Black Label Society: na lista dos melhores de 2012 em POA
Resenha - Black Label Society (Opinião, Porto Alegre, 23/11/2012)
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 27 de novembro de 2012
Com o status de um dos melhores espetáculos de 2011, o BLACK LABEL SOCIETY retornou ao Brasil para mais uma extensa turnê em 2012. A banda liderada por Zakk Wylde – que não possui um novo álbum desde que saiu "Order of the Black" (2010) – vem montando o seu mais recente set-list a partir da mesma base do ano anterior. O repertório explorou todos os sucessos que a plateia estava ansiosa para conferir e trouxe pouquíssimas novidades. No entanto, o show foi contornado por um fator extrapalco. A ineficiente burocracia da Receita Federal reteve na fronteira com a Argentina boa parte do equipamento da banda – ao ponto de uma nova data precisar ser agendada às pressas horas antes dos caras subirem ao palco no dia 20.
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Fotos por Liny Oliveira
A manobra extremamente louvável da Abstratti Produtora – que atrasou o espetáculo do BLACK LABEL SOCIETY em três dias – garantiu que Porto Alegre não saísse do novo tour program de Zakk Wylde & Cia pelo Brasil. Embora o novo horário do show tenha prejudicado os planos de muitos, já havia uma boa quantidade de fãs no Opinião às 18h45, quando a banda de abertura DRACO subiu ao palco. O power trio formado por Leo Jamess (vocal e guitarra), Beto Pompeo (baixo) e Eduardo Polidori (bateria) teve tempo suficiente para mostrar músicas do seu novo EP, intitulado "Evolução", e faixas do seu primeiro álbum, batizado de "Contramão". O rock da banda, que possui letras em português como seu principal diferencial, está ainda mais pesado e ríspido ao vivo. A postura forte e de muita atitude atraiu os olhares de praticamente todos os espectadores que ainda entravam no local. Não há dúvidas de que o resultado do espetáculo dos caras foi – mais uma vez – mais do que satisfatório.

A incerteza sobre o show do BLACK LABEL SOCIETY em Porto Alegre foi sepultada definitivamente às 20h – horário em que a cortina com o nome e com o logotipo da banda caiu para que Zakk Wylde (vocal e guitarra), Nick Catanese (guitarra), John DeServio (baixo) e Chad Szeliga (bateria) ocupassem o palco do Opinião com o seu heavy metal tradicional. A potente "Godspeed Hellbound" foi a escolhida para abrir o espetáculo e substituiu à altura a também excelente "Crazy Horse" do ano passado. O público foi literalmente ao delírio já nos primeiros acordes e reconheceu a faixa de imediato. Com o microfone mal calibrado, Zakk Wylde contou com as vozes de apoio da plateia para contornar o problema de maneira quase que imperceptível. Na sequência, "Destruction Overdrive" foi a primeira novidade da noite. O público respondeu de maneira excelente aqui e também depois com "Bored to Tears" – faixa que abre o primeiro disco da banda, intitulado "Sonic Brew" (1999). A plateia já estava definitivamente conquistada após a primeira trinca de músicas pesadas e recheadas de groove.

Não há dúvidas de que a figura carrancuda de Zakk Wylde seja o principal atrativo de qualquer show do BLACK LABEL SOCIETY. O exímio guitarrista – que assume o posto de vocalista sem fazer feio em momento sequer do espetáculo – pode ser considerado um dos últimos rockstars ainda vivos e ativos da atualidade. A performance visceral e praticamente brutal de The Boss atingiu o seu nível máximo com "Berserkers" – outra novidade do repertório se comprado com o set-list do ano passado. O público parecia estar em uma espécie de êxtase coletivo e pouco se importava com o forte calor que fazia dentro da casa naquele momento. Na sequência, o hit "Bleed for Me" colocou novamente o Opinião abaixo com uma performance crua e impecável de toda a banda. O novo e talentoso baterista Chad Szeliga pode mostrar toda a sua competência na dobradinha com "The Rose Petalled Garden" – também retirada do debut "Sonic Brew" (1999). Por outro lado, Zakk Wylde se mostrou um músico versátil ao assumir o piano na balada "In This River". Embora a música não possua a mesma intensidade de "Darkest Days", que foi a escolhida no ano passado, o público não reprovou a escolha de The Boss & Cia.

O retorno ao peso foi feito com um misto de hits e altas doses de virtuosismo. As músicas "Forever Down" e "Parade of the Dead" foram intercaladas com um longo solo de Zakk Wylde, que foi capaz de causar inveja a muito músico experiente. A quantidade praticamente infinita de notas executadas – e de maneira extremamente rápida – é de impressionar. Na sequência, as esperadas "Overlord" e "The Blessed Hellride" foram muito bem recebidas pelo público, antes de mais um momento de catarse coletiva. A faixa "Suicide Messiah" tirou literalmente a plateia do chão e contou com um refrão ainda mais forte com as vozes dos fãs. A pegada agressiva do BLACK LABEL SOCIETY permaneceu intacta até o fim do espetáculo. A música "Concrete Jungle" e a sensacional "Stillborn" fecharam de maneira excepcional o show de exata 1h30.

O público deixou o Opinião suado e extenuado – mas satisfeito com toda a potência do heavy metal de The Boss & Cia. Embora com um público levemente reduzido se comprado com o espetáculo do ano passado, o show do BLACK LABEL SOCIETY pode ser facilmente incluído também na lista dos melhores de 2012. Com carisma acima da média e extrema competência técnica, Zakk Wylde deveria ser uma referência para todo headbanger que se preze.

Set-list:
01. Godspeed Hellbound
02. Destruction Overdrive
03. Bored to Tears
04. Berserkers
05. Bleed for Me
06. The Rose Petalled Garden
07. In this River
08. Forever Down
09. Parade of the Dead
10. Overlord
11. The Blessed Hellride
12. Suicide Messiah
13. Concrete Jungle
14. Stillborn
























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