A expectativa pelo novo álbum do YES consumia os fãs da banda desde o anúncio de que um novo material inédito seria lançado. Depois de 10 anos sem um disco de estúdio e imersos em polêmicas que resultaram nas saídas do vocalista Jon Anderson e do tecladista Rick Wakeman, tudo parecia apontar para um disco distante do melhor que o YES pode produzir.
Nota: 8 







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O posto de vocalista foi preenchido pelo canadense Benoit David, que já fora aprovado pelos fãs na última turnê mundial. Com a oportunidade de atuar em canções inéditas, David pôde buscar um timbre próprio, afastando-se, mas não muito, da sonoridade consagrada por Jon Anderson em mais de 40 anos.
O resultado é um disco belo e intimista. Os solos de teclado, característica de Rick Wakeman, foram deixados de lado pelos climas sensíveis criados por Downess. O baixo de Squire está mais contido, mais discreto. A bateria de Alan White se mantém simples por quase todo o tempo. Já as cordas de Steve Howe encontram nas teclas de Downess uma parceria tão perfeita que por vezes parecem ser um único instrumento. A banda soa como um conjunto e não como uma reunião de individualidades competindo entre si, como acontecia em alguns discos da década de 90.
Essa unidade fica mais evidente na bela suíte que abre o disco. "We can fly" é uma antiga composição da banda que não fora incluída no "Drama". Estendida e aprimorada, ela é prova de que o YES ainda tem muito para oferecer para seus fãs. Ouvi-la inteira, suas seis faixas, é um prazer. O clímax é a parte "Sad Night at the Airfield", uma faixa de fazer chorar qualquer fã das antigas.
Além da suíte de abertura, o disco contém a boa voz de Squire em "The Man You Always Wanted Me to Be" e a belíssima "Life on a Film Set", uma canção do BUGGLES originalmente chamada "Riding a Tide". Howe se mostra um competente compositor de letras em "Hour of Need", faixa que conta com a participação de Oliver Wakeman, filho de Rick. A enérgica "Into the Storm" fecha o álbum em uma celebração da vitória sobre a tempestade que foram os últimos anos do YES.
O disco certamente agradará os fãs que tenham a mente aberta para acompanhar uma banda que chega aos 40 anos sem se tornar um cover de si mesmo. Além disso, tem qualidade e beleza suficientes para reunir novos fãs, mesmo entre as gerações mais novas. "Fly from Here" é um disco elegante e digno do nome e da história do YES.
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