Ghost: uma jogada de marketing sensacional

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Por Guilherme Niehues, Fonte: Horns Up
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GHOST é uma banda do qual se fala desde o seu surgimento em meados de 2010 e que alcançou um fama extraordinária no cenário musical, mas também em outros tipos de mídias especializadas ou não. Todavia, esta fama exagerada em volta da acunha de Papa Emeritus e seus fúnebres companheiros de banda, se deve somente ao som e pseudo-legado já atingido pela mesma?

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E eu posso lhe responder com toda franqueza: um grande e absoluto TALVEZ.

Bom, para entendermos um pouco melhor a lógica do que aqui vou tentar desenhar ou até mesmo ferir os sentimentos daqueles que "amam" de paixão esta banda, precisamos voltar algumas casinha e nos perguntar?

- Quando você conheceu a banda?

Se você for um dos poucos que ao responder esta pergunta, dirá que fora nos primórdios de uma banda desconhecida, e de certa forma interessante até o momento, bom... você realmente é um dos poucos, como eu.

A banda poderia ainda estar no anonimato se não houvesse os grandes emissários que foram responsável por retratar e estampar a cara do GHOST para os quatros cantos do planeta e também criar adeptos e fiéis seguidores da marca. Dave Grohl, Lars Ulrich e muitos outros fizeram questão de citar a banda em algumas entrevistas, em camisetas e fazer referência diretas ou indiretas, e meus caros amigos, esse é o tipo de marketing mais rentável no mundo dos negócios.

- O por quê, você deve se perguntar, certo?

Lembram quando Gene Simmons do Kiss defendia Lady Gaga ou Miley Cyrus ou até mesmo Ozzy Osbourne ditava algo ali e acolá sobre Justin Bieber ou qualquer outro infame artista do cenário musical, seja ele pop, rapper, reggae ou etc? Todos os viam com olhares desprezados por citar e defender uma pobre criatura sem lá muito talento ou odiado pelo público, mas, aquele velho ditado nos ajuda a entender o essencial desta mídia: "fale bem, ou fale mal, o importante é falar".

Entretanto, o show no Rock In Rio (que eu vou comentar um pouco mais a frente) culminou em uma nova explosão em redes sociais e até mesmo em mídias não especializadas no assunto. Podemos começar com o enxame de pessoas alegando dizer que o GHOST era um enviado do senhor satanás para profanar a discórdia no mundo e plantar a semente do mal em nossos cérebros. Pura balela e desinformação do público e do povo brasileiro em geral, ou apenas alguém tentando defender suas crenças de uma forma um tanto quanto equivocada. Afinal, desafiar a figura do "Papa" para o lado negro da força, é convincente de tal mensagem acreditada por meros incrédulos e tolos.

E quanto a mídia especializada, em especial o O Globo que cometeu a gafe de confundir GHOST com ROB ZOMBIE, aumentando ainda mais uma crença e necessidade de tentar identificar quem seriam os responsáveis por trás dos capuzes e maquiagem. E exatamente essa é a grande jogada de marketing da banda. Você lembra de algum caso semelhante em que não revelar a identidade se tornou algo lucrativo e criou um certo ambiente mística em volta de um certo nome? Três bandas, que trazem consigo essa particularidade e podem ser citadas: KISS, SLIPKNOT e BRUJERIA. Para estas bandas, pintar as caras, usar máscaras ou esconder os rostos foi extremamente favorável, e por que na atualidade esta mesma questão não providenciaria o mesmo estopim para uma banda?

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Mas, vamos por partes. Não estou lhes dizendo que para uma banda ser famosa, basta pintar a cara ou não revelar as identidades irá vir a calhar, então, crianças não tentem isso em casa. Porém, aliado a isso é preciso conseguir os meios corretos para não ser uma banda "promoção" momentânea e depois desaparecer em sua própria cova.

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Em resumo da ópera, entendemos que a teatralidade e misticismo criado pela banda e pelo próprio mundo culminou no sucesso deles, e isso é inegável.

Também, nos permitimos a entender que uma banda com 3 (três) anos de existência chegou ao lugar onde muitos queriam estar, participar de grandes festivais, ser a atração principal de alguns festivais e estar acima de nomes que possuem uma década de estrada, por exemplo. Nos resta saber até quando a banda continuará a traçar este caminho, e esta é uma resposta da qual todos nós teremos que esperar.

Em contrapartida a tudo que descrevi, ainda existe um fator de sorte: "dar as caras na cena musical quando se precisa de uma inovação".

E, realmente, o GHOST acertou em cheio nesse quesito, não somente publicitário, mas musicalmente também. Querendo ou não, a banda trouxe uma certa inovação em seu repertório de músicas, e eu já vou lhe explicar o porque.

O METALLICA foi uma banda que também obteve deste gosto, afinal, se a banda surgisse uma década depois, acredito que não estaria no topo de um gênero musical e não estaria fadada a nos brindar com alguns dos melhores discos de Metal do milênio. Certo?

O som do GHOST é algo que ninguém se atreveu a pôr na mesa até então. Ao menos, eu que vos escrevo que tenho um conhecimento bastante amplo de bandas e gêneros, nunca reparei em algo próximo ao som da banda. Todavia, aproveitar uma identidade macabra para um som "light" é um tanto controverso, porém funcional, uma vez que nem todos se "apreciam" das letras, e sim da sonoridade. Criar uma identidade musical, é isso que o GHOST fez para si. Um rock clássico com influência dos anos 70 e 80, aliados a uma estrutura simples de refrões, coros e um ritmo que realmente gruda no seu subconsciente igual chiclete. E nesse quesito, eu não tiro a razão da banda, ao menos não nos registros de estúdio da banda.

Confesso que, os dois álbuns da banda "Opus Eponymous" de 2010 e "Infestissumam" de 2013 são agradáveis e divertidos de se ouvir. Mas, então me deparei com o show no Rock In Rio, que ocorreu há alguns dias atrás, e me perguntei se realmente aquela era a banda que eu conheci logo no final de 2010? A voz de Papa Emeritus não parecia ser a mesma em vários momentos, e até ousaria em dizer que o show não demonstrou toda a teatralidade que a banda possuía em registros mais antigos, como ainda é possível ver no próprio Youtube. E, isso quebrou um pouco a mágia do qual a banda utilizava, ou seja, o feitiço se perdia ao longo de algumas músicas, se tornando um pouco cansativo e até mesmo chato. Mas, claro, é apenas a opinião de quem vos escreve.

Mas, é preciso delimitar e acrescentar todos estes fatores em uma balança e avaliar se realmente a banda está em seu auge devido a sua musicalidade ou somente a sua fama teatral e mística, de fato. A decisão não cabe a ninguém, uma vez que qualquer um possa exaltar sua própria opinião, porém, aqui eu lhes dou a minha, gostando ou não. Em contrapartida, não estou defendendo e muito menos acusando ou denegrindo a imagem da banda, mas, apenas expondo o que parece ocorrer quando se trata de GHOST em redes sociais ou nas mídias especializadas ou não.

E por fim lhes digo, tirando o lado teatral, a banda passa a ser algo mediano e super estimado na cena, uma vez que seja deste gênero mais tranquilo ou pesado, existem bandas muito mais criativas e melhores musicalmente falando. Aliás, acrescento, tanto tecnicamente quanto liricamente! :)




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