Max e Iggor Cavalera: voltando às raízes e comemorando 25 anos de seu sexto álbum de estúdio
Resenha - Max e Iggor Cavalera (Audio, São Paulo, 07/08/2022)
Por Diego Camara
Postado em 09 de agosto de 2022
Foi em fevereiro de 1996 que o álbum mais icônico do metal nacional foi lançado. O fim de um projeto extremo, que durou mais de um ano. E neste ano, 25 anos após seu lançamento, foi a vez de Max e Iggor Cavalera em seu retorno ao Brasil comemorarem com o público um álbum que até hoje é um símbolo da música extrema e inspiração para bandas em todo o mundo (estou olhando para vocês, Gojira). Confira abaixo os principais detalhes do show, com as imagens de Fernando Yokota.
A abertura ficou na responsabilidade das meninas da SINAYA, que puderam mais uma vez mostrar um pouco da sua música para os fãs que chegaram cedo a Audio. O show foi muito bom, o som incrivelmente bem alinhado para uma banda de abertura e um apoio de todos os fãs do Sepultura. A banda contou também com a presença de Mayara Puertas, do Torture Squad.
A festa continuou com o KRISIUN, no show de lançamento do extremamente agressivo "Mortem Solis". O destaque novamente ficou para a Audio e a equipe técnica, que entregaram um som potente e extremamente forte, especialmente na bateria de Max Kolesne. Os fãs tiveram a oportunidade em primeira mão de curtir o som agressivo e raiz do novo disco em músicas como "Sworn Enemies" e "Swords into Flesh", que viram a sua estreia nos palcos na noite.
O público curtiu muito o show, batendo cabeça e já esquentando na pista para o grande espetáculo da noite. O claro amor (ou diria, ódio) dos fãs deixou a banda sem palavras para todo o apoio que receberam nos últimos dias com o novo disco. Finalizando o show, a banda soltou seu clássico - que não poderia faltar - cover de "Ace of Spades", combinada com o grande sucesso "Hatred Inherit". No final, parece que quem ficou sem palavras foi o público com essa apresentação energética da banda.
O show principal foi só começar as 21h45m, com 15 minutos de atraso a dupla subiu no palco na companhia do lendário Dino Cazares e o baixista Mark Leon. A banda não começou com brincadeiras, e abriu o show com "Roots Bloody Roots". O resultado não poderia ser diferente, o público já foi a loucura e a cantoria e o bate cabeça tomaram toda a casa, lotada até a tampa para ver a dupla do Sepultura.
A apresentação foi de altos e altos, e a sequência musical foi digna da comemoração do álbum. Destaque para a belíssima abertura de "Ratamahatta", outro sucesso do "Roots", e a divertida interação de Max Cavalera com o público, fazendo os fãs repetirem cada um dos versos da música, com uma homenagem ao também lendário Zé do Caixão, ícone do obscuro e do terror nacional - além de grande inspiração ao Sepultura. Também fica registrada a excelente participação de Dino Cazares na música, em um impressionante solo de guitarra.
Se a banda entregava tudo, o público também não deixou barato. Os fãs foram nada menos que viscerais durante o show. Loucos e insanos, a cada roda que abriam para cada uma das músicas que eram tocadas na noite. O público, formado em boa parte pelos fãs hardcore do Sepultura, que de maneira orgulhosa mostravam suas camisetas com a frase "O futuro é indígena" - repetida também por Max para aplauso dos fãs - realmente fizeram valer toda a apresentação da banda, entregando tudo na plateia.
De todos os destaques da festa, se destaca a performance a luz dos celulares de "Dusted", com todas as luzes da casa desligadas, a incrível introdução de "War Pigs", em homenagem ao BLACK SABBATH que encantou os fãs e a performance mística de "Itsari", onde Iggor mostrou toda a sua técnica no solo de bateria. No fim da música, a convite de Max o cacique Paulo Cipassé Xavante subiu ao palco, pedindo aos fãs que não esqueçam a proteção do meio ambiente e o momento terrível que o país vive, o que fez com que o público demonstrasse todo o seu amor ao atual presidente da República, do mesmo modo que todo este amor seria demonstrado pelos fãs também na música "Dictatorshit", onde Max gritou as palavras de ordem "Ditadura nunca mais!", para delírio do público.
Para o bis, a banda não guardou o gás. Voltaram já com uma bela introdução de "Raining Blood" do SLAYER, outra homenagem a um precursor da música extrema. A música a seguir - "Troops of Doom - tem a participação especial de Moyses Kolesne e de Igor Amadeus, filho de Max Cavalera. A seguinte foi "La Migra" do BRUJERIA. Esta em homenagem a Dino Cazares, que se mostrou extremamente contente em fazer parte desta turnê.
Fechando o show, a banda não faltou com mais homenagens. Primeiro num paredão da morte insano aberto a pedido de Max para a música "Orgasmatron", do MOTÖRHEAD, homenagem a banda e também as raízes do Sepultura, que usou a música gravada no álbum "Arise" como um importante trampolim para ganhar o gosto dos fãs brasileiros e alcançar as rádios no início da década de 90.
[an error occurred while processing this directive]Em seguida, a banda apresentou sua versão ogro de "Polícia", dos TITÃS, que fez o público bater cabeça e se debater na pista, feita no melhor estilo metal extremo nem parece que tem as mesmas origens da composição original.
No fim, Max apenas agradeceu o público e disse "até ano que vem", sinalizando que não se demorará em retornar aos palcos brasileiros.
Setlist:
Roots Bloody Roots
Attitude
Cut-Throat
Ratamahatta
Breed Apart
Straighthate
Spit
Dusted
Lookaway (com trechos de "Territory" e "War Pigs")
Itsári
Ambush
Dictatorshit
Bis:
Troops of Doom (com trechos de "Raining Blood" e "Territory")
La Migra (cover do Brujeria)
Refuse/Resist
Orgasmatron (cover do Motörhead)
Polícia (cover do Titãs)
Roots Bloody Roots (versão rápida)
KRISIUN
SINAYA
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