Rammstein: encenação e pirotecnia incendeiam plateia em SP
Resenha - Rammstein (Via Funchal, São Paulo, 30/11/2010)
Por Lidia Zuin
Postado em 02 de dezembro de 2010
Depois de mais de dez anos de birra com o Brasil, por conta da vaia recebida em 1999 quando abriu o show do KISS, RAMMSTEIN volta ao país na turnê "Liebe ist für Alle da". Com dois shows marcados nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro, a exceção foi feita após o esgotamento de ingressos para a primeira apresentação. A quantidade de fãs se mostrou tão grande que a fila praticamente abraçou o quarteirão da Via Funchal. A casa foi aberta às 20h, mas o show começou por volta das 22h20, quando ainda havia gente do lado de fora esperando para entrar.
A pedido dos músicos, o show não foi reproduzido nos telões. Dessa forma, quem estava no camarote e no mezanino teve dificuldade em assistir à banda que antecipou sua aparição no palco com duas cortinas: uma preta e outra emulando a bandeira da Alemanha. O palco foi decorado em dois níveis, sendo que no mais baixo estava o vocalista Till Lindemann, ladeado pelos guitarristas e vocal de apoio Richard Kruspe e Paul Landers. Acima, o baixista Oliver Riedel e o tecladista Christian Lorenz (o Doktor Flake) circundaram o baterista Christoph Schneider (Doom). Vestidos em couro, Lindemann seguiu seu primeiro figurino aos moldes do clipe "Ich tu’ dir weh": com uma lâmpada na boca, penas ao redor do pescoço e o corpo já manchado como se fosse de óleo e fuligem, o vocalista anunciou o show com uma explosão e a música "Rammlied".
Por conta do concerto ter sido feito num lugar fechado, a dúvida quanto à pirotecnia, efeito característico dos shows da banda, permaneceu até a terceira música, "Waidmanns Heil", que preencheu o salão com labaredas e fumaça. Quem estava próximo ao palco pôde sentir o calor das chamas e a leve asfixia provocada pelos efeitos. O fogo retornou ainda mais forte quando em "Feuer Frei", Lindemann deixou o palco de joelhos, retornando junto de Landers e Kruspe para compor uma tríade. Os três músicos levantaram compridas chamas a partir de um dispositivo acoplado em frente à face.
Apesar de não ter havido tempo para conversa com o público entre as músicas, o vocalista ousou pedir à plateia para que cantassem "mais forte", como disse rapidamente e com forte sotaque. Flake também não pôde deixar de fazer sua encenação, dançando euforicamente logo nas primeiras músicas, e depois aparecendo de dentro do caldeirão de "Mein Teil", já vestido com um macacão com acessórios brilhantes. A música, que trata do caso de canibalismo Armin Meiwes, foi encenada pelo vocalista com um avental ensanguentado de açougueiro e uma faca-microfone. Nesse momento também não faltou fogo, já que Lindemann o ateava abaixo da panela gigante onde Flake aparecia para fazer caretas e tocar teclado.
A encenação e a pirotecnia estiveram presentes também em "Benzin", que trouxe ao palco um tanque de gasolina e uma mangueira cuspindo fogo. "Links 2 3 4" animou os fãs com batidas marciais e ritmo marchante antes de dar início a "Du hast", hit que só não foi mais delirante que a música seguinte, a aguardada e polêmica "Pussy". Enquanto em outros shows a banda já chegou a levar um canhão em forma de pênis, neste a surpresa foi a dança que o baterista Doom fez acima de seu instrumento. Agitando os espectadores, ele chegou a pôr três pênis postiços colados abaixo do ventre, sendo que somente nos dois últimos exemplares a "mágica" foi acontecer: girando de um lado para o outro, Doom espalhava as fagulhas expelidas pelo objeto.
Como bis, RAMMSTEIN tocou mais quatro músicas, sendo apenas a "Haifisch" do novo álbum que dá título a turnê, na qual Flake subiu num bote inflável e foi carregado sobre as mãos da plateia, de um lado para o outro, até retornar ao palco. Nesse meio-tempo, o tecladista inclusive hasteou uma bandeira do Brasil que conseguiu com os fãs. As demais canções foram "Sonne" e "Ich will", que levantaram um grande coro junto a Lindemann.
Mas foi "Te quiero puta" que mais alegrou o público: após uma grande maioria gritar pela música, a banda reapareceu com Flake já segurando um trompete. Em espanhol, a composição não deixou nenhum fã se inibir com o alemão enrolado. O refrão cantado pela plateia se tornou ainda mais alto que o som do microfone de Lindemann.
O show teve duração de duas horas, mas o pós na rua Funchal durou até depois da meia noite. Havia quem comentasse que no dia seguinte estaria lá novamente para prestigiar a banda alemã que há tanto tempo não voltava ao Brasil.
Setlist
"Rammlied"
"B********"
"Waidmanns Heil"
"Keine Lust"
"Weisses Fleisch"
"Feuer Frei"
"Wiener Blut"
"Frühling in Paris"
"Mein Teil"
"Du Riechst So Gut"
"Benzin"
"Links 2 3 4"
"Du Hast"
"Pussy"
"Sonne"
"Haifisch"
"Ich Will"
"Te Quiero Puta"
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