Blaze Bayley: Em Recife show digno de artista de primeiro escalão
Resenha - Blaze Bayley (Dokas Hall, Recife, 18/04/2002)
Por Paulo Peterson
Postado em 18 de abril de 2002
É raro presenciarmos em Recife espetáculos dignos de artistas de primeiro escalão mundial. Não que Blaze não o seja. Sua banda, apesar de nova, tem a experiência e a competência de um grupo que está há anos na estrada. O que se assistiu foi um Blaze totalmente diferente dos tempos do Iron Maiden, com uma excelente movimentação de palco e uma interação perfeita com o pequeno público que compareceu ao Dokas. Blaze estava em noite inspirada, e contente com a recepção do público a sua carreira solo.
Paul D´ianno, nas últimas duas apresentações em Recife, em 97 e 2000, teve que ouvir a cada intervalo de uma música para outra o coro que vai carregar por toda vida: "Maiden, Maiden,Maiden". O que se ouviu no show da banda Blaze foi um público que correspondia a tudo que o vocalista pedia, e que ao final de cada música gritava seu nome em uníssono.
O set foi baseado em seu primeiro cd, "Silicon Messiah" , o único lançado no país. Foi uma decisão acertada, pois muitos não conhecem ainda o seu novo cd, Tenth Dimension. Cantou praticamente todas as faixas do primeiro CD. A abertura ficou por conta de The Launch, seguida por Futureal, que deixou o público na mão. Seguiram-se Ghost of the Machine, Evolution e Identity. Apresentou então uma música de sua antiga banda, antes do Iron Maiden, o Wolfsbane: Tough of Steel. Em seguida, Stare at the Sun e mais uma do Iron Maiden, Como Estais Amigo, uma música que muitos julgam ser a pior coisa que a banda já lançou, mas que ao vivo, numa poderosa versão executada com precisão e originalidade, surpreendeu a muitos, inclusive a mim.
Chega a hora de sermos apresentados às novas faixas de Tenth Dimension. Tocam dois verdadeiros já clássicos, Leap of Faith e Kill and Destroy. Foi aí que começou a aparecer mais sua competente banda, uma aula de puro Heavy Metal, uma cozinha de fazer inveja e uma dupla de guitarras à altura dos grandes duetos de bandas como Iron Maiden e Judas Priest. Durante os solos, com competições entre um lado e outro da platéia, era nítida a satisfação de Blaze ao pedir e ser atendido.
Em seguida, mais uma do primeiro cd, a própria Silicon Messiah, e uma do Iron Maiden que muitos não esperavam, Virus, que apesar da introdução bem grande, no estilo das músicas do The X Factor, funcionou muito bem ao vivo. Tocaram ainda The Brave e novamente outra do Maiden, When Two Worlds Collide. Foi muito emocionante ouvir o coro de toda a platéia, típica de shows do Iron Maiden. Finaliza o show com a nova Tenth Dimension.
Aos gritos de "BLAZE,BLAZE,BLAZE" a banda retorna ao palco para destruir de vez o que restava de fôlego. Ninguém ficou parado aos primeiros acordes Man On The Edge, com Blaze subindo nas caixas de retorno, com tal empolgação que por pouco não leva um tombo. Finaliza o set tocando o maior clássico de sua banda, Born as the Stranger, mais uma vez surpreendendo ao cantar em cima do PA. Um fecho de ouro para uma noite que ficará na lembrança de todos que presenciaram essa excelente apresentação.
Que lancem logo outro álbum e venham fazer novamente shows por aqui, pois eventos como esse dificilmente saem da lembrança.
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