Resenha - Fighting Back - Battlezone

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Resenha - Fighting Back - Battlezone

Por Luis Fábio Pucci

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PAUL DIANNO é uma lenda. Ele foi, sem dúvida, um modelo para os vocalistas das novas bandas de rock pesado da NWOBHM e trazia nos trejeitos muito da atitude punk. Ajudou o IRON MAIDEN a decolar para virar uma mega banda. Fez diversos trabalhos depois que saiu do MAIDEN, numa carreira irregular. Muito já perderam a conta dos nomes das bandas que montou e das participações que fez, então fica difícil mapear a sua discografia. Entretanto, suas obras dentro dos grupos com o nome de KILLERS e BATTLEZONE tiveram um estilo e, na época, vingaram.

Nota: 9

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Hoje seu repertório novo deu uma estacionada e suas turnês acabam passando por espaços menores, apesar do público fiel. O problema foi o longo tempo sem gerar material bom em estúdio, o que o fez trabalhar continuamente com as músicas antigas, o que inclui o repertório dos seus discos com o IRON MAIDEN.

Com o BATTLEZONE, seu projeto mais duradouro, fez três álbuns. “Fighting Back”, de 1986, é o primeiro deles e o melhor dessa fase. Ao longo dos anos 1980, o heavy metal estava forte na mídia e seu nome, como ex-integrante da Donzela de Ferro, idem. O grupo, na onda daquele momento, traz uma proposta bem mais afinada com o movimento rotulado de power metal, mas não se resume a ele. O ouvinte vai recordar do tom dos primeiros discos do IRON MAIDEN também, com a cozinha de baixo e bateria forte e guitarras entrecortadas (esse disco tem Bob Falck, ex-OVERKILL, na bateria).

Nesse álbum, sua voz está perfeita, dentro de seu estilo e sem dúvida no auge. Com certeza melhor do que em sua época de IRON MAIDEN. Alterna entre músicas aceleradas (quase no trash), pesadas e introduções lentas que depois aceleram (como na música “Running Blind”). Em nenhum momento Paul sai do tom e mostra bastante vigor nas interpretações.

Em trabalhos como esse (e com o KILLERS) é que podemos ver que DIANNO ainda merece o nome na galeria dos melhores vocalistas de metal da história, embora hoje sua voz ao vivo já apareça rendendo pouco.

As faixas são composições do guitarrista John Hurley. Parece que esse é o motor do disco e um de seus segredos. Infelizmente, compositor DIANNO nunca foi, então seus parceiros são fundamentais para definir se sua fase é boa ou não. Nesse disco, há um tema que permeia, mas logicamente não se trata de um álbum conceitual, no sentido clássico do termo.

O álbum abre com “(Forever) Fighting Back”, que se destaca pelo peso e pelos backing vocals no refrão e vai decolando devagar, chegando na mega acelerada “Warchild”, que é uma das melhores do disco.

Se você analisar sob o ponto de vista atual, depois de ouvir tanta coisa, os riffs podem não parecer tão criativos (e talvez não sejam mesmo). Na verdade seguem a receita do estilo, mas funcionam. E como!

O bloco fecha com “In the Darkness”, num riff hipnótico (e com trabalho incansável de Paul), mais “The Land God Gave to Caine”, que é uma música longa, de levada mais lenta e onde DIANNO mostra seus melhores dotes vocais. Essa é a música para ser analisada pelos seus detratores: não é para qualquer um.

Abrindo o Lado B do LP original, “Running Blind” traz a velocidade de novo, e é a melhor do disco, com uma perfeita articulação de vocal, guitarras e marcação na bateria. Ainda soa atual e poderia ter uma versão feita por uma banda como SLAYER ou METALLICA que ninguém iria reclamar da escolha.

“Welfare Warriors” é a terceira acelerada do disco e também poderia cair no rótulo de power metal, mas com o diferencial de não estar embolada no som e com um vocal impecável no estilo de DIANNO (“...get out of my way...!). Arrasa e vale o disco. A banda colabora e dá o recado, fazendo um tipo de arranjo que outras bandas daquele momento também faziam bem (estilo ANTHRAX, por exemplo).

Já “Voice on the Radio” talvez seja a faixa menos inspirada do álbum e não convence. Isso vale também para “Too Much to Heart”, que está completando o setlist apenas.

“Feel the Rock” apela para o chavão e é uma música previsível, com um refrão interminável. Ela faz com que o disco não tenha o fechamento merecido. Mas são poucos pecados na obra e eles não comprometem para quem gosta de rock e de ouvir a voz familiar de DIANNO.

Aqui no Brasil, o LP é raro: saiu em baixa tiragem pelo selo da Woodstock e não foi relançado. Bem mais tarde, saiu a versão em CD, mas essa versão tem uma remasterização catastrófica. Os graves de baixo e bateria foram praticamente eliminados, num trabalho amador. O peso da obra sumiu, deixando o CD com som de rádio de pilha. Então recomendo tentar localizar o LP, mesmo que importado. Se você tiver uma versão digitalizada, cuidado ao observar isso, para ter certeza de que não está ouvindo uma cópia do malfadado CD.

Estranho, mas explicado pela física, esse tipo de problema aparece bastante para quem conheceu antes a versão LP analógica de um álbum e dá margem para muita discussão (com no catálogo dos BEATLES e do KISS, entre outros). Mas dos discos que conheço esse do BATTLEZONE parece ser o caso mais estridente. E o pior é que por enquanto não temos notícia de relançamento em vinil lá fora. Um box com os três CDs do BATLLEZONE saiu recentemente (2008), mas ainda não ouvi para checar se o CD de “Fighting Back” ainda mantém essa remasterização desastrada.

Hurley e Falck foram retirados da banda logo depois de “Fighting Back”. Mais uma vez entrou em cena o estilo pouco negociador de Paul, o dono do grupo. Como eles eram protagonistas das composições, isso fez com que esse disco fosse único. Os outros dois discos com o nome de BATTLEZONE soam bem diferentes desse e se mostram trabalhos bem menos inspirados. Com o posterior naufrágio do BATTLEZONE, Paul acabou investindo num novo projeto, o KILLERS, e voltando a carregar nas canções clássicas do IRON MAIDEN em seus álbuns e nos seus shows, até porque a platéia sempre pede (antigamente ele chegava a discutir com a platéia, recusando-se a tocar músicas do MAIDEN e mandando a turma que gritava comprar ingresso para ver "a outra" banda).

O estilo vocal de Paul aqui também está muito próximo das músicas que fez nas suas participações em discos de tributo (ZZ TOP, e outros) e em projetos especiais, como em “True Brits” e “The Original Iron Man” (com Dennis Stratton, em dois volumes). Aliás, esse último projeto também vale ser ouvido, para quem gosta da época em que DIANNO soava como nos anos 1980, ainda com ares de MAIDEN.

Enfim, “Fighting Back” é discografia obrigatória não só para os fãs de DIANNO e IRON MAIDEN, mas para todos que gostam da NWOBHM.

Faixas:
1 (Forever) Fighting Back
2 Welcome to the Battlezone
3 Warchild
4 In the Darkness
5 The Land God Gave to Caine
6 Running Blind
7 Too Much to Heart
8 Voice on the Radio
9 Welfare Warriors
10 Feel the Rock

Gravadora: ZCR/Shadows Music

Formação:
Paul DiAnno - Vocais
John Hurley - Guitarra
John Wiggins - Guitarra
Pete West - Baixo
Bob Falck - Bateria

Site oficial: http://www.pauldianno.com

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