Max e Iggor Cavalera: show curto e preciso em Belo Horizonte
Resenha - Max e Iggor Cavalera (Mister Rock, Belo Horizonte, 31/10/2018)
Por Mário Pescada
Postado em 05 de novembro de 2018
Mais uma vez, os bons filhos à casam tornam!
Depois de passarem por Belo Horizonte em 2016 como parte da turnê "Return To Roots", em que eram comemorados os 20 anos de lançamento do disco "Roots" (1996), a capital mineira recebeu novamente os irmãos Cavalera, dessa vez como parte da turnê "Return Beneath Arise 89/91 Era" em celebração aos clássicos "Beneath The Remains" (1989) e "Arise" (1991), discos que chamaram a atenção do mundo para o barulho que vinha da América do Sul.
Do lado de fora do Mister Rock, casa de shows que vêm ganhando cada vez mais espaço no cenário metal da capital mineira, era grande a concentração de camisas pretas trajadas por gente de várias faixas etárias: gente que chegou a ver a formação original nos primórdios da banda no bairro de Santa Tereza, outros que viveram a fase em que o SEPULTURA tomou o mundo pelo pescoço na década de 90, até os fãs mais atuais que continuam seguindo a banda, mesmo sem a presença dos irmãos fundadores.
O show que estava marcado para as 21 horas não teve banda de abertura - uma pena, pois era uma ótima oportunidade a quem precisa de um espaço digno para mostrar seu trabalho há tantas pessoas. Apesar de ser noite, o calor dentro do Mister Rock era grande e à medida que a casa ia enchendo, se mostrava cada vez maior e o local mais abafado.
As 22:15 os alto-falantes soltaram a intro do disco "Beneath The Remains" dando espaço para a entrada de Max, Iggor (agora com dois "g"), do virtuoso e carismático Marc Rizzo na guitarra e do baixista Mike Leon. O lotado e escaldante Mister Rock era pura excitação e ansiedade.
A banda começou o set passando pelo disco "Beneath The Remains" com a faixa título abrindo a noite. Logo depois, "Inner Self", faixa que me lembro bem de ter tocado muito na programação da MTv Brasil no saudoso Fúria Metal. Ao final, um solo de baixo mais técnico e extenso do que o original.
"Stronger Than Hate" continuou a pancadaria para depois Max puxar o público nas palmas acompanhando Iggor nos bumbos e chimbal em "Mass Hypnosis", uma das músicas mais legais do disco pelas suas diferentes passagens. Até aqui, a banda seguia a mesma sequência do disco e o público já abria enormes rodas no centro do local.
A fase "Beneath The Remains" foi selada com "Slaves Of Pain" e "Primitive Future". Max, com seus 49 anos e alguns quilos a mais, se não tem a mesma voz estrondosa de outrora, continua sendo o mesmo carismático líder de antes e manteve durante a noite toda o público em suas mãos.
Nova intro nos alto-falantes, agora para anunciar o início da fase "Arise", um dos discos de thrash metal mais marcantes da história - além de ter uma das capas mais belas que já vi.
O começo foi com a brutal "Arise", com Iggor socando as peles da bateria sem dó, mostrando que ainda está em grande fase. A dobradinha "Dead Embryonic Cells" e "Desperate Cry", com o público cantando junto a plenos pulmões, foi de arrepiar.
Marc Rizzo merece destaque: com suas caras e bocas enquanto dispara palhetadas, ele mantém boa parte do público vidrada nos seus movimentos e na sua técnica bem afiada.
"Altered State" teve uma jam session alongando seu fim, antes de "Infected Voice" voltar com a fúria da noite. Um timbre distorcido de guitarra ao seu fim era a deixa para a entrada de "Orgasmatron", primeiro cover do imortal MOTORHEAD executado na noite. Sim meus caros, pois depois dele, Max só com microfone em mãos, pede ao público um merecido e justo reconhecimento aos "padrinhos do thrash metal" antes de executarem uma versão quase punk de "Ace Of Spades". O tempo voava no relógio e logo chegamos ao fim da primeira parte do show.
Enquanto banda e público pegavam um pouco de ar, uma galera puxou o coro "olé, olé, olá, Vânia, Vânia" em homenagem a mamãe coruja Cavalera que acompanhava do palco aquela grande festa. Max e banda voltam ao palco e ele aproveita para agradecer a toda família ali presente (eram muitos, a Sepultribe continua crescendo).
O primeiro bis foi na fase "Chaos A.D": primeiro, uma versão mais curta, mas não menos poderosa de "Polícia" (TITÃS) e depois a execução de "Refuse/Resist".
Nova saída de palco. Parecia que o show tinha terminado ali, mas havia uma grande expectativa de que, assim como na última passagem por aqui, fosse feita uma surpresa especial aos fãs mineiros. Dito e feito! No retorno, Max volta trajando a camisa do Atlético Mineiro e chama ao palco o guitarrista da primeira formação, Jairo Guedz, para tocarem juntos a poderosa "Troops Of Doom".
Depois de apenas uma hora e vinte minutos de um show curto e preciso, um sonoro "Galo Metaaaaaaaal" (nome de uma famosa torcida organizada do Atlético Mineiro) gritado por Max foi o sinal do que muita gente já sabia, mas não queria acreditar: que o show já tinha acabado.
Do lado de fora, fãs ensopados de suor, mas muito satisfeitos, pegavam um pouco de ar e vibravam entre si com a performance matadora do quarteto. E alguns já planejavam: agora é torcer pela turnê comemorativa do "Chaos A.D."!
Setlist:
Beneath The Remains
Inner Self
Stronger Than Hate
Mass Hypnosis
Slaves Of Pain
Primitive Future
Arise
Dead Embryonic Cells
Desperate Cry
Altered State
Infected Voice
Orgasmatron
Ace Of Spades (MOTORHEAD cover)
Bis 1
Polícia (TITÃS cover)
Refuse/Resist
Bis 2
Troops Of Doom
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