Por que é importante que artistas se posicionem politicamente
Por Mateus Ribeiro
Postado em 12 de outubro de 2026
O Brasil está passando por um momento conturbado por conta das eleições presidenciais. Artistas de diferentes segmentos demonstraram apoio a determinados candidatos e suas respectivas propostas. E é muito importante que essas pessoas se manifestem, goste você disso ou não.

Após o fim da ditadura militar, o Brasil viveu décadas de relativa tranquilidade no que diz respeito à democracia. Porém, com a ascensão da extrema direita e a projeção de políticos que colocam em xeque princípios democráticos, o cenário mudou: discursos autoritários e falas preconceituosas se tornaram cada vez mais frequentes. Em meio a tudo isso, tivemos uma tentativa frustrada de golpe de Estado.
Não se trata simplesmente do famigerado debate entre "direita x esquerda". Acenos claros ao totalitarismo, ataques às instituições democráticas e discursos que flertam com o autoritarismo são questões que ultrapassam as divergências ideológicas e merecem a atenção de toda a sociedade.
Nesse contexto, artistas passaram a ocupar espaço no debate político. Enquanto alguns usam sua visibilidade para defender aquilo em que acreditam, outros preferem não tornar públicas suas posições. Mas qual é o papel dessas figuras em momentos como este?
Artistas são personalidades influentes, capazes de alcançar milhares ou até milhões de pessoas. Por meio de músicas, entrevistas e redes sociais, podem chamar a atenção para questões de interesse público. É importante, portanto, que usem sua visibilidade para se posicionar, sobretudo quando princípios democráticos estão em jogo.
Quanto aos que preferem se "isentar", cabe refletir. Cada um tem o direito de se comportar como achar conveniente, mas, nessas alturas do campeonato, não se manifestar diante de ameaças à democracia também pode ter consequências.
Para efeito de comparação, imagine que você vê uma pessoa sendo agredida e, mesmo tendo a possibilidade de telefonar para a polícia ou pedir ajuda, prefere seguir em frente. Você não é responsável pela agressão, mas poderia tomar uma atitude que talvez fizesse a diferença. Sua omissão não significa que você concorde com a violência, mas poderia ter contribuído, ainda que indiretamente, para um desfecho trágico.
O mesmo raciocínio pode ser aplicado a outras situações. Imagine, por exemplo, que você percebe uma informação falsa circulando nas redes sociais e sabe que ela pode prejudicar outras pessoas, mas prefere não se manifestar. Ao deixar de contestá-la, você perde a oportunidade de esclarecer os fatos e ajudar a impedir que a desinformação se espalhe.
Na política, a lógica é semelhante: não é preciso concordar com discursos autoritários para que a omissão diante deles tenha consequências. Ao se posicionarem, artistas podem contribuir para que seus fãs compreendam a gravidade de determinadas situações.
Vale ressaltar que ninguém é obrigado a nada. O artista não tem a obrigação de se posicionar politicamente, assim como qualquer pessoa tem o direito de decidir quando e como expressar suas opiniões. Mas isso não muda a importância de usar a própria voz para chamar a atenção para questões que afetam toda a sociedade. Quando princípios democráticos estão em risco, manifestações públicas podem ajudar a conscientizar pessoas e fortalecer o debate.
Por fim, deixo um pequeno recado: desconfie de quem diz que está em cima do muro. Invariavelmente, essas pessoas caem para o mesmo lado.
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