69 Eyes: uma espécie de exorcismo no Carioca Club

Resenha - The 69 Eyes (Carioca Club, São Paulo, 24/09/2010)

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Por Ana Clara Salles Xavier
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E mais uma vez o Carioca Club foi cenário de uma espécie de exorcismo comandado por alguma banda de rock. No último sábado, 25/09 foi a vez dos finlandeses do THE 69 EYES fazerem sua apresentação, que faz parte da turnê do álbum mais recente, Back in Blood. A espera de 5 anos desde o último show dos “vampiros de Helsinki” valeu a pena. Leia a seguir para saber por que.

Por volta das 20:00, o telão que cobria o palco do Carioca foi levantado e as cortinas se abriram. A cenografia do show era bastante simples: um pano de fundo com luzes contendo o nome da banda. A introdução que saia das caixas de som era a música “Cry little sister”, tema do cultuado filme dos anos 80 Garotos Perdidos (ou Lost Boys, fazendo referência à canção de mais sucesso do 69 Eyes). Pouco a pouco, os integrantes surgiram diante de mais ou menos 500 pessoas, arrancando gritos, aplausos e uma comoção geral.

A primeira música a ser executada foi “Back in blood”, do álbum homônimo. Ficou claro que, como eles mesmo dizem na letra, "blood is the new black". Todo mundo que estava lá, cantou, bateu palmas, assobiou. Em seguida veio “Don’t turn your back on fear”, do CD "Paris Kills" de 2002. A banda interagia totalmente com o público, que delirava cada vez que o vocalista JYRKI 69 (com sua jaqueta de couro e óculos escuros) ou os guitarristas BAZIE e TIMO-TIMO vinham para frente do palco ou acenavam para aqueles que estavam nos camarotes. Mesmo escondido, o baterista JUSSI 69 também roubou a cena, com o seu cabelo exótico e seu jeito insano de tocar.

Foi só depois do fim da terceira música que JYRKI conversou com o público. “Foi preciso 5 longos anos para nós voltarmos”, disse ele, que durante o show prometeu que da próxima vez não iriam demorar tanto assim. E dedicou a próxima música para todas as garotas lindas que estavam lá na frente do palco. Era a hora de “Gothic girl”. Aliás, não foi só com esse som que as garotas brasileiras foram homenageadas. “Perfect skin”, “Christina Death” e “Betty Blue” também foram tocadas em homenagem à todas elas, isso só para citar algumas.

A banda estava visivelmente feliz em estar tocando por aqui mais uma vez. JYRKI o tempo todo conversou com o público, agradecendo o carinho dos fãs, elogiando a beleza das brasileiras, agitando com palmas e gritos durante as músicas ("Never say die" foi absolutamente inesquecível, por exemplo). Mesmo nas músicas novas, o público participou cantando as letras. E apesar desse show fazer parte da turnê de divulgação do último álbum, o set list deu mais prioridade para as músicas antigas.

“We are the Helsinki vampires”. Foi essa frase que precedeu “Wasting the dawn”. Em seguida, “Feel Berlin”, “Brandon Lee” e “Devils”, as 3 últimas canções antes do bis. Devils foi um show à parte. Não teve uma pessoa que não estava cantando, pulando, gritando, dançando.

Era hora de sair do palco e deixar aquele famoso clima de suspense antes do gran finale. Enquanto o público gritava o nome da banda, eles voltaram e foi a vez de JUSSI ir ao microfone agradecer pelo carinho dos brasileiros.

A primeira música do bis foi “Framed in blood”, seguida por “The Chair”. Todos já sabiam qual seria o som que iria encerrar aquela apresentação. Mesmo assim, o público pedia sedento ao coro de “lost boys, lost boys”. "I got one question for you: do you wanna rock?" Foi assim que começou o encerramento do show do THE 69 EYES. Dispensável dizer que todo mundo cantou em uníssono. Dispensável também dizer que esse é um show que vai deixar saudade. Um show simples, mas que com certeza agradou em cheio os fãs que estavam lá.
E que eles cumpram sua promessa e não demorem a voltar!

SET LIST

Back in blood
Don’t turn your back on fear
Dead n’ Gone
Gothic girl
Lips of Blood
Perfect Skin
Christina Death
Dance d’Amour
Never Say Die
Kiss me Undead
Betty Blue
Dead Girls Are Easy
Wasting the Dawn
Feel Berlin
Brandon Lee
Devils

BIS
Framed in Blood
The Chair
Lost Boys

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Sobre Ana Clara Salles Xavier

Ana Clara Salles, 24 anos, paulistana. Fã do Guns n' Roses, Black Label Society, Judas Priest, Led Zeppelin e Beatles, no seu acervo musical tem espaço também para bandas dos anos 80 como Sisters of Mercy e Depeche Mode. Afinal, como já disse uma vez Friedrich Nietzsche: "sem música, a vida seria um erro".

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