Nightwish: A apresentação no Rio foi um sucesso absoluto
Resenha - Nightwish (ATL Hall, Rio de Janeiro, 28/07/2002)
Por Rafel Carnovale e Anderson Guimarães de Carvalho
Postado em 28 de julho de 2002
A passagem da banda Nightwish pelo Brasil pode ser descrita como um sucesso absoluto. Casa cheia em quase todas as cidades, fãs com empolgação a mil, uma banda coesa e bem entrosada, e a vocalista Tarja Turunen cada vez mais perfeita em suas interpretações. Mas um momento especial deve ser creditado à primeira visita desta banda à cidade maravilhosa. A empolgação da banda, que tinha viajado durante quatro horas na noite anterior, somada à loucura e ao "frenesi" dos fãs, provocou uma química perfeita, empolgante, e até emocionante.
O dia começou com a tarde de autógrafos, realizada na loja Hard N'Heavy do Flamengo (Rua Marques de Abrantes, 177, Loja 116). Marcada inicialmente para as 15 horas, a galeria aonde fica instalada a loja começou a receber, desde as 8 e meia da manhã, fãs que esperavam ansiosos por um autógrafo, uma foto, ou quem sabe umas palavras com o quinteto finlandês. A primeiríssima a chegar foi Cecília, uma estudante de 18 anos que emocionada e quase em prantos declarou "ter conhecido a banda através de um amigo e que amava a todos eles". Disse ainda "que esperava ansiosamente pelo show e mesmo que Tarja saísse da banda ela continuaria uma fã incondicional". Sua emoção era visível, assim como o nervosismo de vários fãs. Mas tudo foi bem organizado e o evento correu sem maiores problemas. Se empolgação e emoção fossem problemas, estaríamos ferrados nesse dia.
Às 15 horas, dito e feito: Nightwish no Rio. Tarja, Tuomas, Jukka, Emppu e Marco chegavam à Hard N'Heavy. A emoção foi total. Fãs em estado de êxtase gritavam o nome da banda e o nome da vocalista e dos demais integrantes. A entrada na loja teve que ser rápida. Mas tão logo os finlandeses adentraram o recinto, percebeu-se a emoção de muitas pessoas. Muitos fãs chegavam a chorar, só de ter visto a banda passar.
A tarde correu sem grandes problemas, com uma banda super simpática e acessível, autografando um item por pessoa (medida adotada para evitar tumultos) e tirando fotos com todos. Conseguimos tirar boas fotos de Tarja e Tuomas, que se mostraram simpáticos e até surpresos com o agito que ocorreu. Deve-se ressaltar a simpatia e o carinho com o qual a banda tratou seus fãs. Em vários momentos parecia que a banda homenageava os fãs, com sorrisos e atitudes amigas. Foi um grande evento. "Inesquecível", disse a vocalista Tarja, que ainda recebeu presentes de vários fãs, esbanjando empolgação. "Não consigo acreditar até agora" confidenciou-me o guitarrista Emppu em um momento quando tirávamos fotos de todos. Alguns, como Tuomas, mostravam cansaço, mas não deixavam a peteca cair. Parabéns à Hard N'Heavy e à Top Link por propiciar esse grande momento aos fãs, com uma organização exemplar e muito cuidado com as pessoas que chegaram ao local. Ao término do mesmo declarações de amor e loucura imperavam pelas pessoas que saíam da loja. Muitas saíam pulando e gritando, não conseguindo esconder a emoção.
Terminada a tarde de autógrafos, vamos ao show: O Atl Hall, recém reformado, teve sua capacidade reduzida para 7000 pagantes. O show teve 3500 a 4000 pessoas, o que para um show de metal no Rio de janeiro é algo muito inspirador. Os portões foram abertos às 20h30, sendo que o show de abertura começaria as 21h00, o que motivou a formação de uma fila gigantesca na entrada, mas tudo correu sem maiores rebuliços (além dos que são comuns a qualquer evento).
Às 21h00, a banda de Manaus, Glory Opera, subiu ao palco para aquecer as turbinas para a grande noite. Executaram 5 temas em 30 minutos, sendo um cover do Symphony X e outro do Angra ("Nothing to Say"). A banda é competente, o vocalista tem um timbre de voz potente, muito inspirado em Michael Kiske, o baixista e os guitarristas são virtuoses. Mas em seus temas a banda demonstra um excesso de virtuosismo que algumas vezes chegou a ser entediante. Temas que começavam rápidos e empolgantes descambavam para solos intermináveis de guitarra e teclado, e para diversas quebradas de andamento por toda a música. Se abandonassem um pouco o excesso de vituosismo e tocassem mais "direto", o show seria perfeito, pois a banda soube agitar os fãs, que berravam o tempo todo "Cadê o cd! Cadê o cd!". Um show mediano, mas que serviu para aquecer a galera para o que estava para vir.
Às 22h00 as luzes se apagam e o povo entra em frenesi. O palco começa a ser tomado por uma névoa branca e a intro do show começa. Jukka assume seu posto na bateria e o Nightwish entra já arregaçando com "Bless the Child" do novo cd, "Century Child". De cara nota-se que a banda cada vez mais se especializa em performance de palco, principalmente o guitarrista Emppu e Tarja, que está muito mais integrada ao ambiente heavy metal, agitando o tempo todo e conclamando a galera a agitar, embora seu potente vocal estivesse muito baixo nessa música.
"End of All Hope", também do novo cd é a seguinte, e o heavy metal com influências clássicas da banda conquista a galera de vez, que canta as músicas em uníssono. Músicas como "Come Cover Me" e "Kinslayer" do cd "Wishmaster" agradam em cheio a multidão, e rodas começam a serem abertas, para que todos possam por para fora sua empolgação. Outros temas de "Wishmaster", como "Deep Silent Complete", "Sleeping Sun" e a faixa título (a última, que arrancou urros da platéia, que a pedia a todo instante) também funcionaram muito bem ao vivo, assim como as faixas "10th Man Down" e o cover de "Over the Hills and Far Away" (que incendiou a galera, sendo berrado por todos).
Tarja está muito mais solta no palco, e domina todos os espaços. Tuomas agita como um louco em seu teclado, e se mostrou muito simpático, dando sua cerveja ao público durante "Sacrament of Wilderness" (a única música de Oceanborn presente no show).Mas um dos grandes destaques, além de Tarja (que esbanja talento e beleza física – como ela é bonita ao vivo!) fica para o baixista Marco Heitala. Um rapaz que agita o tempo todo, assumiu os vocais que outrora foram de Tuomas, e fez belos duos com Tarja, como comprovam as músicas "Dead to the World" e "Slaying the Dreamer", aonde o mesmo alterna vocais melódicos e guturais. Marco ainda teve seu momento solo, aonde sem Tarja levou nada mais nada menos que "Crazy Train", ainda tendo a audácia de perguntar se alguém gostava do "legendário Ozzy Ousborne". Foi muito interessante também ver e ouvir o guitarrista Emppu tentando solar como Zakk Wylde. O cara tem talento, mas não precisava chegar a tentar copiar as manhas de Zakk em "Crazy Train". Mas o saldo foi positivo.
O fim do show, com "Wishmaster", acabou com a maratona de "10 dias e meio" no Brasil, que Marco declarou a platéia, prestando, junto com Tarja uma justa homenagem à equipe técnica, que cumpriu bem seu serviço, dando à banda condições de luz e som muito boas, com exceção imperdoável dos vocais de Tarja nas duas primeiras músicas.
O show teve 1h30 de duração e serviu para fortificar o nome do Nightwish no cenário brasileiro (se é que isso é necessário). Mas há pontos negativos que devem ser observados: apenas uma música do excelente "debut" "Angels Fall First" foi tocada ("Beauty of the Beast"), e nota-se um certo distanciamento entre Tarja e Tuomas. Eles não se falaram na tarde de autógrafos, e durante o show não trocaram cumprimentos, enquanto que todos os outros membros foram mais amigáveis com Tarja. O que isso quer dizer só o futuro mostrará. O presente mostrou que o Nightwish foi fantástico durante sua passagem pelo Brasil. Que continue assim.
Agradecimentos:
A Beto Rabelo, da Top Link, Alexandre Vilela e Paulo Sondermann da Hard N'Heavy, e principalmente a Tarja Turunen, Jukka Nevalainen, Emppu Vourinen, Marco Heitala e Tuomas Holopainen, por nos propiciarem momentos fantásticos.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



20 bandas que nunca lançaram um disco ruim, de acordo com a Metal Hammer
Em clima de Copa do Mundo, Angra lança videoclipe da releitura de "Pra Frente Brasil"
A cantora que conquistou James Hetfield com sua voz "de cheiro de cigarro"
A banda que Brian May achava que deveria ter sido gigantesca; "Eles foram nossos mentores"
As quatro melhores músicas do Led Zeppelin, segundo Robert Plant
A canção polêmica dos anos 80 que Roger Waters destacou entre as melhores
Charles Gavin critica Nicolás Otamendi, zagueiro da seleção argentina
A melhor banda de rock de todos os tempos, segundo o ator Pedro Pascal
Max Cavalera e Andreas Kisser usaram uma guitarra e uma palheta nas gravações de "Schizophrenia"
Os 20 melhores álbuns lançados em 1999, segundo lista da Metal Hammer
Com a cantora Mona Miari, Roger Waters lança nova versão de "Comfortably Numb"
A melhor música de rock progressivo de todos os tempos, segundo os leitores da Prog
As 20 músicas mais subestimadas do Iron Maiden, em lista da Classic Rock
Show do Iron Maiden em Paris é prejudicado por falta de luz
Eric Martin, Edu Falaschi, Tim Owens e Jeff Scott Soto anunciam setlist do Masters of Voices
As bandas que mais influenciaram o U2 das antigas, segundo The Edge
Beatles: o que significa a referência aos Stones na capa do Sgt. Pepper's?
A banda dos anos 1980 que foi "citada" em "Infinita Highway" e teria gerado rivalidade


Floor Jansen anuncia lançamento de nova música solo, "Run"
Especialista em ópera provoca fãs do Nightwish e coloca Tarja acima de Floor no canto lírico
Tarja Turunen diz que mal participou da biografia oficial do Nightwish
Tarja sobre o Nightwish: "Era tão infeliz, não eram tempos felizes"
Tarja Turunen lança "Frisson Noir", disco mais pesado da sua carreira solo
Como foi o primeiro show do Nightwish, segundo Tuomas Holopainen
Iron Maiden e tietagem: Steve Harris posa com membros de três bandas de metal sinfônico
O que Tuomas Holopainen, do Nightwish, mais gosta na vida de músico em turnê
Metallica: Quem viu pela TV viu um show completamente diferente
Em 16/01/1993: o Nirvana fazia um show catastrófico no Brasil



