tudo. Desta vez nós aproveitamos toda a experiência que tivemos, não só no Angra, mas também nos projetos paralelos, e usamos tudo para o Angra. Isso possibilitou também que a gente pudesse achar um som realmente com a nossa cara, como cada um de nós imagina que deve soar seu instrumento. O resultado tem sido muito bom, e acredito que devemos trabalhar dessa maneira daqui em diante.

Ainda sobre as composições, cada músico tem sua personalidade, o modo como toca e os estilos que ouve, o Ricardo já tinha um certo entrosamento com Kiko e Rafael de anos anteriores, mas você e o Edu nunca trabalharam com ele, estão se adaptando rapidamente?

Sim, tocar com o Ricardo no começo foi uma experiência muito legal porque me deu a oportunidade de ouvir as músicas da época dele no Angra da maneira como elas foram feitas para soar. Já nas músicas da minha fase, ele conseguiu dar um toque particular sem desrespeitar os arranjos originais. Na hora de compor, foi uma experiência totalmente diferente pensar nas linhas de batera tendo o Ricardo em mente, porque ele tem um leque enorme de ritmos na manga, e isso te possibilita ir pra várias direções diferentes.

Você comentou em seu twitter que não gostou de ter caído no YouTube o trecho da música que o Edu estava gravando no Twitcam. Você poderia nos explicar melhor o porque de ter ficado chateado?

Não se trata de ficar chateado. Eu na verdade encaro as coisas de uma maneira um pouco diferente, eu acho. Tem gente que encontra um artista na rua, pega um autógrafo e vira as costas, até esquece que o cara tá lá, porque ele quer mesmo é mostrar o papelzinho pros amigos. Acho que o que rolou foi um pouco disso. Esse lance da Twitcam é bacana justamente porque as pessoas que estão ali naquele momento específico estão tendo essa chance de ver a coisa acontecendo em primeira mão, direto do artista. Mas na internet essa coisa de momento não existe, o cara grava e disponibiliza no YouTube, um trecho inédito gigante. Deixa de ser um privilégio de quem estava lá, e passa a ser domínio público, sendo que muitas pessoas que vão assistir aquilo não vão saber qual é o contexto. Vão simplesmente ver um material da banda em péssima qualidade e julgar pelo que estão vendo. Nada mais é exclusivo, e eu posso ser até saudosista, mas acho isso triste.

Realmente o YouTube estraga a qualidade dos vídeos mesmo. Bom, nos álbuns do Angra podemos sempre notar alguma temática que dá o tom das letras, melodias e até da arte gráfica. Nesse disco veremos alguma história ou vocês pensaram em reunir músicas "avulsas" para expressar uma história em cada?

Existe uma temática central na qual todas as letras estão baseadas, assim como foram os últimos 3 discos. É uma história muito legal, mas ainda é segredo.

Claro (risos). E qual a ideia de vocês terem gravado todo o processo de composição do álbum e terem publicado no YouTube? Tem algo a ver com o fato de a banda ter ficado dois anos parada e por isso quer se aproximar mais dos fãs e mostrar o quanto a música é importante pra vocês?

Acho que é mais uma adaptação à realidade do momento, usar melhor as ferramentas que a gente tem disponíveis. Existem várias ferramentas hoje que possibilitam a interação da banda com o fã, seja em tempo real ou não, e a gente está tentando fazer o melhor uso possível delas. As pessoas de todo o mundo tem ficado muito felizes em poder, mesmo que de longe, participar do processo de produção do disco, isso aproxima o fã da banda, e eu acho bem legal. Eles conseguem ver, nesses pequenos vídeos, um pouco de como é a nossa personalidade e como é o clima entre nós.

Entendo, realmente a internet provocou uma mudança na vida das pessoas. Em uma entrevista publicada na Roadie Crew desse mês de Abril, Kiko Loureiro disse que vocês ainda estavam avaliando algumas gravadoras aqui no Brasil. Já conseguiram fechar contrato com alguma?

O que nós estamos avaliando não é simplesmente a gravadora, é mais profundo que isso. Estamos estudando qual vai ser a maneira de lançar esse disco. Nos últimos anos, vários artistas revolucionaram o mercado com ações que até então eram impossíveis, devido ao controle das gravadoras. De outro lado, existe um grupo de artistas, cada vez menor, que ainda aposta na maneira tradicional de lançar discos. O Angra está achando seu espaço nessa nova realidade.

Já que estamos falando em gravadora, isso talvez seja até uma ideia da propria, mas, a banda pensa em lançar alguma versão limitada do novo álbum? Como por exemplo um DVD bônus com o registro das gravações?

Existe a idéia de um produto relacionado ao disco, que pode ser lançado junto ou mesmo depois dele. Também existem gravadoras que fazem versões em vinil, edições especiais, etc. Pode ser que aconteça.

Falando agora sobre assuntos gerais da banda, há alguns boatos de que aquele show no Via Funchal em comemoração aos 14 anos da banda que contou com vários convidados foi gravado para um DVD e não foi lançado por problemas técnicos. Realmente houveram problemas técnicos ou a banda não lançou por problemas com o ex-empresário e com o ex-baterista?

Aquele show não foi filmado de maneira profissional. Foi captado apenas pelas nossas câmeras pessoais, e acho mais fácil aparecer algum trecho dele como extra de um DVD do que o show completo.

Entendo. No lançamento do álbum Aurora Consurgens, em 2006, a banda teve muitas críticas por aquele ser um álbum muito abaixo do que foi Temple Of Shadows de 2004 e considerado por muitos fãs o pior desde a volta da banda em 2001. Vocês levaram essas críticas em consideração para as gravações desse novo álbum?

Não, na verdade. Cada disco é um retrato da fase que a banda está vivendo. Com o Aurora, não foi diferente, e o caso é que a banda estava num péssimo momento internamente, devido a todos os problemas que já foram discutidos exaustivamente. Então, mesmo que nós quiséssemos, seria impossível fazer um disco igual àquele (Temple). O Angra é uma banda que sempre fez discos diferentes uns dos outros. Hoje o momento é excelente, e acredito que isso se refletirá no novo disco.

E pra finalizar, sobre os trabalhos paralelos, você e o Edu com o Almah, o Rafael com o Bittencourt Project e o Kiko com seus trabalhos solos, há alguma previsão de novidades para os fãs ou vocês ficarão um bom tempo focados no Angra?

Agora o momento é 100% Angra, não tenho nem cabeça pra mais nada! Especialmente por nós estarmos a cargo de toda a produção, o trabalho acaba sendo bem puxado. Assim que estivermos mais tranquilos, e o Angra der um tempo, sem dúvida retomaremos os nossos projetos.

Ok Felipe, obrigado pela entrevista e espero vê-los em breve na turnê do próximo álbum.

Eu que agradeço. Obrigado pelo espaço!"

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Sobre Jairo Cezar

Técnico em Informática, músico por hobby, nascido em 87, é colecionador assíduo do Iron Maiden, banda que escuta desde os 11 anos. Também curte outras vertentes do Rock, como Power Metal (Angra, Shaman, Tribuzy...) e Progressive (Rush, Dream Theater...). É redator-chefe do site Page of Mind, dedicado apenas à Donzela.

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