Public Enemy toca no Brasil e redireciona seu discurso
Fonte: Folha Online
Postado em 29 de outubro de 2003
THIAGO NEY
da Folha de S.Paulo
Se nos anos 80/90 a luta do Public Enemy limitava-se a seus shows e discos, hoje ela é travada maciçamente pela internet. O objetivo anterior, de derrubar toda e qualquer barreira social --seja de cor, seja de religião--, ainda está de pé, mas quem está na mira dos discursos do grupo hoje são as grandes corporações de música.
Formado há mais de 20 anos pelo vocalista Chuck D, o Public Enemy continua na ponta da produção mundial de hip hop muito por culpa da internet. Além dos serviços comuns de um website normal, a banda utiliza a rede como uma nova forma de comercialização de seus produtos --principalmente músicas.
O Public Enemy disponibilizou as canções de seus dois últimos álbuns ("There's a Poison Going On", 1999, "Revolverlution", 2002) em MP3 bem antes do que no formato usual, em CD.
O grupo veio ao Brasil em 1991, em show histórico no ginásio do Ibirapuera (SP). Chuck D e turma estavam no auge, após os lançamentos dos essenciais "It Takes a Nation of Millions to Hold us Back" (88) e "Fear of a Black Planet" (90). Eles retornam para o Tim Festival (tocam no dia 1º/11), no Rio, e no Via Funchal (7/11), em São Paulo.
Para falar sobre os shows no Brasil e os planos do Public Enemy para a internet, a Folha conversou por telefone com o líder do grupo, Chuck D.
Folha - Esta é a segunda vez que vocês vêm ao Brasil. O que você achou do show de 1991?
Chuck D - Gostei muito da apresentação e do clima das pessoas daí. O público realmente conhece e aprecia hip hop. E a luta dos negros no Brasil é parecida com a dos negros nos EUA, embora praticada de formas diferentes. Mas aí ainda há mais mistura do que nos Estados Unidos.
Folha - Quando você começaram, Ronald Reagan era o presidente dos EUA. Hoje, é George W. Bush quem está no poder. As coisas avançaram ou regrediram?
Chuck D - George W. Bush não tem medo de afirmar ao mundo que é ele quem está no comando de todo o mundo. Nesse ponto até mesmo Reagan tinha um certo cuidado. Nós do Public Enemy sempre dissemos que a América precisava olhar mais para o planeta, deixar a arrogância de lado. Não é isso o que acontece hoje.
Folha - O Public Enemy é um dos artistas mais envolvidos com as possibilidades da internet. Como você avalia essa disputa entre as grandes gravadoras e as pessoas que baixam músicas na rede?
Chuck D - As corporações têm de entender que o público descobriu e começou a usar essa tecnologia antes deles. Agora eles têm de fazer ajustes. Hoje em dia as pessoas vão às lojas e compram apenas o que acham bom. Então o downnload só vai afetar aqueles que não são realmente artistas. Porque os fãs querem ajudar e dar um suporte para seus ídolos. Por exemplo, quando você vê um show do Public Enemy, você assiste a um dos maiores shows do mundo. A indústria não se dá conta disso. Eles estão interessados apenas em vender discos, não se importam como são as apresentações de seus artistas.
Folha - Dá para saber como será a indústria da música em dez anos?
Chuck D - Acho que em três anos a indústria se dará conta de que essa nova forma de distribuição chegou para ficar. Você terá artistas "da internet", gravadoras independentes e artistas das majors, e eles participarão de forma diferente na distribuição. Não acho que a forma convencional de venda de discos será extinta, mas acho que a internet veio para somar. E terá resultados bem realísticos. Acho que estamos entrando num tempo em que o artista voltará a ser mais importante do que o CD que ele está lançando.
Folha - Você diz não acreditar mais no formato de álbum que nós conhecemos hoje. Por quê?
Chuck D - Eu acredito em álbuns feitos a partir de um conceito; e não acredito que muitos artistas estejam fazendo isso. Eles estão fazendo singles e preenchendo discos com músicas que estão ali só para preencher espaço. E isso faz com que as pessoas passem a colecionar, pela internet, apenas os singles. As pessoas estão ficando acostumadas a singles.
Folha - A tecnologia ajuda os artistas a terem mais controle?
Chuck D - Sim, ela permite fazer música, a conseguir um contrato, o marketing, a distribuição...
Folha - Você acha que as gravadoras, e os artistas, conseguirão lucrar com a internet?
Chuck D - Acho que eles podem expor seu material e vendê-lo através de pedidos por e-mail, por exemplo. As gravadoras podem lucrar até com a imagem do artista, negociando merchandising pelos sites.
Folha - O Public Enemy, e o hip hop, sempre foram vistos como música com forte conteúdo político e social, como uma batalha contra o sistema. Você acha que essa luta pode ser ganha algum dia?
Chuck D - Acho que a batalha de fazer as pessoas serem menos influenciadas pela TV e pelo rádio pode ser ganha; ou de o público ter acesso a informações de outros modos.
Folha - O Public Enemy ajudou a moldar o hip hop como o conhecemos hoje. Você está gostando do que ajudou a criar?
Chuck D - No começo, os rappers cantavam pela arte do hip hop, pelas pessoas. Hoje eles cantam por "business".
TIM FESTIVAL
Onde: MAM-RJ (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio)
Quando: de 30/10 a 1º/11
Quanto: de R$ 30 a R$ 80
Como comprar: tel. 0300-789-3350
PUBLIC ENEMY
Onde: Via Funchal (r. Funchal, 65, SP, tel. 0/xx/11/3846-2300)
Quando: 7/11
Quanto: a definir
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A banda que dá "aula magna" de como se envelhece bem, segundo Regis Tadeu
Fabio Laguna quebra silêncio e fala sobre não ter sido convidado pelo Angra para reunião
Jimmy Page celebra 25 anos de show do Iron Maiden no Rock in Rio III
Shawn "Clown" Crahan fala sobre o próximo álbum do Slipknot: pausa agora, criação em andamento
Dave Mustaine diz que integrantes reagiram bem ao anúncio do fim do Megadeth
A banda inglesa de rock que Regis Tadeu passou parte da vida pronunciando o nome errado
William DuVall encara desafio do metal ao gravar com Metal Allegiance: "É preciso estar à altura"
Roger Waters explicou porque seu primeiro álbum solo traz uma mulher nua na capa
Regis Tadeu explica por que Roger Waters continua um imbecil
A voz mais pura do rock de todos os tempos, segundo Bruce Springsteen
Filmagem inédita do Pink Floyd em 1977 é publicada online
Com problemas de saúde, Mick Box se afasta das atividades do Uriah Heep
Guitarrista da banda solo de Bret Michaels sai em sua defesa
Os discos do U2 que Max Cavalera considera obras-primas
Paul Stanley e Gene Simmons serão induzidos ao Songwriters Hall of Fame
O álbum do Metallica que Mike Portnoy considera "meia-boca"
Eloy quebrava mais do que baquetas na banda de Andre Matos, segundo Hugo Mariutti
Uma jaqueta e uma simples mensagem originaram um dos maiores clássicos do Sepultura


O disco de hip-hop que fez a cabeça dos irmãos Cavalera nos anos 80
O riff icônico do thrash metal que foi parar em disco clássico de hip-hop
Tom Morello responde sobre comparações do R.A.T.M. com o Public Enemy



