Violator: Moshs loucos e muitas homenagens a Alex Rangel

Resenha - Violator (Beach Club, Fortaleza, 23/05/2015)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Sábado, 23 de maio, o Beach Club, na Praia de Iracema, era o destino certo dos bangers cearenses. Afinal, quem seria louco de perder mais um encontro com os mestres brasileiros do old-school thrash metal, que se apresentaria junto a promissoras ou consagradas bandas do metal cearense. Em mais um evento realizado com a competência da Underground Produções, o VIOLATOR visitou novamente a capital cearense, transformando o clube em um liquidificador humano. A noite também rendeu muitas homenagens a Alex Rangel, vocalista do ATTOMICA que tinha deixado nosso mundo naquela semana após um acidente de moto. Você confere logo abaixo como foram os quatro shows.

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Fotos: Helena Braga

FIST BANGER

A FIST BANGER, liderada pelo carismático e estiloso Vinny Fist, foi a primeira a subir ao palco. E se o público no interior do local já era de bom tamanho, melhor ainda era a sua empolgação. Levados em rodas tão violentas quanto eram rápidos os riffs e solos na velocidade da luz de Ígor Vinícius e Jardel Reis, chocando-se com a parede sonora formada por Yan Silva (baixo) e Paulo Drunk (bateria), os headbangers cearenses já conhecem o som que o quinteto levará para os palcos de São Paulo e Belo Horizonte, entre outras cidades, neste ano: um speed metal nervoso, rápido como tem que ser para ganhar este nome, com um cantor que impressiona pelos dotes vocais (além de caracterizar-se como se estivéssemos no Dynamo, no meio dos anos 80) e backing vocais também eficientes, além de uma boa movimentação no palco. Os moshs eram incontroláveis, tanto quanto a britadeira de Paulo Drunk lá atrás. Durante o show, foi apresentada ao vivo pela primeira vez a faixa "Speed Metal Reaper", uma pedrada. "Fighting for Metal", uma homenagem ao som que pulsa nas veias de todo banger, também marcou presença junto com faixas como "Speed of Light", "Merciless Death", "Agent Steel" e "Invaders of The Thrash". Vinny chega a sentar-se no palco e dar o microfone para que os bangers mais empolgados cantassem com ele "Welcome To Hell". E como o negócio estava bom mesmo, incluíram "Whiplash" no repertório. Renan, um amigo da banda, e Alex Rangel, do ATTOMICA (cuja notícia do falecimento entristeceu o metal brasileiros nesta semana) foram homenageados.

BETRAYAL

Sempre que a BETRAYAL sobe ao palco, sobe junto o espírito de Tom Araya, principalmente devido ao talento do vocalista e guitarrista Volney Mendes. Canções como "Destroy In The Mosh Pit" são capazes de liberar uma quantidade enorme de energia, expressa principalmente na quantidade de bangers fazendo stage dive. A ótima "Human Destruction", que dá nome a uma das demos da banda, também se fez presente."Nenhum minuto de silêncio, toda a vida pra lutar", "All To The Fight" parece prometer. E durante o show, curto, mas intenso, a banda, complementada pelo baixista Fabiano, pelo guitarrista Franzé e pelo baterista Sula, cumpriu a promessa. Além de Alex Rangel, Pacheco, amigo do baixista também mereceu uma homenagem. Ao fim, Vansmacy, apresentador do evento, pediu uma série de palmas para Alex Rangel.

AGRESSIVE

O evento inicialmente tinha escalado a banda de death-metal SACRILEGIOUS SALACIOUS. Embora tenha havido gente que estranhou, entendemos que não há nada de mal nisso e até apoiamos essa ideia. Fica bem mais interessante ter esse "elemento estranho", por exemplo, uma banda de thrash em meio a bandas de death, uma banda de death em meio às de thrash, para atingir um sempre conveniente grau de entropia. No entanto, por algum problema a SACRILEGIOUS não pode se apresentar e a AGRESSIVE foi chamada às pressas para garantir a alegria dos bangers.

Mais que tapar um buraco, os meninos (temos acompanhado a banda desde que eram moleques menores de idade) aceitaram a missão e, com muita competência, provaram mais uma vez que o que faz um gigante não é o seu tamanho. "Dictators Sarcastic" e "General Death" foram pedidas pelo público e o pedido foi atendido. Apesar do chamado de última hora, o show provocou com que o caos continuasse imperando no Beach Club, com um baterista que se multiplica em vinte (Mateus Sales) e um guitarrista Camilo Neto mostra evolução a cada apresentação, além do peso garantido pelo baixo de Jardel e Diego Barbosa ditando as ordens aos fãs fieis que obedeciam prontamente às solicitações de moshs sem fim.

VIOLATOR

Antes que o show do VIOLATOR, parecia que os bangers de Fortaleza não conseguiriam agitar. Os três primeiros shows da noite foram extremamente exaustivos e ninguém acreditaria que alguém mais ali conseguiria reunir forças para se mexer. Ledo engado. Depois da longa intro e do primeiro agradecimento do sempre simpático e humilde Pedro Arcanjo, mais conhecido como Poney, o Beach Club explodiu novamente como se todo mundo tivesse acabado de chegar. "Endless Tirannies" foi a responsável por levantar a galera.

"Tá demais isso aqui. Me deram uma cachaça que era uma gasolina louca que até agora tá ardendo aqui", disse Poney, sempre muito bem humorado. E pra galera enlouquecida no mosh ele lembrou: "Cuidem uns dos outros. Lá fora está todo mundo contra a gente. Aqui a gente tem que cuidar uns dos outros", exibindo um cartaz "No Karate In The Mosh Pit". A loucura enfurecida continuou com o palco o tempo inteiro cheio de bangers fazendo stage dive. Em "Atomic Nightmare", até o próprio Poney fez o seu. Caçapa, por sua vez, aproveitou para mandar um alô para os amigos sobralenses, mostrando familiaridade com outras regiões do estado. "Faz onze anos que a gente tocou em Fortaleza pela primeira vez. E muita gente que tá aqui hoje era muito moleque na época. E isso é muito legal", completou Poney. E lendo outro cartaz, que dizia "Lugar de Mulher é no Mosh Pit", "nem precisava vir aqui um homem pra dizer isso, né?".

"Deadly Sadistic Experiments", sobre libertação animal, veio seguida de "Brainwash Possession". "Tão sempre querendo controlar as nossas vidas, com Deus, o trabalho e o progresso, mas a gente sempre que pode vai resistindo a isso", comentou Poney. "São quinhentos anos de história, são quinhentos anos de massacre silencioso" e os ecos do silêncio se fizeram ouvir, de forma brutal, rápida, ríspida. Era "Echoes of Silence".

O que se via no Beach Club eram cenas impressionantes. Um headbanger pulando em cima do outro que já estava pulando também. A energia sobre o palco e abaixo dele daria pra abastecer uma cidade. Melhor é o Victor Belfort ficar longe de um show do VIOLATOR, senão ele apanha de novo e isto aqui é coisa só pra quem aguenta porrada.

"Este show daqui de Fortaleza é um dos poucos shows desse ano. A gente escolheu Fortaleza pra tocar esse ano porque Fortaleza é muito especial pra gente", confessou Poney. E tome "Thrash Maniacs". Cada um dos pequenos discursos de Poney, declarações de amor ao thrash, ajudavam o público a respirar entre uma seção e outra de pancadaria, entre um hino e outro do thrash. "São 13 anos de thrash metal old school que a gente faz por amor".

Numa atitude que devia ser copiada por todas as bandas em todo festival, desde a que toca ao meio-dia até à headliner, Poney não deixou de render elogios à FIST BANGER ("Speed Metal animal", disse ele), à AGRESSIVE ("mesmo tocando de última hora, fizeram um grande show") e à BETRAYAL ("que já tocamos várias vezes juntos"). "A gente não é merda nenhuma. Quem tá aqui em cima não é melhor que quem tá aí embaixo. Vamos aos poucos quebrando esse ciclo de idolatria". De fato, o VIOLATOR não é um quarteto. É uma banda formada por centenas de pessoas. Um canta e toca baixo, dois fritam nas guitarras (Pedro Augusto "Capaça" e Márcio "Cambito"), um quebra kits de bateria e o resto pula, se bete no mosh. E se o destino da bateria era apanhar, e muito. Em "Destined to Die", o batera David "Batera" Araya bota pra quebrar sem pena.

"Esta é sobre a Favela do Pinheirinho e sobre o que aconteceu por lá". "Respect Existence or Expect Resistence" era a canção. E ao fim de "Addicted To Thrash", em mais uma parada, Poney avisou: "Vamos tocar as duas últimas. Não vai ter essa coisa de bis". E mandaram "Futurephobia" e "UxFxTx (United For Thrash)". Nessa, um doido não aguentou mais e resolveu parar de escrever este texto e entrar no mosh. E esqueceu de tirar o óculos. Resultado, bem, o resultado vocês já sabem, né? E o nome desse doido também já devem imaginar.

"Essa é a sexta vez ou sétima vez que tocamos em Fortaleza e é muito boa essa troca de energia", disse, Pedro Poney. Mesmo amargando o prejuízo da perda do óculos, nós concordamos.

Agradecimentos:
Fabrício Moreira, pela atenção e credenciamento.
Helena Braga, pelas fotos que ilustram esta matéria.

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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