Heavy Metal: Politica e mensagens sociais são a nova temática do estilo
Por Juliano Komay
Fonte: Kentucky.com
Postado em 01 de agosto de 2006
Tradução de matéria originalmente publicada no Kentucky.com.
JUSTIN M. NORTON
Associated Press
SAN FRANCISCO – O cantor de heavy metal Chris Barnes (ex CANNIBAL CORPSE, atual SIX FEET UNDER) não sabia o que as pessoas pensariam da música anti-guerra intitulada "Amerika the Brutal" que ele escreveu após ter um primo mandado ao Iraque em 2003.
Ele ouviu uma série de reclamações – mas também recebeu bastante emails de apoio das tropas americanas na zona de guerra.
"Isso chega a me dar arrepios, porque são pessoas que eu não quis ofender com essa mensagem anti-guerras." – disse Barnes.
Outras bandas de metal estão encontrando inspiração de maneira similar.
Os álbums da LAMB OF GOD criticam a política dos EUA em relação aos estrangeiros. CATTLE DECAPITATION são vegetarianos que usam capas de CDs explícitas e músicas como "Veal and the Cult of Torture" (Vitela e a cultura da tortura) para condenar a indústria da carne. Serj Tankian do SYSTEM OF A DOWN é o co-fundador de uma organização sem fins lucrativos que trabalha com assuntos sociais.
Mais de três décadas depois do Black Sabbath invocar as artes negras, o heavy metal está crescendo. O gênero está incorporando mensagens políticas e sociais em seus acordes pesados.
O vocalista do CATTLE DECAPITATION Travis Ryan disse que sua banda de San Diego, uma mistura de guitarras carregadas e mensagens sobre os direitos dos animais, está atingindo os mais diversos grupos de pessoas, que incluem ativistas e fãs do metal tradicional.
Vinte artistas recentemente disponibilizaram artes, inspirados no último CD da banda "Humanure," em uma exposição virtual. Os lucros das vendas vão ser direcionados às organizações dos direitos dos animais.
Bandas de Metal estão buscando inspiração na literatura e mitologia também. MASTODON que, neste verão está liderando uma tour de verão com o SLAYER, lançou um álbum conceitual chamado "Leviathan" em cima da história de Moby Dick. A banda de death metal NILE baseia sua música e imagem na mitologia e iconografia egípcia.
"O metal está se expandindo e evoluindo e se tornando mais diverso" disse o antropologista canadense Sam Dunn, que dirigiu o documentário "Metal: A Headbanger's Journey" lançado em DVD neste verão. "É um estilo muito mais vibrante do que era há 5 ou 10 anos atrás."
Dunn está trabalhando na sequência do filme, intitulada "Global Metal" que traçará a popularidade do metal em países em desenvolvimento, como Brasil, Colômbia e Indonésia.
"Está se tornando global e se tornando uma ferramenta para comentários sociais e políticos" diz Dunn. "O metal tem muito mais significado em países onde as pessoas têm que lutar para sobreviver. Tem um tom muito mais político."
Os artistas "têm respondido à cultura e política atuais," disse Donna Gaines, uma socióloga e autora do livro "Teenage Wasteland", um estudo da classe trabalhadora metalhead de Nova Jersey.
A música metal, nos anos 80, era muito machista e "muito branca" ela diz. Mas atualmente as bandas tendem a ter mais consciência. Há mais mulheres nas platéias – e capitaneando as bandas também.
"Essa é uma nova geração nascendo." Diz Gaines
As bandas de heavy metal sempre apontaram para os assuntos políticos. Os avôs do metal BLACK SABBATH criticaram o Vietnã em múicas como "War Pigs" e "Children of the Grave." E a "Run to the Hills" do IRON MAIDEN era uma denúncia irritada da displicência com os nativos americanos.
Mas muitas das críticas foram ofuscadas com a imagem que deixava os pais em pânico, a criação do selo "Parental Advisory". Os irmãos do metal foram vistos por um novo e mais sábio mundo.
Isso começou a mudar quando o punk e o metal começaram a se unir, no final dos anos 80, com bandas como DIRTY ROTTEN IMBECILES e NUCLEAR ASSAULT. Mas o Metal ainda era conhecido pelo estilo de vida excessivo e vídeos espirituosos das bandas glam.
A visão popular dos metalheads como marginais com deficiência mental, foi imortalizada com o Cartoon da MTV "Beavis and Butt-Head," sobre dois metalheads adolescentes que aterrorizavam um vizinho gordo que vestia uma camiseta da banda glam "WINGER".
Mais músicas cheias de significado foram surgindo do underground e a cultura popular abraçou o grunge, e o metal acabou perdendo o lugar.
O NAPALM DEATH foi o produto do movimento inglês "Crass", que fundia o anarquismo e o punk nos anos 80. O vocalista Mark "Barney" Greenway, um vegetariano e advogado da paz, era sempre convocado por fãs que queriam saber mais sobre sua visão progressiva.
Uma música recente, "The Code is Red, Long Live the Code," ("O código é Vermelho, Vida Longa ao Código,") mira no estado de alerta nos EUA com letras como "Switched on to subdue when the masses switch off."
"É realmente muito difícil às vezes de se ultrapassar essa nuvem de apatia, então é ótimo quando alguém vem e pergunta por que vc está vindo com a sua perspectiva." Disse Greenway em uma pausa da Tour na Califórnia. "Quando você vem à um país como os EUA, quando você desafia o modo de pensar, é uma grande afronta a algumas pessoas." Ele disse.
As letras dos dois mais recentes álbuns do LAMB OF GOD foram expressamente políticas. Depois que o presidente Bush foi reeleito em 2004, o frontman Randy Blythe disse que brincou com um amigo: "Bom, ainda há muitas boas músicas a serem feitas. O que é ruim para a população é bom para o Punk Rock e para o Metal."
Greenway do NAPALM DEATH está considerando trabalhar como um ativista político quando os seus dias de metal acabarem, mas ele não pensa que o metal vá se afastar dos temas hedonistas e sobrenaturais.
"Eu aprecio que nem tudo tem que ser para conscientizarão, revolta ou política," ele diz. "A música é também uma forma de entretenimento e deve continuar assim. Variedade é o tempero da vida. O escapismo é uma coisa boa se não ofuscar a sua visão."
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