Misfits: Uma reunião de família do verdadeiro punk rock

Resenha - Misfits (Espaço Victory, São Paulo, 27/04/2014)

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Por Monica Prado
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Assistir a uma performance de Misfits é uma experiência totalmente imersiva; a banda dá 100% do início ao fim com a energia desenfreada e cada gota de seu sangue, suor e lágrimas é deixado no palco deixando muitos de seus contemporâneos, parecendo um bando de amadores. Ao contrário de muitos shows ao vivo, um show do Misfits é como uma reunião de família do verdadeiro punk rock onde todos vêm juntos sob o mesmo teto para se divertir!

O Espaço Victory recebeu na noite de domingo, dia 27, uma imensidão de gente que vestia a camiseta de caveira, já vestidas ou compradas na hora, marca da banda Misfits, alguns até com o rosto maquiado, enfim, um público que estava lá para ver o melhor do horror punk americano.

O local é grande, abriga uma boa quantidade de fãs alucinados, porém a ventilação é precária e o banheiro feminino estava praticamente alagado logo no início – havia um considerável público feminino presente nesta noite. A área de fumantes também merece ser repensada.

Detalhes à parte, vamos aos shows, que não deixaram ninguém decepcionado, pelo contrário.

Liderada por Sérgio Aspar, a banda gaúcha WishCraft iniciou o aquecimento do público que ainda chegava ao local. Tocando faixas dos seus dois CD’s eles movimentaram a galera que formava a roda, à pedido do vocalista. Uma excelente abertura, que foi finalizada com o cover do ‘Ratos de Porão’ – ‘Crucificados pelo Sistema’.

Após um intervalo, foi a vez do ‘Zumbis do Espaço’, com quase dez anos de estrada e um público fiel, que acompanhou e cantou todas as execuções. O set list trouxe faixas de peso como ‘Mato por Prazer’, Espancar e Matar’ e ‘Satã chegou’. Toda fúria do som da banda contagiou a galera que já lotava o local.

Na sequência, o público recebeu o que tanto queria, Misfits. Emergentes de New Jersey no final dos anos setenta, a banda foi originalmente formada por Glenn Danzig e Jerry Only, que assumiu a banda no início da década de 90 e continua a ser o único membro original. Eles certamente já deixaram sua marca sombria em muitas almas por todo o mundo com seus estilo punk horror icônico, misturando a intensidade do punk rock com temas e imagens de filmes de terror e literatura, há mais de 35 anos.

Não há dúvida que Misfits tiveram uma grande influência sobre muitas bandas diferentes ao longo dos anos, tanto em imagem e, é claro, com sua música. Um testemunho disso é que eles foram seguidos por uma miríade de artistas como ‘Metallica’, ‘Guns 'n Roses’, ‘My Chemical Romance’, ‘NOFX’, ‘Cradle Of Filth’, ‘Sick Of It All’, ‘AFI’ e o ‘Alkaline Trio’, que resultou nos ‘Misfits’ sendo introduzido a novos públicos totalmente diferentes em cada uma das novas gerações.

E o show começou com um ataque sonoro do seu próprio legado. O trio inflamou sem pausa através de um conjunto de músicas que incluía apenas raras concessões para seu verdadeiro auge. A velocidade aumentada das músicas tocadas – mais de quarenta, em noventa minutos – fez com que algumas faixas soassem bem diferentes do original.

O repertório foi cheio de clássicos como ‘Attitude’, ‘Where Eagles Dare’, ‘Skulls Mommy’, ‘Hybrid Moments’, ‘We Are 138’ e ‘Horror Business’, só para mencionar alguns deles.

Um ponto alto da apresentação foram os momentos musicais dedicados à faixas de ‘Static Age’ que, gravado em 1978, mas não lançado em sua totalidade, até 1997. A empolgação e o ritmo nunca mudaram, e o resultado pode ser conferido por todos presentes.

Jerry não consegue disfarçar o carisma com sua cara de ‘bad guy’, prova disso é sua constante interação com público e a vinda ao palco de crianças que participaram do show.

Bandas como Misfits e momentos como este são, afinal de contas, a razão por que existe o bom punk rock. Quando o show fechou com "Die, Die, My Darling" e “Halloween” seus sobreviventes tiveram que acalmar o inferno e voltar prá realidade do final de domingo, porém, melhores do que nunca.

Line up:
Jerry Only – vocais,baixo
Dez Cadeba – vocais, guitarra
Eric ‘goat’ Arce – bateria

Set list:
The Devil's Rain
Vivid Red
Land of the Dead
Scream!
Hybrid Moments
Teenagers From Mars
Attitude
Some Kinda Hate
Curse of the Mummy's Hand
Dark Shadows
Father
Jack the Ripper
Static Age
TV Casualty
She
Abominable Dr. Phibes
20 Eyes
Angelfuck
Vampira
Horror Business
From Hell They Came
American Psycho
Don't Open 'Til Doomsday
Dig Up Her Bones
Shining
Kong at the Gates
The Forbidden Zone
Return of the Fly
The Monkey's Paw
I Turned Into a Martian
Skulls
Where Eagles Dare
Hatebreeders
Horror Hotel
Ghoul's Night Out
We Are 138
Descending Angel
Helena
Thirsty and Miserable (Black Flag cover)
Saturday Night
Die, Die My Darling
Halloween

Fotos Kennedy Silva - Galeria completa neste link.

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Sobre Monica Prado

Sou formada em Engenharia pela E. E. Mauá e atualmente curso Filosofia na FFLCH-USP. Sou professora e tradutora de Inglês. Amo música e curto desde música clássica até o Heavy Metal. Música brasileira não é meu forte, mas sei apreciar um som de qualidade. A música me ajuda a sobreviver neste mundo, e ele ainda vale a pena por causa dela!

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