Lacrimosa em seu primeiro show com Orquestra
Resenha - Lacrimosa (Cidade do México, 22/08/2026)
Por Felipe Rocha
Postado em 30 de agosto de 2026
Finalmente ocorreu no sábado, dia 22 de Agosto de 2026 na Cidade do México, o sonho de todo aquele que é fã do Lacrimosa: o tão esperado show com orquestra. A data foi anunciada há mais de um ano atrás e em menos de 24 horas teve Sold-out, com compradores de vários lugares do mundo - inclusive do Brasil e, com certeza, do fã clube oficial brasileiro, o Lacrimaníacos. Aproximadamente 16 mil pessoas confirmaram presença, gerando assim demanda para um segundo show na data seguinte, o domingo, dia 23.
E todos, com certeza, foram muito bem recompensados com a experiência.
Lacrimosa - Mais Novidades
No centro da imensa Arena CDMX, local escolhido para o show, residia a primeira grande surpresa da noite: o palco. A estrutura fazia lembrar um gigantesco e ornamentado carrossel com elementos circenses tão familiares ao Lacrimosa e seu conhecido Arlequim. Um espetáculo visual antes de o espetáculo sonoro chegar e quando ele chegou foi arrebatador.
Se aproximavam das 21:00 horas quando uma robusta orquestra apareceu e tomou seus lugares, o baterista Julien surgindo pouco tempo depois enquanto os demais faziam as afinações. A orquestra que se apresentou ao lado do Lacrimosa foi a Sincrophonia, regida pelo maestro Rodrigo Cadet.
Como em todo show do Lacrimosa o inicio se deu com a primeira faixa do álbum "Inferno", a popular "Intro/Lacrimosa Theme" . Era o que acontecia em todo show, mas mesmo esta veio a ser apresentada de forma orquestral. A faixa normalmente seria tratada como anúncio do que vem depois, mas nesta noite, com a roupagem sinfônica, a própria "Intro" se tornou parte do grandioso evento que esta iniciava. Enquanto a peça avançava entraram no palco sendo ovacionados o guitarrista JP, o baixista Yenz Leonhardt, Anne Nurmi e por fim Tilo Wolff.
A sequência não poderia ser melhor. A plateia ansiosa foi assaltada pelas primeiras notas da cadenciada virada de bateria de "Kabinet der Sinne", segunda faixa do álbum "Inferno". Não estávamos diante de uma versão da música, mas sim diante de uma fiel representação fiel do que é encontrado no álbum. A longa introdução, as demoradas guitarras cíclicas do interlúdio e tudo o mais. O show, assim, teve início de forma colossal.
O evento segue com a clássica "Alleine zu zweit", single do álbum "Elodia", álbum já conhecido por sua grandeza sinfônica. Não será surpresa dizer que foi um lindo momento, com o belo dueto de Tilo e Anne acompanhado majestosamente pela orquestra.
"Avalon" vem em seguida e não se trata da versão apresentada nos shows desde o início da turnê do álbum "Lament". Tivemos a chance de ver a peça na íntegra. Tilo deixou o trompete de lado, deixando-o a cargo de um membro da orquestra. A execução foi grandiosa, o destaque indo ao mencionado trompete, violinos e flauta, principalmente no momento do interlúdio da faixa.
Ao fim de "Avalon" Tilo move-se a um canto, sentando-se em dos degraus ao lado dos violinistas e violoncelistas. Do silêncio surgem as primeiras melancólicas notas de "Satura", a solista Ana Caridad Villeda Cerón já deixando claro que seria um dos destaques da noite. Novamente o que tivemos ali foi uma rendição do que está no álbum que dá nome à própria faixa. Neste momento já tinhamos respondida a pergunta que nos fazíamos, que era se teríamos as músicas de sempre, mas com orquestra. A resposta era não. O show seguiria por rumos esperados e outros muito inesperados.
Dito isto Anne Nurmi toma a frente para conduzir um de seus temas e surpreende a todos anunciando "Thunder and Lightning", do álbum "Hoffnung". Violinos unem-se a sua voz nas primeiras frases, logo dando espaço para os demais instrumentos que trouxeram peso e corpo à musica. É impossível não mencionar o quanto foi emocionante ver Anne sobre o palco após o último ano turbulento que ela passou.
Vale comentar que a data do concerto era também o aniversário de 58 anos da cantora/compositora. E isso não foi esquecido pelos fãs e, principalmente, pela Orquestra que, logo dá início a "Las Mañanitas", uma popular canção mexicana para datas de aniversário. Seguiu-se outro momento que emocionou tanto a própria Anne quanto os fãs que uniam suas vozes às dos poderosos corais. Emocionada Anne agradece ao público e à orquestra.
"Kelch der Liebe" é a próxima da noite e seu início é acompanhado de celebração. A faixa passou vários anos distante dos palcos, mas recentemente retornou e, esperamos, que fique por muito mais tempo. Sua energia é indiscutível, sendo uma excelente mescla de peso, boa melodia e ótimas passagens sinfônicas. Novamente o que foi presenciado foi uma reprodução do que se encontra no álbum "Lichtgestalt". Em apresentações anteriores Tilo alterou os versos da segunda parte da obra, mas não desta vez, entregando outro momento sublime na noite que seguia sendo incrível.
Uma das maiores surpresas veio em seguida: a soberba "Fassade I" que abre o álbum de mesmo nome. Não foi surpresa Tilo não ter cantado com o vigor que tinha quando gravou a faixa. Nada seria capaz de ofuscar tal momento, contudo. A composição simplesmente explodiu com todas a sua sinfonia e vozes dentro da Arena CDMX, estas últimas sendo responsáveis por maior parte de tal maravilhamento.
No alto da fronte do palco circense surge a palavra "Intermédio" após Tilo anunciar o fim do primeiro ato da apresentação e uma pausa de 15 minutos.
Para delírio dos fãs mexicanos e também nosso, os fãs brasileiros - que normalmente não temos a chance de ouvi-la - o segundo ato do show tem inicio com "Durch Nacht und Flut". O início, enfatizo, como no álbum "Echos", com os doces violinos e as vozes o acompanhando. A música foi executada na íntegra e, como na versão escondida na edição especial do álbum "Echos", com o final em espanhol, o que possibilitou uma poderosa presença da parte do público. O final foi nada menos do que belíssimo.
O álbum "Hoffnung" novamente foi lembrado e Anne entoa as primeiras linhas de "Kaleidoscop", uma das faixas mais rápidas e diretas do álbum, sendo talvez estes os motivos para ter sido escolhida, visto que muitos dos outros temas do show são de andamento mais lento, inclusive o tema seguinte:
"Requiem" tem início e as luzes vermelhas sangram sobre o palco. A execução foi sublime e a escolha acertada. A obra é uma das composições mais antigas de Tilo, tendo sido lançada pela primeira vez na quase mística demo "Clamor", de 1 de Dezembro de 1990. Então trazer algo tão primordial para um evento tão histórico na carreira do Lacrimosa é muito válido. A faixa, ao longo de seus aproximados 10 minutos arrasta-se fúnebre, sendo encerrada pela marcha circense muito bem executada pela orquestra. Memorável.
O hino "Ich bin der Brennende Komet" vem logo depois. Esta música não é sempre presente nos shows da banda, mas devido sua estrutura era uma desejada para a noite, visto que a ocasião seria perfeita para sua melhor execução até então feita. Neste caso, vale mencionar, o que roubou a atenção foi o poderoso e hábil solo de flauta.
Outra surpresa agradável veio novamente de Anne Nurmi com "The Turning Point", também do álbum "Elodia" e para alguns fãs a melhor música da cantora em sua carreira na banda. Tilo assume a segunda guitarra nessa que é outra versão fiel ao álbum, diferente, por exemplo, da versão presente no segundo álbum Ao Vivo do Lacrimosa, "Lichtjahre". Os sons de oboé, clarinete e a flauta enchem a arena.
Continuamos no álbum "Elodia". "Halt Mich" se inicia e o público vibra com sua aparição, cantando fortemente o refrão quando este chegava. A música é curta, mas isso não impede que seja intensamente enérgica.
A clássica e onipresente "Schakal" vem logo depois e novamente o palco é banhado em forte luz vermelha. Tilo já chegou a dizer que um show do Lacrimosa sem "Schakal" não é um show do Lacrimosa, assim somos presenteados com mais uma versão desta poderosa faixa, a Sincrophonia lhe dando uma plenitude até então não testemunhada pelos fãs em quaisquer outras apresentações Ao Vivo.
A voz de Tilo surge isolada na noite instantes após o fim de "Schakal". Era o início da faixa título do último de estúdio, lançado em 2025, "Lament". Emoção é palavra que define a execução desta obra tão melancólica e marcante, que prova que o Lacrimosa segue consistente, lançando músicas clássicas desde sua concepção ainda que em seus mais recentes álbuns. Nesta peça a orquestra, com todos os seus instrumentos, brilha através das longas sessões instrumentais, estas tão emocionantes quando as cantadas e que são capazes de nos fazer lembrar aspectos circenses da música primordial do projeto de Tilo Wolff. Impossível não chegar às lágrimas. A própria vocalista Anne Nurmi vai até Tilo Wolff ao fim da música e lhe dá um abraço reconfortante, ela mesma às lágrimas, nos fazendo pensar o quão significativa esta música deve ser para o fundador do duo.
Pouco tempos após a faixa terminar Tilo toma a frente para dizer ao público com bom humor que havia esquecido de lhes dizer algo: a apresentação estava sendo gravada. Diz também que a próxima e última música da noite era uma muito requisitada através dos anos. Nós, do FC Lacrimaníacos, já sabíamos o que estava por vir:
O coral dá início às linhas da manumental "Die Strasse der Zeit". Lançada no álbum "Stille" a composição figura entre as mais brilhantes criações de Tilo Wolff. Com seus quase 15 minutos a obra é uma montanha russa que apenas sobe, se tornando mais bela a cada nova sessão. A solista Ana Caridad novamente brilha, este provavelmente sendo seu ápice na apresentação. Se você é familiarizado com esta faixa basta lhe dizer que tudo esteve magnífico. Todos os instrumentos fizeram sua parte pra trazer ao palco toda a majestade da obra. Anne Nurmi, ao chegar às suas breve linhas, entregou o que foram certamente seus instantes mais célebres da noite. Em dado momento o próprio Tilo Wolff se mostrou emocionado, talvez ele mesmo incrédulo diante de tudo o que acontecia. Muitos fãs - eu incluso - chegaram às lágrimas nesse momento.
Assim chegou ao fim essa noite magistral. Talvez haja quem se preocupe e se pergunte se os instrumentos da orquestra poderiam estar baixos, de forma que não se possa ouví-los quando tiverem os CDs/DVD em mãos. Posso apenas dizer que todos os instrumentos eram facilmente discerníveis e que, conhecendo o perfeccionista Tilo Wolff, teremos futuramente um material de grande qualidade em nossas mãos.
Tilo e Anne se retiram do palco emocionados e com os aplausos de milhares de fãs que certamente estavam tão emocionados quanto seus ídolos.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Twisted Sister faz primeiro show com Sebastian Bach nos vocais
A música do AC/DC que Angus Young considera melhor que "Satisfaction"
Membros originais do Nightwish dão "sinal verde" para turnê com ex-membros
Policial que matou assassino de Dimebag Darrell compartilha memórias da noite
O guitarrista que Brian May lamenta nunca ter conhecido e chamou de monstro elemental
Os 50 melhores riffs de metal e rock de todos os tempos, segundo a Guitar World
A música do Metallica que fez James Hetfield perceber que a banda havia virado profissional
Guitarrista abandona o Bad Wolves após gravadora pressionar banda a lançar cover
Mike Portnoy coloca novo álbum do Mastodon como candidato a melhor disco de 2026
O baterista que Phil Collins considerava "tecnicamente muito superior a mim"
Músicos do Judas Priest passaram uma semana em motel fuleiro para abrir shows do Led Zeppelin
O instrumento que Paulo Miklos quis tocar nos Titãs e foi vetado na hora
A música estranha de John Deacon que o Queen quase rejeitou e acabou virando seu maior single
Jeff Scott Soto mantém esperanças de fazer as pazes com Yngwie Malmsteen
Roger Glover jamais cansou de tocar "Smoke on the Water" com o Deep Purple

Lacrimosa em seu primeiro show com Orquestra
Como uma música de 23 minutos me fez viajar 500 km para ver uma das bandas da minha vida
Metallica: Quem viu pela TV viu um show completamente diferente


