Viper: como foi a apresentação da banda em Porto Alegre

Resenha - Viper (Teatro do CIEE, Porto Alegre, 21/07/2012)

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Por Paulo Finatto Jr.
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O público brasileiro recebeu de maneira extremamente calorosa o anúncio de que o line-up clássico do VIPER iria se reunir para uma turnê curtíssima e comemorativa aos 25º aniversário do álbum “Soldiers of Sunrise” (1987). Embora sem o intuito de reativar o grupo que ajudou a escrever a história do heavy metal no Brasil, o VIPER soube dimensionar a importância da “To Live Again Tour”, sobretudo para a parcela mais jovem da plateia, que sequer tinha nascido quando o quinteto despontou internacionalmente com “Theatre of Fate” (1989). A capital gaúcha recebeu o encerramento da turnê e – mesmo com algumas falhas técnicas – soube aproveitar ao máximo o momento.

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Fotos por Liny Rocks (www.flickr.com/linyrocks)

A abertura dos trabalhos ficou por conta da banda gaúcha PHORNAX. Com o EP “Silent War” ainda na bagagem, Cristiano Poschi (vocal), Tiago Prandini (guitarra), Uesti Pappeé (baixo) e Maurício Dariva (bateria) proporcionaram ao público que ainda se acomodava no Teatro do CIEE um set curto e muito pesado. Embora pouco à vontade em cima do palco, o grupo mostrou personalidade ao agregar um pocket show de dança do ventre ao seu repertório. Os destaques ficaram por conta de “Ghosts from the Past” e “Dare of Destruction”. Outro fato bacana do show dos caras foi disponibilizar – via Bluetooth– a nova faixa da banda. Porém, o show pecou pela ausência de uma performance mais vibrante. No fim das contas, a PHORNAX pouco impressionou a plateia.

Na sequência, os gaúchos da SCELERATA tinham uma novidade. O novo álbum de Fabio Juan (vocal), Magnus Wichmann (guitarra), Renato Osorio (guitarra), Gustavo Strapazon (baixo) e Francis Cassol (bateria), intitulado “The Sniper”, já possui todas as credenciais necessárias para elevar ainda mais o nome da banda no Brasil e também no exterior. As faixas “Must Be Dreaming” e “In My Blood”, que já circulam pela internet, assim como o cover para “Run the Hills” (IRON MAIDEN), animaram o público, que levantou pela primeira vez das cadeiras do Teatro do CIEE. Com mais experiência e uma postura de palco completa, o quinteto elevou os ânimos de quem esperava ansiosamente pelo VIPER. A qualidade da SCELERATA pode ser praticamente resumida na performance sensacional de dois integrantes: o vocalista Fabio Juan e excepcional baterista Francis Cassol. Os caras deixaram o palco após trinta minutos de show com a certeza do dever cumprido.

A promessa de casa lotada se concretizou pouco antes do show do VIPER. O grupo paulista subiu ao palco do Teatro do CIEE por volta das 22h30 com o repertório na ponta da língua do público que enchia praticamente todo o local. Por isso que a qualidade sonora da casa, muito deficitária se comparada com o show do EVERGREY realizado no mesmo local no ano passado, pouco interferiu no que acontecia em cena. Pela primeira vez com o VIPER após um hiato de mais de duas décadas, Andre Matos (vocal), que era acompanhado por Hugo Mariutti (guitarra), Felipe Machado (guitarra), Pit Passarell (baixo) e Guilherme Martin (bateria), soube conduzir o espetáculo na velocidade certa. Embora a banda evidenciasse estar cansada do extenuante roteiro de shows, os caras proporcionaram uma noite que pode ser considerada inesquecível. A abertura com a dobradinha “Knights of Destruction” e “Nightmares” – as duas melhores faixas do de debut “Soldiers of Sunrise” (1986) – provaram muito bem na prática.

O estado de Pit Passarell – provavelmente sob o efeito de álcool – até poderia ser mencionado como um ponto negativo da noite. No entanto, o alto astral e a desenvoltura do cara precisam ser destacadas, apesar das diversidades. O carismático baixista por muitas vezes roubou os holofotes do Teatro do CIEE para si. No meio do repertório, muitas histórias sobre os primórdios do grupo eram contadas, à medida que a banda emendava músicas que jamais foram esquecidas. A faixa-título do debut e as melódicas “Signs of the Night” e “Wings of the Evil” mostraram que o trabalho do VIPER venceu com folga a barreira do tempo. O encerramento da primeira parte do espetáculo foi o mais momento mais curioso da noite. Em um telão improvisado ao lado esquerdo do palco, um trecho do DVD “Living for the Night – 20 Years of Viper” (2005) foi exibido, com entrevistas e muito material de arquivo. A sessão cinematográfica durou cerca de vinte minutos e foi valiosa para que muitos compreendessem o tamanho do VIPER para o metal brasileiro.

Na volta para o palco, o repertório do álbum “Theatre of Fate” (1989) contou com um aliado. O som do Teatro do CIEE se mostrava um pouco mais encorpado e não interferiu negativamente no set-list que ainda viria pela frente. As músicas “As Least a Chance” e “To Live Again” arrancaram sorrisos da plateia. A faixa “A Cry from the Edge” – uma das melhores de toda a história do VIPER – impressionou pela capacidade de Andre Matos ainda atingir os tons mais altos. O espetáculo já estava ganho quando o quinteto paulista ainda tirou da cartola “Living for the Night” – que foi muito ovacionada – e a époica “Theatre of Fate”. A melódica “Prelude to Oblivion” foi a escolhida para encerrar a segunda parte do espetáculo. De acordo com Andre Matos, o show da capital gaúcha estava sendo gravada para um futuro DVD, que teria o show de São Paulo como prato principal. O que resta agora ao público gaúcho é aguardar por isso.

De qualquer maneira, o fim do repertório de “Theatre of Fate” (1989) não decretou o fim da noite. Com intuito de relembrar o que VIPER também produziu de qualidade em “Evolution” (1992), a banda executou a faixa-título do álbum que contou com a estreia de Pit Passarell nos vocais, além de “The Spreading Soul” e a música que praticamente virou o maior hino comercial do conjunto: “Rebel Maniac”. O cover de “We Will Rock You” (QUEEN) – também presente no mesmo álbum – foi o que sentenciou o fim da “To Live Again Tour”. Embora os discos com Andre Matos rendam muito ao vivo, é indiscutível que uma turnê do VIPER precisa mesmo dar um aporte aos melhores momentos de “Evolution” (1992), que, em uma análise fria, não são poucos. O que há de bom em “Coma Rage” (1996) e “Tem Pra Todo Mundo” (1996) já é outra história.

As duas horas de show passaram rápido até que demais. Os quinze privilegiados que participaram do meet & greet com a banda após o espetáculo certamente possuem uma história ainda maior para emoldurar na memória. Entretanto, o que todos podem dizer é que assistiram uma verdadeira aula de heavy metal brasileiro. Não houve sequer uma pessoa que deixou o Teatro do CIEE decepcionada com o que viu e ouviu. O VIPER ainda está em grande forma – e pode realmente estudar uma volta definitiva aos palcos e aos estúdios.

Set-list:

01. Knights of Destruction
02. Nightmares
03. The Whipper
04. Wings of the Evil
05. Signs of the Night
06. Killera (Princess of Hell)
07. Soldiers of Sunrise
08. Law of the Sword
09. H. R.
10. Illusions
11. At Least a Chance
12. To Live Again
13. A Cry from the Edge
14. Living for the Night
15. Theatre of Fate
16. Moonlight
17. Prelude to Oblivion
18. Evolution
19. The Spreading Soul
20. Rebel Maniac
21. We Will Rock You

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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