Humberto Gessinger: como foi a apresentação em Fortaleza

Resenha - Humberto Gessinger (Praça Verde do Dragão do Mar, Fortaleza, 24/05/2013)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

O cantor, escritor e multi-instrumentista HUMBERTO GESSINGER já se apresentou em Fortaleza várias vezes, junto com os ENGENHEIROS DO HAWAII (banda que o apresentou ao público brasileiro) e com o projeto POUCA VOGAL (ao lado de Duca Leindecker, líder e guitarrista do CIDADÃO QUEM). Esta era, no entanto, a primeira vez que ele se apresentava sob o próprio nome, em carreira solo. Como não poderia ser de outra forma, milhares de fãs do trabalho de Gessinger foram ao Centro Cultural Dragão do Mar na última sexta-feira, 24 de maio, para ver o gaúcho novamente.

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Fotos: Gandhi Guimarães

Para esquentar o clima, a banda LED ROCK foi escalada, apresentando sua surf music, inspirada em bandas como INXS e MIDNIGHT OIL, além de outros ícones das décadas de 60, 70 e 80. O quinteto formado pelo carismático Mr. Perdigão na bateria, Flávio Motta e Carlos Ivan nas guitarras, Júlio Barreto no baixo (o melhor músico no palco) e André Pjota nos vocais começou seu show apresentando boas músicas autorais, mas começou a empolgar mesmo com "Até Quando Esperar", da PLEBE RUDE, seguida por "Tempo Perdido", da LEGIÃO URBANA, que finalmente levantou a galera.

Mais algumas autorais (as primeiras tinham sido melhores) e um novo pico de empolgação do público aconteceria com "Wish You Were Here", na voz do guitarrista Flávio Motta. Mr. Perdigão ainda arranjou uma oportunidade para um muito bem vindo solo de bateria e Flávio Motta assumiu outra vez os vocais para "Johnny Be Good", de CHUCK BERRY.

De volta aos microfones e muito mais à vontade que em canções mais calminhas, Pjota mandaria "Bichos Escrotos" dos TITÃS e fechou o show com um empolgante hardcore. Talvez apostar nesse caminho (músicas mais calmas com Motta e mais agitadas com Pjota) fosse uma boa ideia. Apesar da banda ser bastante recente, os músicos já tem bons anos de estrada e já tem um disco lançado e que pode ser conferido no site abaixo. Para quem curte o rock que fervilhava na capital federal nos anos 80, como as já citadas PLEBE RUDE e LEGIÃO URBANA é um prato cheio. Destaque para "Nós Dois" e "Não Posso Esperar".

http://ledrockbrasil.wix.com/musicbrasil
 
A banda também divulgou o que seria o seu primeiro clipe, com imagens do show.
 

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Por volta de 23 horas, o público já gritava "Humberto, Humberto, Humberto". Muitos estavam com camisas dos ENGHAW. É impossível dissociar a imagem dos ENGENHEIROS da figura de Humberto Gessinger e vice-versa, mas só às 23:30, com a Praça Verde completamente lotada, o locutor anunciaria que o show (que faz parte do projeto "Dragão Musical" da Arte Produções e Nativa Produções) já iria começar. É quando subiram ao palco o dono da noite, Humberto Gessinger, com uma gaita no pescoço e seu baixo nas mãos, acompanhado do ex-FRESNO Rodrigo Tavares (guitarra) e Rafa Bisogno assumindo as baquetas.

E o show começa com a dobradinha "Toda Forma de Poder/Banco", a primeira um tanto mais acelerada e pesada e a segunda com algumas "atualizações" na letra, como "Dever haver alguma banda/canção/time de futebol que ainda te emocione. Será que há algum partido político que ainda te emocione? ". E o show prosseguiu com as mais recentes (nem tão recentes assim) "A Montanha" (de 1997) e "Até o Fim" (de 2003).

Se dirigindo pela primeira vez ao seu público, Gessinger prometeu cantar músicas de toda a sua carreira, de todos os seus discos e mandou mais um sucesso dos primeiros tempos dos ENGHAW, seguido de outro recente, "A Revolta dos Dandis I" e "Armas Químicas e Poemas", respectivamente (com o público cantando junto todas as músicas, independentemente de que fase da carreira do músico elas tivessem vindo). Humberto agradecia o carinho dos cearenses dando o seu característico pulo segurando o baixo.

É claro que, principalmente para quem acompanha as composições dos ENGENHEIROS DO HAWAII desde o início dos anos noventa, ver a formação clássica (Gessinger, Maltz e Licks) de uma das mais importantes representantes do rock brasileiro no palco ainda é um sonho (impossível? Quem sabe? Este ano veremos o BLACK SABBATH quase completo, o DORSAL ATLANTICA já lançou um novo disco e até o LED ZEPPELIN já teve a sua reunião com os membros originais e o DNA do inesquecível JOHN BONHAN). No entanto a dupla de músicos que hoje acompanha Humberto também não fica à sombra dos muitos músicos que passaram pelas várias formações dos ENGENHEIROS DO HAWAII. Rodrigo "Esteban" Tavares assume os vocais em "O Sonho É Popular" e faz, não um, mas dois, belos solos de guitarra em "Eu Que Não Amo Você".

É desnecessário, mas obrigatório, dizer que grande parte da força da música dos ENGHAW está nas letras de Gessinger, em seus trocadilhos e paradoxos, nas frases e títulos às vezes impenetráveis (a exemplo de algumas da discografia do LEGIÃO URBANA) como "Se eu soubesse antes o que eu sei agora, erraria tudo exatamente igual / Se eu soubesse antes o que eu sei agora, iria embora antes do final". E mais algumas novas pérolas líricas podem estar a caminho, pois Gessinger anunciou que o disco novo ("Insular", que levaria apenas a sua assinatura) estava finalizado, apresentando "Tudo Está Parado", composta em parceria com os mineiros do JOTA QUEST.

Deixando o baixo de lado e assumindo uma sanfona (decorada com as engrenagens de "Várias Variáveis") para "Somos Quem Podemos Ser", "De Fé" e "Terra de Gigantes", quando muda alguns trechos da letra original para homenagear o público cearense. "Tem uns cearenses tocando comigo"... "Fortaleza agora é uma ilha"...

Da sanfona (ou gaita, como preferem os gaúchos), Gessinger passa para os teclados para "Piano Bar". E este redator confessa que não conhece as músicas do POUCA VOGAL, mas se surpreendeu ao ver o público cantando junto "O Voo do Besouro" como se fosse uma canção de 1991 como sua predecessora no setlist.

A exemplo do maior astro que Fortaleza já recebeu poucos dias atrás (sir James Paul McCartney), Gessinger tem um extenso setlist e troca várias vezes de instrumento. O próximo é um baixo/guitarra usado para "Exército de Um Homem Só", alternando facilmente entre uma e outra sonoridade. Enquanto Gessinger se dedica aos agudos da guitarra de seu baixo/guitarra, Rafael Bisogno faz um fantástico trabalho na cozinha, preferindo os sons mais graves.

Pausa para uma água e o primeiro bis (sim, foram dois) vem com "Dom Quixote" e "Refrão de Bolero", em que Tavares sola, Gessinger sola e Bisogno não quer nem saber, manda ver no seu kit. O público estava rendido, mas ainda haveria mais.

No segundo bis, sozinho com a sanfona "variavelmente ilustrada", Gessinger executa um dos maiores sucessos dos ENGHAW para os garotos que como eu amavam os BEATLES, os ROLLING STONES... e o PINK FLOYD, e o IRON MAIDEN e o METALLICA, e a LEGIÃO URBANA e os ENGENHEIROS do HAWAII. Você sabe qual é.

Recebendo de volta sua dupla de escudeiros e o baterista Gláucio Ayala, da última formação dos ENGHAW, o show encerra-se com "Infinita Highway". Ao que me pareceu, muitos dos presentes queriam continuar ali para um terceiro bis. Fortaleza se despede dos gaúchos, que serão, com certeza, muito bem recebidos da próxima vez que vierem por aqui. Aqui não tomamos chimarrão, mas Gessinger ficou devendo "Ilex Paraguariensis" além de inúmeras outras e poderia voltar para pagar. Em várias prestações.

Set List

1.Toda Forma de Poder / Banco (Engenheiros do Hawaii)
2.A Montanha (Engenheiros do Hawaii)
3.Até o Fim (Engenheiros do Hawaii)
4.A Revolta dos Dândis I (Engenheiros do Hawaii)
5.Armas Químicas e Poemas (Engenheiros do Hawaii)
6.Freud Flintstone (Engenheiros do Hawaii)
7.O Sonho É Popular (Engenheiros do Hawaii)
8.Ando Só (Engenheiros do Hawaii)
9.A Violência Travestida Faz Seu Trottoir (Engenheiros do Hawaii)
10.Ninguém = Ninguém (Engenheiros do Hawaii)
11.Tudo Está Parado
12.Eu Que Não Amo Você (Engenheiros do Hawaii)
13.Surfando Karmas & DNA (Engenheiros do Hawaii)
14.Somos Quem Podemos Ser (Engenheiros do Hawaii)
15.De Fé (Engenheiros do Hawaii)
16.Terra de Gigantes (Engenheiros do Hawaii)
17.Piano Bar (Engenheiros do Hawaii)
18.Vôo do Besouro (Pouca Vogal)
19.3×4 (Engenheiros do Hawaii)
20.¡Tchau Radar!
21.Alívio Imediato (Engenheiros do Hawaii)
22.Pra Ser Sincero (Engenheiros do Hawaii)
23.O Exército de Um Homem Só (Engenheiros do Hawaii)

Bis 1

24. Dom Quixote (Engenheiros do Hawaii)
25. Refrão de Bolero (Engenheiros do Hawaii)

Bis 2

26. Era um Garoto Que, Como Eu, Amava os Beatles e os Rolling Stones (Engenheiros do Hawaii)
27. Infinita Highway (Engenheiros do Hawaii)

Agradecimentos à Arte Produções pelo credenciamento.

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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